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Golpes causam prejuízo de R$ 21 bilhões a brasileiros em um ano

Promessas de emprego, promoções tentadoras e avisos bancários falsos estão entre as iscas mais comuns de golpes virtuais no Brasil. No último ano, as fraudes causaram perdas superiores a R$ 21 bilhões, e um em cada quatro brasileiros que teve contato com algum tipo de golpe sofreu prejuízo financeiro ou teve dados pessoais vazados.

Promessas de emprego, promoções tentadoras e avisos bancários falsos se consolidaram como iscas frequentes para golpes virtuais no Brasil, que, no último ano, causaram perdas superiores a R$ 21 bilhões, segundo a Global Anti-Scam Alliance (GASA). O levantamento demonstra que fraudes digitais já integram o cotidiano, e atinge um em cada quatro brasileiros que interagiram com algum tipo de golpe, com prejuízos financeiros ou vazamento de dados pessoais.

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Oito em cada dez adultos receberam ao menos uma tentativa de fraude em 2026, segundo o estudo, o que indica uma média de 202 abordagens por pessoa, e totaliza cerca de 34,5 bilhões de tentativas em todo o país. Golpes que envolvem compras falsas, ofertas de dinheiro inesperado e vagas de trabalho são os mais comuns, seguidos por fraudes com investimentos, boletos, relacionamentos e doações.

Perfil das vítimas e impacto financeiro

O relatório revela que mais da metade dos entrevistados interagiu com tentativas de fraude, sendo que dois em cada cinco não confiam em sua capacidade de identificar golpes. Entre os que tiveram perdas financeiras, 34% relataram ter sido vítimas mais de uma vez. Para 26% das vítimas, a perda de dinheiro ocorreu em poucos minutos, com valor médio de R$ 1.287 por pessoa, embora muitos tenham sofrido prejuízos acima de R$ 3 mil.

Canais e métodos mais usados pelos golpistas

Os principais canais de disseminação de golpes continuam sendo ligações telefônicas e aplicativos de mensagens instantâneas. Em 2026, 53% das vítimas tiveram contato com golpistas por telefone, enquanto 49% foram abordadas via apps de mensagens. E-mails representaram 39% das tentativas e SMS, 38%. Redes sociais responderam por 28% dos golpes relatados.

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O estudo revela que 71% das fraudes aconteceram em plataformas com comunicação direta. Entre os aplicativos, WhatsApp lidera com 64% das ocorrências, seguido por Gmail (32%), Instagram (22%), Facebook (17%) e Google (13%). Transferências bancárias tradicionais (33%), Pix (32%) e cartões de débito ou crédito (16%) foram os métodos de pagamento mais usados pelos golpistas para receber valores das vítimas.

Reconhecimento de golpes e estratégias de proteção

Apesar da alta exposição, dois em cada cinco brasileiros se sentem capazes de reconhecer tentativas de fraude. Entre os que não caem em golpes, os principais motivos são desconfiança da legitimidade da mensagem (43%), recusa em responder a contatos não solicitados (42%), contato inesperado (38%), percepção de sinais de alerta (37%) e ofertas “boas demais para ser verdade” (37%).

Pedidos de dinheiro, solicitações de dados ou ofertas irreais são os principais motivos para as pessoas evitarem transferir valores depois de interagirem com golpistas. O motivo mais citado para recusar pagamentos foi: “A oferta ou pedido parecia bom demais para ser verdade” (31%).

Depois do golpe, sete em cada dez vítimas perceberam sozinhas que haviam sido enganadas, enquanto 22% só entenderam o ocorrido por meio de notícias. Experiências anteriores com fraudes ajudam 37% dos entrevistados a reconhecer ou evitar novos golpes. A maioria relata o ocorrido a amigos ou familiares (64%), ao provedor do serviço (51%) ou ao banco (46%). No total, 82% reportaram o caso nos últimos 12 meses.

Denúncia e reembolso

Os motivos mais apontados para os golpes terem sucesso incluem: situações muito convincentes (47%), sensação de pagamento seguro (41%), atuação dos golpistas como representantes de empresas legítimas (39%) e ofertas que pareciam ótimas oportunidades (39%).

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No combate às fraudes, organizações comerciais são as mais procuradas para denúncias (56%), seguidas por autoridades (38%) e plataformas sociais (41%). Dentro das empresas, bancos e provedores de pagamento são os mais acionados, enquanto 30% dos que denunciam buscam a polícia local ou nacional. Ações de denúncia também ocorrem em órgãos de defesa do consumidor, sites nacionais e reguladores financeiros.

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Somente um em cada cinco brasileiros que relataram perdas financeiras conseguiram reembolso, total ou parcial. Para a maioria (36%), nenhuma providência foi tomada, segundo os próprios relatos. Na hora de confirmar a veracidade de uma oferta, 97% dos entrevistados afirmam adotar algum tipo de verificação, sendo a checagem de avaliações em outros sites a medida mais comum, mencionada por 42%.

Outras estratégias incluem consultar amigos e familiares (23%), preferir métodos de pagamento que permitem reembolso, como cartão de crédito (22%), e entrar em contato com a empresa por telefone (18%). Para 26% dos entrevistados, a principal responsabilidade pela proteção contra golpes cabe às plataformas on-line. Governo, responsabilidade individual, polícia e provedores de hospedagem aparecem na sequência.

Expectativas em relação à proteção e combate às fraudes

Mais da metade dos brasileiros acredita que empresas comerciais devem liderar a proteção contra fraudes, enquanto órgãos públicos são apontados por 28%. A atuação da polícia é a mais próxima das expectativas, ao passo que governo e plataformas on-line são considerados menos eficazes. Bancos foram bem avaliados em facilidade para denunciar fraudes (51%), ações de conscientização (49%) e bloqueio de pagamentos suspeitos (48%).

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A expectativa dos entrevistados vai além da prevenção: 61% defendem que bancos deveriam reembolsar sempre as vítimas, índice maior que o atribuído a empresas de cartão de crédito (59%) e provedores de pagamentos (53%). Apesar da preocupação persistente com golpes, o porcentual de brasileiros preocupados permanece em 67%, igual ao registrado em 2025.

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