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Lincoln Gakiya é ‘conselheiro oculto’ do PT

Quem assistiu ao primeiro debate entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo de São Paulo, neste domingo, 9, na Band, notou a insistência do candidato petista em falar sobre segurança pública. No encontro, Haddad atacou a política do governo paulista, mirou o ex-secretário Guilherme Derrite e afirmou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) se fortale

Quem assistiu ao primeiro debate entre Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT) na disputa pelo governo de São Paulo, neste domingo, 9, na Band, notou a insistência do candidato petista em falar sobre segurança pública.

No encontro, Haddad atacou a política do governo paulista, mirou o ex-secretário Guilherme Derrite e afirmou que o Primeiro Comando da Capital (PCC) se fortaleceu no Estado. Ao mesmo tempo, enalteceu a atuação do Ministério Público de São Paulo (MPSP) no combate ao crime organizado.

Essa retórica não é casual. Nos bastidores, um dos principais nomes do MPSP no combate ao PCC se aproximou dos petistas. Trata-se de Lincoln Gakiya, promotor que há mais de duas décadas investiga a organização criminosa.

Conforme apurou Oeste, Gakiya passou a ser ouvido por integrantes do PT e pelo entorno de Haddad em discussões sobre segurança pública. Uma fonte descreve o promotor como uma espécie de “conselheiro oculto” dos petistas.

Não há vínculo formal entre Gakiya e o partido. O promotor não ocupa cargo na campanha nem integra oficialmente a estrutura do PT.

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Gakiya versus Derrite

As críticas de Haddad à política de segurança pública de Tarcísio passam por temas nos quais Gakiya se distanciou publicamente de Derrite. Um dos principais pontos de divergência entre ambos nos últimos meses foi o tratamento jurídico dado ao PCC e ao Comando Vermelho.

Gakiya se posicionou contra a classificação das duas facções como organizações terroristas. Em março, por exemplo, quando os Estados Unidos já discutiam a possibilidade de adotar esse enquadramento, o promotor afirmou que PCC e CV têm características mafiosas, mas não atendem aos requisitos para serem considerados grupos terroristas pela legislação brasileira. Para Gakiya, falta às facções uma finalidade política ou ideológica.

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A preocupação de Gakiya também envolvia os efeitos de uma decisão tomada em Washington. O promotor afirmou que a classificação poderia transformar o combate às facções, aos olhos dos EUA, de um assunto policial em uma questão de defesa nacional. Chegou a advertir para o risco de que o novo enquadramento abrisse espaço, no futuro, para operações secretas de órgãos norte-americanos, inclusive no território brasileiro.

A posição de Gakiya coincidiu com a reação do governo Lula. O presidente criticou diversas vezes a decisão norte-americana e alegou que a classificação representava interferência em assuntos brasileiros.

Já Derrite seguiu por outro caminho. Durante a discussão do Projeto de Lei Antifacção no Congresso, o ex-secretário defendeu regras mais duras contra as facções criminosas. De lá para cá, tornou-se um dos principais defensores da ideia de classificá-las como organizações terroristas.

+ Saiba mais sobre os bastidores da política em No Ponto

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