Justiça de SP bloqueia provisoriamente patrimônio de família controladora da Marabraz
A Justiça de São Paulo determinou, em caráter provisório, o bloqueio das quotas e dos imóveis da LP Administradora de Bens, empresa que reúne parte do patrimônio da família Fares, controladora da Marabraz.
A Justiça de São Paulo voltou a bloquear, de forma provisória, as quotas e os imóveis da LP Administradora de Bens, empresa que reúne parte do patrimônio da família Fares, controladora da Marabraz.
A decisão foi tomada nesta terça-feira, 25, pelo desembargador Roberto Nussinkis Mac Cracken, presidente da Seção de Direito Privado do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). O magistrado também admitiu recurso especial apresentado por Nasser e Jamel Fares para que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) analise o caso.
Os dois são filhos do fundador da Marabraz, Abdul Hamid Fares, e atuais controladores da varejista. Eles disputam com integrantes da terceira geração da família o controle da LP Administradora.
Bloqueio envolve centenas de imóveis
A disputa envolve a transferência das quotas da administradora para os netos do fundador. A Justiça de primeira instância considerou a operação simulada, sob o entendimento de que não houve pagamento efetivo. Em setembro de 2025, porém, o TJ-SP reformou a decisão por falta de provas de fraude.
Nasser e Jamel recorreram ao STJ e pediram o bloqueio das quotas e dos imóveis enquanto o caso não for julgado. Também solicitaram o afastamento de Abdul e Nader Fares da administração e a nomeação de um administrador judicial.
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A defesa de Abdul contestou as medidas e afirmou que não existe risco atual para justificar a intervenção. Segundo uma análise da BDO Auditores Independentes citada pelos advogados, a empresa reduziu o endividamento em R$ 115 milhões em 2024 e quitou mais de R$ 70 milhões em empréstimos bancários.
Mac Cracken concedeu parcialmente o pedido e restabeleceu a indisponibilidade das quotas e dos imóveis, mas rejeitou a intervenção judicial na empresa.
A disputa ocorre em paralelo à crise financeira da Marabraz. A varejista pediu recuperação judicial neste mês para renegociar cerca de R$ 140 milhões em dívidas. A empresa atribuiu as dificuldades aos juros elevados, ao endividamento, à redução do consumo e aos conflitos societários e familiares.
A decisão mantém bloqueado um patrimônio que reúne centenas de imóveis da família Fares. Integrantes da família também trocaram acusações sobre retiradas milionárias e gastos pessoais em processos relacionados à disputa.
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