Israel descobre possível plano do Irã para assassinar Trump
Israel compartilhou com os Estados Unidos um alerta sobre um suposto plano do Irã para assassinar o presidente Donald Trump. O caso evidencia a atuação da inteligência israelense dentro de instituições iranianas.
O alerta que Israel compartilhou com os Estados Unidos, indicando um plano do Irã para assassinar o presidente Donald Trump, foi mais uma demonstração do quanto a inteligência israelense está enraizada nas instituições iranianas.
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Desde a Revolução Islâmica, em 1979, Israel utilizou, em relação ao Irã, técnicas acumuladas ao longo de décadas, algumas antes mesmo da Independência do país, em 1948. Elas foram se aperfeiçoando e se integrando a novos métodos, também desenvolvidos em função da evolução tecnológica e militar.
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A perseguição aos judeus, principalmente a partir do século 18 no leste europeu, motivou técnicas criadas a partir da própria vivência. Para burlar acusações, restrições à cidadania e proibições de saída dos países, muitos aprenderam a falsificar documentos, criar redes clandestinas e estruturar métodos de fuga e infiltração.
Antes do surgimento de Israel, os judeus que habitavam a região se organizaram para evitar emboscadas de grupos árabes. Nesse período, durante a colonização de terras, muitas delas compradas, foram se desenvolvendo organizações militares como a Haganá (1920), de onde surgiram grandes líderes do país, como Moshe Dayan (1915-1981).
Da Haganá (defesa), clandestina para os britânicos, que detinham o mandato na Palestina, surgiu o Palmach (1941). Do Palmach vieram as Forças de Defesa de Israel (FDI), em 1948. A estrutura já era influenciada pelos ensinamentos do oficial britânico Orde Wingate (1903-1944), que, entre 1936 e 1938, trouxe um conceito utilizado até hoje em Israel: a coleta de informação antes da ação.
O surgimento do Mossad (1949) foi uma maneira de formalizar essa regra. Inicialmente, os recursos eram escassos. Com o tempo, Israel desenvolveu sua tecnologia e a adaptou às diferentes áreas militares. A Unidade 8200 (1952), das FDI, realiza interceptação de comunicações, guerra cibernética, análise de grandes volumes de dados e pesquisas tecnológicas.
Não foram revelados detalhes sobre como a inteligência israelense obteve a informação sobre o plano do Irã de tentar assassinar Trump. Mas ela pode ter vindo de algumas destas fontes: do Mossad, de agentes infiltrados no Irã ou de interceptações telefônicas, eletrônicas ou cibernéticas.
Destas mesmas maneiras, Israel se apropriou do arquivo nuclear iraniano, em 2018. Na ocasião, agentes entraram em um depósito secreto em Teerã e retiraram cerca de 50 mil páginas de documentos e milhares de arquivos digitais.
Ao longo de mais de uma década, vários cientistas ligados ao programa nuclear iraniano foram assassinados. O caso mais sofisticado foi o de Mohsen Fakhrizadeh, morto em 2020 em uma operação extremamente complexa. Embora Israel nunca tenha assumido oficialmente a autoria, serviços de inteligência ocidentais atribuíram a operação ao Mossad.
Em julho de 2024, o assassinato de Ismail Haniyeh, líder do grupo terrorista Hamas, em Teerã, revelou um nível de penetração que surpreendeu até especialistas em inteligência. Haniyeh estava hospedado no complexo Neshat, em Teerã, administrado pela Guarda Revolucionária.
Israel obteve informações sobre o Irã
Em novembro de 2024, Ali Larijani, assessor do líder supremo Ali Khamenei, admitiu, em entrevista à agência iraniana ISNA, que "o problema da infiltração tornou-se muito sério nos últimos anos".
Nos ataques de Israel a partir de fevereiro de 2026, o próprio Larijani foi uma das vítimas entre as autoridades eliminadas. Um ano antes, na Guerra dos 12 Dias, primeira vez, militares israelenses reconheceram que agentes do Mossad atuaram dentro do território iraniano para preparar ataques.
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Segundo fontes israelenses, armas foram introduzidas clandestinamente, drones explosivos ficaram pré-posicionados e equipes infiltradas neutralizaram sistemas de defesa aérea pouco antes dos bombardeios da Força Aérea.
Cinco dias depois dos ataques de Israel, em 17 de junho de 2025, entrevistas com dez autoridades da inteligência e das FDI de Israel foram publicadas pela Associated Press. "Este ataque é o resultado de anos de trabalho do Mossad contra o programa nuclear iraniano", afirmou à agência Sima Shine, ex-diretora de pesquisas da agência de inteligência israelense.
A própria Al Jazeera, emissora catari contrária a Israel, reconhece a capacidade da espionagem israelense. Ao ressaltar que o Irã também realiza este tipo de ação, cita informações de especialistas. Eles consideram que a divulgação deste tipo de operação também faz parte da estratégia de inteligência.
Segundo a emissora, expor o grau de infiltração alcançado dentro do aparato de segurança do adversário ajuda a enfraquecer sua credibilidade, reduzir o moral interno e, ao mesmo tempo, fortalecer a imagem do próprio serviço de inteligência perante a opinião pública.
Neste possível plano contra Donald Trump, Israel provavelmente obteve um alerta antes dos próprios EUA. Relatos da mídia mostram que houve divergências dentro do governo norte-americano.
Alguns funcionários acreditavam que o alerta merecia máxima atenção; outros avaliavam que a credibilidade da ameaça ainda não estava plenamente estabelecida e que um único relatório de inteligência oferece apenas uma visão parcial da situação.
Mas o Serviço Secreto, o Escritório Militar da Casa Branca e assessores de segurança nacional decidiram adotar medidas preventivas, entre elas a troca do Air Force One durante a viagem de Trump de volta da Turquia. Em se tratando de um aviso de Israel, é melhor sempre acreditar.
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