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Inflação desacelera em junho, mas continua acima da meta

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial, desacelerou em junho, mas ainda está acima da meta do governo para 2026, segundo dados divulgados nesta sexta-feira.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que mede a inflação oficial do país, desacelerou em junho deste ano, mas permanece acima da meta estipulada pelo governo para 2026, de acordo com dados divulgados nesta sexta-feira, 10, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No mês passado, a inflação oficial ficou em 0,16%. O índice veio 0,42 ponto porcentual abaixo do IPCA de maio (0,58%), indicando desaceleração do índice.

No acumulado dos seis primeiros meses do ano, a inflação é de 3,36%. Nos últimos 12 meses até junho, o índice ficou em 4,64%.

Segundo o Conselho Monetário Nacional (CMN), a meta de inflação do Brasil para este ano é de 3%. Como há um intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo, a meta será cumprida se ficar entre 1,5% e 4,5% na base anual. Neste momento, portanto, a inflação brasileira está estourando o teto da meta.

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O resultado do IPCA em junho veio abaixo da média das projeções dos analistas do mercado, que eram de 0,31% (índice mensal) e 4,8% (anual).

De acordo com a última edição do Relatório Focus, divulgado pelo Banco Central (BC) e que reúne as projeções do mercado financeiro sobre diversos indicadores econômicos, a inflação oficial do Brasil deve fechar este ano em 5,3%.

Habitação puxou inflação em junho

Em junho, os preços do setor de habitação puxaram o índice. Eles foram responsáveis pela maior variação no mês (0,63%) e pelo maior impacto sobre o resultado cheio do IPCA (0,1 ponto porcentual).

Na outra ponta, o segmento de alimentos e bebidas, que registrou queda de 0,24%, teve a maior variação negativa e o maior impacto negativo sobre o índice (-0,05 ponto porcentual).

De acordo com os dados do IBGE, os demais grupos tiveram variações entre -0,02% (educação) e 0,25% (despesas totais).

Leia também: "Mercado corta estimativa de inflação, mas ainda projeta estouro da meta"

Veja o resultado de todos os grupos do IPCA:

IPCA

O IPCA é calculado desde 1979 pelo IBGE. O índice é considerado o termômetro oficial da inflação e é utilizado pelo BC como uma das referências para as decisões sobre a taxa básica de juros (Selic).

O indicador mede a variação mensal dos preços na cesta de vários produtos e serviços, comparando-os com o mês anterior. A diferença entre os dois itens da equação representa a inflação do mês observado.

O IPCA mensura dados nas cidades, englobando 90% das pessoas que vivem em áreas urbanas no Brasil. O índice monitora preços de categorias como transporte, alimentação e bebidas, habitação, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação, comunicação, vestuário e artigos de residência.

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Análise

Segundo Vitor Kayo, economista sênior da Nomad, o IPCA abaixo do esperado em junho “ajuda a aliviar um pouco a pressão na inflação corrente no curto prazo e contribui para as apostas de mais uma queda de 0,25 ponto porcentual na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC.

“Porém, o cenário continua desafiador para o BC, com o mercado de trabalho aquecido, estímulos fiscais e creditícios em ano eleitoral, expectativas de inflação desancoradas, a pressão em alimentos e energia esperada com o avanço do ‘super El Niño’ no segundo semestre e o recrudescimento recente do conflito no Oriente Médio, que já voltou a pressionar os preços do petróleo”, alerta Kayo.

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