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Governo brasileiro condiciona retorno de embaixador a mudança de postura de Milei

O governo brasileiro condicionou o retorno do embaixador Júlio Bitelli à Argentina a uma mudança na postura do presidente argentino, Javier Milei. A avaliação é compartilhada entre o Palácio do Planalto e o Itamaraty, segundo auxiliares envolvidos nas discussões, e, no momento, não há previsão para que o diplomata reassuma o posto em Buenos Aires.

O governo de Luiz Inácio Lula da Silva condicionou o retorno do embaixador Júlio Bitelli à Argentina a uma mudança na postura do presidente argentino, Javier Milei. A avaliação é compartilhada entre o Palácio do Planalto e o Itamaraty, segundo auxiliares envolvidos nas discussões, e, no momento, não há previsão para que o diplomata reassuma o posto em Buenos Aires.

Bitelli foi chamado de volta a Brasília na madrugada do último domingo, 26, depois de Milei fazer críticas a Lula e ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante a convenção nacional do PL, em São Paulo, que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência.

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No evento, o presidente argentino chamou Lula de "presidiário", acusou o governo do Brasil de atuar politicamente contra a Argentina e se referiu a Moraes como "lixo careca". Em seu discurso, também criticou o comunismo e o kirchnerismo, em referência à ex-presidente Cristina Kirchner, aliada de Lula.

Presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, durante encontro com Cristina Kirchner. Buenos Aires, Argentina | Foto: Ricardo Stuckert/PR

Desde o retorno do embaixador, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, iniciou uma série de reuniões para avaliar o cenário. Bitelli esteve com o chanceler na segunda-feira 27, no Palácio do Itamaraty, quando foi feita uma primeira análise da situação. Um novo encontro entre os dois está previsto para esta quarta-feira, 29.

Lula também encontrou o diplomata durante compromisso oficial no Itamaraty com o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung. Questionado por jornalistas sobre as declarações de Milei, o petista respondeu: "Quem é esse cara?"

Segundo integrantes do governo ouvidos pelo jornal Folha de S.Paulo, o retorno de Bitelli dependerá de uma alteração na forma como Milei conduz a relação bilateral. Enquanto isso não ocorrer, a orientação é manter o embaixador em Brasília.

Embaixador do Brasil na Argentina, Julio Bitelli, durante encontro com Lula | Foto: Reprodução/Rede Globo

Há ainda a avaliação de que a permanência do diplomata fora da Argentina pode se estender até mesmo além das eleições presidenciais brasileiras. Integrantes do governo consideram que as declarações de Milei tiveram motivação política e que uma volta imediata poderia expor o embaixador a novos episódios de constrangimento ou a novas manifestações do presidente argentino.

Histórico de atritos diplomáticos de Lula e Milei

Júlio Bitelli ocupa a embaixada brasileira em Buenos Aires desde 2023. Antes disso, foi chefe de gabinete do ministro Mauro Vieira entre 2015 e 2016, durante o governo Dilma Rousseff.

As divergências entre Lula e Milei vêm se acumulando desde a posse do presidente argentino. Um dos episódios recentes ocorreu na última cúpula do Mercosul, realizada no Paraguai, quando Milei não participou do encontro, evitando um contato com o presidente brasileiro.

Antes da atual crise, Bitelli havia sido chamado ao Brasil apenas em 2024 para consultas internas sobre a relação bilateral, sem que houvesse um conflito diplomático.

Javier Milei discursa em evento do PL, em São Paulo | Foto: Vanessa Araújo/Revista Oeste

Na terça-feira 28, o porta-voz do governo argentino, Adrian Ravier, minimizou o episódio. Segundo ele, "sempre houve insultos de ambos os lados" e a Argentina nunca levou divergências ideológicas para o plano diplomático.

A convocação temporária de um embaixador é considerada um dos principais sinais de deterioração nas relações entre dois países.

O caso mais recente envolvendo o Brasil ocorreu em 2024, durante a crise com Israel, quando o governo brasileiro chamou de volta seu representante em Tel Aviv e convocou o então embaixador israelense em Brasília para uma reunião, em meio ao desgaste provocado pelas declarações de Lula sobre a guerra na Faixa de Gaza.

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