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J&F adquire fabricante de armas Avibras

O grupo J&F, controlado pelos irmãos Joesley e Wesley Batista, fechou acordo para comprar a Avibras, uma das principais fabricantes de armas do Brasil. A aquisição será feita por meio da Globe Investimentos, subsidiária do grupo, que passará a deter a totalidade da holding que controla a Avibras Aeroco.

A J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista, acertou a compra da Avibras Aeroco Indústria Aeroespacial Ltda, uma das principais fabricantes brasileiras de armas. A transação será realizada pela Globe Investimentos S.A, veículo do grupo J&F, que já foi usado pelos Batista para deter participação na Usiminas. Com a operação, a Globe passará a controlar integralmente a holding à qual pertence a Avibras Aeroco, novo nome da companhia.

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Um comunicado da Avibras foi divulgado nesta sexta-feira, 21, com a confirmação de que a Globe adquirirá a totalidade das ações da Nova AVB S.A., controladora integral da empresa. A transação já foi submetida à análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). A venda só se concretiza depois da aprovação pelo órgão antitruste e desde que sejam concluídos os trâmites necessários para o fechamento.

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"A companhia reitera o seu compromisso com a transparência e manterá seus colaboradores, parceiros comerciais e o mercado financeiro informados acerca de quaisquer novos desdobramentos relevantes sobre o andamento e a conclusão desta operação", declarou a direção da Avibras.

A Avibrás mantém contratos com o Exército e a Força Aérea Brasileira. Entre seus produtos está o Astros, sistema de foguetes de artilharia utilizado pelas Forças Armadas e vendido também para outros países.

O vendedor é o FIP Brasil Crédito, credor da Avibras que assumiu o controle da empresa no ano passado. A mudança ocorreu depois que fracassaram negociações com potenciais compradores brasileiros e estrangeiros. Houve interesse de investidores da Austrália e da China, entre outros. O valor que a J&F desembolsará pela aquisição não foi divulgado.

Joesley Batista, da J&F, havia feito aporte na empresa de armas

A mudança de controle ocorre depois de um movimento anterior de capitalização da fabricante. Em maio, foi informado que Joesley Batista participara, ao lado de outros investidores, de um aporte de R$ 300 milhões na empresa. Com o negócio, o grupo ingressa na área militar e amplia sua atuação, que já inclui setores como os de celulose, mineração, alimentos e energia.

A Avibras chega à nova fase depois de atravessar um longo período de dificuldades financeiras. A recuperação judicial começou em março de 2022. Os textos sobre a situação da companhia apontam valores distintos para o passivo: uma das informações cita R$ 394 milhões, enquanto outra estima a dívida em aproximadamente R$ 600 milhões.

Leia também: "O império de influência dos irmãos Batista", reportagem de Artur Piva e Raphaela Ribas publicada na Edição 336 da Revista Oeste

A crise financeira foi acompanhada por uma prolongada paralisação dos trabalhadores. A greve começou em setembro de 2022 e durou 1.281 dias, até ser encerrada neste ano por meio de um acordo na Justiça. O entendimento envolveu R$ 230 milhões em débitos trabalhistas. A produção foi retomada em maio.

Instalada em São José dos Campos, no Vale do Paraíba paulista, a Avibras tem interesse estratégico para a indústria militar brasileira. O controle da companhia já havia sido cogitado por grupos estrangeiros. A possibilidade de uma venda, porém, enfrentou resistência entre setores das Forças Armadas e do Congresso.

A fabricante também recebeu atenção do governo federal depois da retomada das atividades. Em julho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) visitou a sede da fábrica.

Em 12 de agosto, por iniciativa do presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional , deputado Luiz Philippe de Orleans e Bragança (PL-SP), foi aprovado requerimento de informações ao Ministério da Defesa sobre o processo de aquisição da Avibras por grupos privados.

O colegiado cobra detalhes sobre tratativas, riscos à soberania nacional e o monitoramento do governo federal frente aos desdobramentos financeiros da companhia.

O Ministério da Defesa tinha 30 dias para enviar as respostas. Caso as informações do governo sejam consideradas insatisfatórias, a comissão poderá convocar o ministro da Defesa para prestar depoimento presencial ou abrir novas frentes de fiscalização parlamentar.

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