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Janja afirma que críticas a gastos em viagens são misoginia

A primeira-dama Rosângela Lula da Silva, conhecida como Janja, disse que as críticas aos gastos em suas viagens internacionais são motivadas por 'misoginia pura'. A declaração foi feita durante uma entrevista, após ser questionada sobre o assunto. Dados indicam que Janja passou 182 dias fora do Brasil desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

A mulher do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a primeira-dama Rosângela Lula da Silva, a Janja, usou a acusação de “misoginia” como um truque para não responder a perguntas incômodas. A afirmação é do jornal O Estado de S. Paulo, que criticou, em editorial publicado nesta sexta-feira, 17, o comportamento de Janja durante uma entrevista ao portal UOL.

Na ocasião, como mostrou Oeste, Janja disse que as críticas aos gastos em suas viagens internacionais decorrem de "misoginia pura".

Segundo levantamento do Poder360, Janja acumulou 182 dias fora do Brasil desde o início do terceiro mandato de Lula – ou 24 dias a mais que o presidente, que permaneceu 158 dias no exterior no mesmo período.

Os dados mostram que Lula fez 45 viagens internacionais desde janeiro de 2023, enquanto Janja ampliou sua participação em agendas oficiais no exterior. Somente neste ano, a primeira-dama participou de compromissos na Itália, França, Japão e Rússia. Lula, por sua vez, ficou 20 dias fora do país em 2026.

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“Por ser mulher, a sra. Janja acredita estar dispensada de dar explicações sobre seus gastos – escrutínio ao qual todos os integrantes do Estado brasileiro, independentemente do sexo, são submetidos. E a razão desse escrutínio é muito simples: trata-se do dinheiro de todos os contribuintes, inclusive milhões de mulheres que lutam diariamente para pagar suas contas e seus impostos”, afirma o Estadão.

O jornal diz ainda que “usar a acusação de ‘misoginia’ como artimanha retórica para esquivar-se de perguntas incômodas chega a ser cruel com as muitas mulheres que cotidianamente sofrem preconceito pelo fato incontornável de serem mulheres”.

“Não há dúvida de que a sra. Janja muitas vezes também é vítima desse preconceito, mas, no caso da cobrança de explicações sobre despesas pagas com dinheiro público, é obrigação da primeira-dama fornecê-las sem demora e com total transparência. A não ser que a sra. Janja se considere especial a ponto de não se sentir obrigada a dar satisfações sobre como gasta o dinheiro do contribuinte e de considerar preconceituoso quem as exige”, prossegue o editorial.

O Estadão também critica outra declaração de Janja na mesma entrevista. A mulher de Lula afirmou que o Brasil nunca teve uma primeira-dama que “trabalha efetivamente” como ela – ignorando, por exemplo, a atuação da antropóloga Ruth Cardoso (1930-2008), que idealizou o programa Comunidade Solidária durante o governo do marido, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

“Se a sra. Janja estivesse realmente preocupada com a condição feminina, teria cobrado do marido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que procurasse nomear mais mulheres para o primeiro escalão – lembrando que hoje, dos 38 ministérios, apenas oito são ocupados por mulheres”, diz o Estadão.

“A esse respeito, contudo, a primeira-dama deu a resposta padrão dos petistas: a culpa é sempre dos outros – no caso, dos partidos da base governista que não indicam mulheres para os ministérios.”

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