Hilton processa deputada por vídeo com críticas ao termo ‘pessoas que gestam’
Parlamentar trans, Erika Hilton (Psol-SP) entrou na Justiça Eleitoral contra a deputada eleita Julia de Castro (PL-RJ), por um vídeo com críticas ao uso da expressão “pessoas que gestam”. Oeste teve acesso ao documento em primeira mão. Na publicação nas redes, Julia afirma que o termo promove o “apagamento da mulher” e interpela a atuação de Hilton na presidência da Comissão de Defesa dos Dire
Parlamentar trans, Erika Hilton (Psol-SP) entrou na Justiça Eleitoral contra a deputada eleita Julia de Castro (PL-RJ), por um vídeo com críticas ao uso da expressão “pessoas que gestam”. Oeste teve acesso ao documento em primeira mão.
Na publicação nas redes, Julia afirma que o termo promove o “apagamento da mulher” e interpela a atuação de Hilton na presidência da Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara.
Protocolada no Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro, no domingo 4, a ação pede a aplicação de multa.
A defesa de Hilton sustenta que Julia pagou para ampliar o alcance do vídeo e que esse impulsionamento configura propaganda eleitoral negativa irregular.
Vídeo interpelado por Erika Hilton
A transcrição apresentada na ação reproduz uma fala de Hilton: “Pessoas que gestam, goste a senhora ou não, e respeite a minha fala”. Ao comentar o trecho, Julia critica a substituição da palavra “mulher” pela expressão usada.
“Essa dita presidente disse isso pra descaracterizar, de fato, o ser feminino, né, que não é mais a mulher que gesta, e sim é uma pessoa que gesta”, afirma Julia. “Isso é quase que um crime, porque você quer substituir a mulher.”
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Na sequência, Julia questiona a coerência entre o discurso de Hilton em defesa das mulheres e o uso do termo.
“Ela que se diz feminista, que se diz pra proteger as mulheres, que quer fazer uma comissão das mulheres plural, na verdade, ela tá promovendo o apagamento da mulher”, diz. “O único lugar em que a mulher é insubstituível é na maternidade.”
Julia também menciona características biológicas para defender sua compreensão do que define uma mulher. “Não é só ter cabelo longo, não é só colocar silicone, não é isso que forma uma mulher”, declara.
Pedido de multa
A defesa de Hilton apresenta como prova do impulsionamento registros da biblioteca de anúncios da Meta.
Conforme os advogados, Julia contratou a divulgação paga de uma publicação com conteúdo negativo contra a candidata.
A petição sustenta que a irregularidade decorre da contratação do impulsionamento para ampliar críticas a outra candidatura.
Além da alegação eleitoral, a defesa de Hilton classifica as declarações de Julia como discriminatórias e de “viés transfóbico”.
Leia também: "Golpe em gestação", reportagem publicada na Edição 343 da Revista Oeste
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