Justiça italiana vai julgar extradição em maio
A Corte Suprema de Cassação, instância máxima da Justiça italiana, marcou para 22 de maio o julgamento do processo de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL). O agendamento foi comunicado por meio de um aviso assinado na última quarta-feira, 22. Zambelli responde a dois processos que podem determinar sua transferência para o Brasil. O caso principal envolve o suposto pagamento ao
A Corte Suprema de Cassação, instância máxima da Justiça italiana, marcou para 22 de maio o julgamento do processo de extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli (PL). O agendamento foi comunicado por meio de um aviso assinado na última quarta-feira, 22.
Zambelli responde a dois processos que podem determinar sua transferência para o Brasil. O caso principal envolve o suposto pagamento ao hacker Walter Delgatti Neto, para invadir sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e inserir um falso mandado de prisão contra o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.
Advogado de Zambelli: "desfecho previamente encaminhado”
No Brasil, a ex-deputada foi condenada a 10 anos de prisão nesse processo. Depois do encerramento da ação, em 2025, ela deixou o país e seguiu para a Itália, onde possui cidadania. Na Europa, acabou presa assim que o Brasil solicitou a sua inclusão na difusão vermelha da Interpol, o que deu início ao processo de extradição.
A defesa questiona a rapidez do andamento do caso. O advogado Fábio Pagnozzi afirmou que o prazo fixado pela Corte de Cassação é “significativamente inferior ao padrão observado em casos semelhantes”. O representante legal da ex-parlamentar diz ver com apreensão a “incomum rapidez na tramitação do caso, o que pode indicar um desfecho já previamente encaminhado, em detrimento das garantias fundamentais que devem reger processos dessa natureza”.
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Em outra frente, a ex-deputada também teve autorizada sua extradição no processo referente ao porte de arma. O episódio ocorreu às vésperas do segundo turno das eleições de 2022, quando Zambelli foi filmada empunhando uma arma em São Paulo depois de ser ameaçada por um apoiador do presidente Lula. Ainda há possibilidade de recurso nesse caso.
Em publicação nas redes sociais, Pagnozzi afirmou que há tratamento desigual entre processos de extradição envolvendo o Brasil. “Fica cada vez mais claro que o governo Lula e seus aliados usam a máquina pública de forma ideológica. No caso de Carla Zambelli, há um esforço enorme pela extradição, com advogado pago com dinheiro público para garantir isso a qualquer custo”.
O advogado acrescenta que casos gravíssimos, como o de um brasileiro que cometeu pedofilia no Reino Unido, “a própria justiça britânica negou a extradição citando as condições precárias do sistema prisional brasileiro. A pergunta é simples: por que tanta força em um caso e tanta diferença em outro? Quando a justiça passa a servir interesses políticos, quem perde é a democracia”.
Até o julgamento da Corte de Cassação, a ex-deputada permanece presa na Itália. A decisão do tribunal é considerada a última etapa judicial relevante antes da palavra final das autoridades italianas sobre a eventual extradição ao Brasil.
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Fonte: Revista Oeste · Por Fábio Bouéri


