Imagens mostram Lulinha em viagens e jatinho milionário com lobista
Novas imagens publicadas pela revista Veja nesta quarta-feira, 21, mostram Fábio Luís da Silva, o Lulinha, em viagens com a lobista Roberta Luchsinger. Segundo a reportagem, os dois voaram para a Finlândia em um jatinho fretado Embraer Praetor 600, que custa mais de R$ 20 milhões. A Polícia Federal (PF) investiga uma suposta sociedade entre eles para prospectar negócios no governo federal. A r
Novas imagens publicadas pela revista Veja nesta quarta-feira, 21, mostram Fábio Luís da Silva, o Lulinha, em viagens com a lobista Roberta Luchsinger. Segundo a reportagem, os dois voaram para a Finlândia em um jatinho fretado Embraer Praetor 600, que custa mais de R$ 20 milhões. A Polícia Federal (PF) investiga uma suposta sociedade entre eles para prospectar negócios no governo federal.
A revista também relata viagens do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com despesas pagas por empresários. Em 2024, ele frequentou um camarote no Rock in Rio Lisboa e visitou a Muralha da China.
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Luchsinger chegou a reclamar dos sucessivos pedidos para custear deslocamentos: “O Fábio tem mania de pedir passagem para todo mundo”. Ela admite que os pedidos eran frequentes. “Reclamei mesmo dos pedidos de passagem", disse. "Está lá nas mensagens. Passagem, passagem, passagem… É caro”.
Fábio Luís mora em um condomínio de luxo em Madri, capital da Espanha. À Veja, seu advogado, Marco Aurélio de Carvalho, afirmou que ele vive de serviços de consultoria e governança. Além disso, a defesa nega irregularidades e rejeita uma tentativa de responsabilizar a lobista. “É especulação, uma tentativa sórdida de criar uma intriga entre amigos”, declarou.
Fotos e relações de Lulinha com empresários
As fotografias também mostram Fábio Luís com Marcelo Checon, dono da MChecon Design e Cenografia. A empresa tinha um contrato de R$ 197 mil com o governo antes de 2023. Nos últimos três anos, a partir da eleição de Lula, firmou outros 13, que somam R$ 63 milhões, com o Planalto e ministérios.
Luchsinger questionou o padrão de vida do filho do presidente e a postura de Lula. “O pai era o primeiro que deveria questionar”, afirmou. "Para efeito de raciocínio, se minha filha, por exemplo, amanhã aparece aqui com qualquer coisa diferente, eu perguntaria: “De onde veio isso?”, especialmente se ela não tem capacidade financeira e nem intelectual para conseguir aquilo."
A lobista também citou Amauri Rodrigues Pinha, presidente do conselho de administração da Empresa Construtora Brasil (ECB), do grupo Mota-Engil. A empresa venceu o leilão do túnel Santos-Guarujá, avaliado em quase R$ 7 bilhões, e assinou contrato de R$ 4 bilhões com a Petrobras.
Segundo a revista, pessoas ligadas à construtora ajudaram financeiramente na mudança de Fábio Luís para a Espanha em junho do ano passado. Luchsinger afirmou que Pinha era vizinho dele em São Paulo e sugeriu que pessoas ligadas à empresa ajudam a pagar suas despesas em Madri.
PF investiga negócios e contatos no governo
ALém disso, Luchsinger mantém relações com integrantes do PT e com a família Lula da Silva há cerca de dez anos. A PF suspeita que ela captava clientes enquanto Lulinha usava contatos no Planalto para intermediar interesses empresariais. Mensagens da lobista fundamentam três inquéritos sobre tráfico de influência.
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a quebra do sigilo telemático de Luchsinger no início do ano. Em mensagem a um cliente, ela afirmou que recusou um cargo oferecido por Lula para se concentrar nos negócios com o filho dele. O presidente, porém, nega o relato.
Em outra mensagem, Luchsinger mencionou articulações políticas com meta de lucro de R$ 100 milhões para 2024. A PF aponta um “núcleo de atuação permanente” entre os dois.
Pagamentos a assessor da Saúde
A lobista também pagava o aluguel e a manutenção de uma casa em Brasília usada por Fábio Luís para reuniões. O custo mensal superava R$ 100 mil. O imóvel recebeu os ministros Alexandre Padilha e Wellington Dias, assessores e o empresário Antonio Carlos Camilo.
Luchsinger trabalhou para Camilo em negociações com o Ministério da Saúde. “Eu não era sócia do Careca do INSS, eu era parceira de negócios do Fábio”, declarou. O relatório da PF de janeiro descartou a participação direta de Luchsinger nas fraudes do INSS.
Mensagens, porém, indicam que ela pagava despesas do então chefe de gabinete de Lula Marco Aurélio Santana, o Marcola. A investigação aponta que ele encaminhava demandas do grupo no Ministério da Saúde em troca dos pagamentos.
Santana deixou o cargo com a divulgação do caso e afirmou ter recebido um empréstimo. Luchsinger contestou: “Eu dei o dinheiro para ele, não emprestei”. Segundo ela, os pagamentos buscavam ajudar um amigo com problemas financeiros.
Reação a Lula e intenção de fazer delação
De acordo com a Veja, Luchsinger recebeu ligações de ministros, amigos e jornalistas na noite de 27 de agosto, mas não atendeu. Naquela noite, durante sabatina no Jornal Nacional, da TV Globo, Lula negou proximidade com ela e a chamou de “pilantra”. Em outra manifestação, ele comparou a lobista ao banqueiro Daniel Vorcaro.
A revista relata que Luchsinger xingou e chorou ao ouvir a declaração. Horas depois, um dos filhos de Lula telefonou e manifestou solidariedade. A lobista chamou o presidente de “covarde” e o acusou de mentir.
Os advogados dela, porém, a orientaram a esperar o fim do período eleitoral antes de agir. Além disso, ministros teriam a procurado por receio de revelações: “Porque, se eu abrir a minha boca, ele perde a eleição”, disse.
Em entrevista à CNN Brasil no sábado, 17, a lobista disse que responderá por eventuais crimes e anunciou a intenção de colaborar com as autoridades. “Eu quero fazer uma delação premiada”, afirmou. Luchsinger diz que pretende apresentar às autoridades fotos, vídeos, documentos e mensagens sobre a convivência com a família do presidente.
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