Juíza vê sinais de destruição de provas na investigação da Americanas
A juíza Giovana Teixeira Brantes Calmon, da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, apontou sinais de apagamento de provas em computadores e celulares ligados ao caso Americanas. As afirmações constam em despacho que autorizou medidas da investigação sobre a varejista, obtido pelo jornal Folha de S.Paulo. No documento, a magistrada citou equipamentos entregues pela própria companhia à Pol
A juíza Giovana Teixeira Brantes Calmon, da 10ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, apontou sinais de apagamento de provas em computadores e celulares ligados ao caso Americanas.
As afirmações constam em despacho que autorizou medidas da investigação sobre a varejista, obtido pelo jornal Folha de S.Paulo. No documento, a magistrada citou equipamentos entregues pela própria companhia à Polícia Federal (PF) com indícios de formatação e ausência de arquivos.
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No despacho, Calmon afirmou que um computador atribuído ao ex-CEO Sergio Rial tinha pastas vazias. A magistrada também sustentou que a Americanas entregou à PF o aparelho usado por Miguel Gutierrez, que comandou a companhia por mais de 20 anos, com os padrões de fábrica restaurados.
Equipamentos restaurados chamaram atenção da juíza
A magistrada afirmou que os aparelhos usados por Gutierrez na Americanas estavam com as configurações originais de fábrica.
Para Calmon, os dispositivos passaram por formatação antes de a Americanas entregá-los à PF. A magistrada rejeitou a hipótese de que os aparelhos nunca tenham sido usados.
"Essa hipótese não prospera por uma simples lógica: foram entregues pela própria companhia como sendo os dispositivos utilizados por Miguel Gutierrez" disse Calmon, no documento. "Assim, é possível afirmar com convicção quase completa que os aparelhos foram ‘formatados’ antes de ser entregues para a autoridade policial."
Em relação ao computador atribuído a Sergio Rial, a juíza informou que o equipamento tinha pastas vazias. Segundo ela, o cenário sugere que provas “muito provavelmente foram apagadas de forma definitiva”.
A magistrada também informou que não conseguiu acessar o perfil identificado como sendo de Carlos Gatto, ex-diretor da AME Digital, porque a empresa não forneceu a senha.
A alegação do ex-CEO da Americanas
Em nota enviada à Folha, a defesa de Sergio Rial afirmou que a Americanas entregou o computador à PF em 2 de junho de 2023, cinco meses depois da saída dele da companhia.
Segundo os advogados, o equipamento permaneceu sob posse da empresa durante esse período. A defesa afirmou que pessoas envolvidas nas fraudes ainda faziam parte do quadro de funcionários da companhia. Também disse que não existe prova de que Rial tenha usado o computador ou apagado arquivos.
Os representantes do ex-CEO disseram ainda que o próprio despacho registra a informação de que Rial não utilizava celular corporativo e que o computador tinha perfil de acesso vinculado a outra pessoa.
A defesa de Miguel Gutierrez disse que não comentará o caso. Carlos Gatto também não se manifestou até o momento.
A Americanas afirmou que colaborou com as autoridades e entregou os computadores e demais provas solicitadas no estado em que estavam no momento da requisição. A empresa afirmou que não teve acesso ao teor da decisão e reiterou que se considera vítima no caso.
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