IEA aponta que tecnologias economicamente vantajosas viabilizam meta de eletrificação da COP31
Um relatório encomendado pela presidência da COP31 analisa o potencial global de acelerar a eletrificação e o progresso por setor e região.
Nas reuniões da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (UNFCCC) em Bonn (SB64), a Turquia — que copresidirá a COP31 com a Austrália — anunciou seu apoio à meta de eletrificar 35% da demanda global por energia até 2035. Para verificar as possibilidades de atingir esse fim, a presidência da conferência do clima deste ano encomendou um estudo à Agência Internacional de Energia (IEA), que foi divulgado na 3ª feira (22/9). O relatório serviu de base para as discussões no Diálogo de Alto Nível sobre Transição Energética da IEA-COP31, realizado ontem em Nova York, no contexto da Assembleia Geral da ONU.
Com base nas tecnologias disponíveis atualmente e nos preços da energia observados antes do início do atual choque de oferta de petróleo e gás fóssil, causado pela guerra entre os Estados Unidos e o Irã, o relatório conclui que a eletricidade poderia suprir, de forma economicamente viável, 33% do consumo final de energia mundial até 2035, ante os 23% atuais. Isso colocaria a meta de 35% ao alcance, diz o estudo.
Considerando os preços da energia nos níveis atuais, em meio à quase permanente restrição do tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, a eletrificação do consumo energético mundial torna-se ainda mais viável, reforça a IEA. Assim, acelerar a expansão da eletricidade abriria novas oportunidades para os países fortalecerem sua segurança energética, impulsionarem a competitividade e reduzirem suas emissões, frisa a agência.
Em um cenário em que as nações importadoras de combustíveis fósseis acelerem consideravelmente a eletrificação de suas economias, suas faturas de importação de energia poderão diminuir em mais de US$ 400 bilhões (R$ 2 trilhões) até 2035, em comparação com os níveis de 2025. Nessa linha, uma eletrificação mais rápida poderá significar que o mundo consumirá 18 milhões de barris de petróleo por dia a menos, principalmente devido à rápida adoção de veículos elétricos.
O volume de barris de petróleo evitado equivale a 17% do consumo atual, na faixa de 105 milhões de barris diários, mas em queda devido à guerra no Golfo Pérsico. Deixar de queimar esse petróleo evitará a emissão de quase 3 bilhões de toneladas de dióxido de carbono equivalente (tCO2e), mais do que as atuais emissões brasileiras.
A eletrificação ainda é uma oportunidade para combater as emissões dos setores de transportes, construção civil e indústria, que, juntos, representam mais da metade de todas as emissões de CO₂ relacionadas à energia. Com a eletrificação acelerada, as emissões de CO₂ desses três setores cairiam 40% até 2035, em uma taxa de declínio alinhada às metas climáticas internacionais, destaca o relatório. Uma queda suficiente para colocar as emissões totais de CO₂ relacionadas à energia em trajetória descendente.
Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/09/22/iea-tecnologias-economicamente-vantajosas-viabilizam-meta-de-eletrificacao-da-cop31/
Fonte: climainfo.org · Por Ian Mello
