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Lula afirma que Alckmin é garantia contra golpe

Em convenção do PSB em Brasília, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que a presença de Geraldo Alckmin na vice-presidência elimina o risco de golpes de Estado. Lula disse que, com Alckmin, não há preocupação com rupturas institucionais durante a noite.

A confiança do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu vice, Geraldo Alckmin (PSB), foi destacada nesta quarta-feira, 29, durante a Convenção Nacional do PSB em Brasília. Lula afirmou que, com Alckmin na vice-presidência, não há temor de golpes de Estado ao acordar no dia seguinte.

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No evento que sacramentou a candidatura de Alckmin à vice na chapa petista, Lula ressaltou: “Com Alckmin, a gente nunca vai pensar que vai dormir e ter um golpe no dia seguinte de manhã”. O presidente evitou mencionar nomes ao abordar o risco de golpe, mas apontou a escolha do vice como reflexo da capacidade de liderança de governantes.

A importância da escolha do vice-presidente

Lula argumentou que avaliar a qualidade do vice revela a competência do titular do Executivo. “Se vocês quiserem saber quando alguém vai ser um bom prefeito, governador ou presidente, olhe a qualidade do vice que ele escolhe. É isso que demonstra a competência de saber escolher para bem governar”.

O chefe do Executivo também mencionou sua relação com o ex-vice José Alencar, elogiou sua trajetória, e relatou como se aproximou de Alckmin antes da formação da chapa vitoriosa em 2022. Lula contou que, ao seguir conselhos de aliados, buscou diálogo com Alckmin, mas não abordou assuntos políticos logo na primeira conversa.

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Lula lembrou que o primeiro encontro ocorreu em ambiente religioso e fez uma analogia ao início de um namoro. “Eu não tive coragem", enfatizou. "Era o primeiro encontro. Ninguém consegue namorar abruptamente no primeiro encontro."

Décadas de farpas antes da aliança

A relação entre Lula e Alckmin nem sempre foi harmônica. Antes de formarem chapa em 2022, os dois foram adversários diretos na eleição de 2006 e trocaram ataques que se estenderam por mais de uma década.

No debate da TV Record, em outubro de 2006, Alckmin abriu as críticas ao dizer que o governo Lula tinha "duas marcas: parado na economia e acelerado nos escândalos", numa referência ao Mensalão. No dia seguinte, Lula reclamou do nível do debate e comparou Alckmin, de forma desfavorável, a outros adversários com quem já havia debatido, como Ulysses Guimarães, José Serra, Mario Covas, Paulo Maluf e Fernando Collor. "Não pensei que estava na frente de um candidato", disse. "Pensei que estava na frente de um delegado de porta de cadeia." Chamou Alckmin também de "sanfona quebrada". "Faz o mesmo som de arrogância na campanha inteira."

Em outro debate daquele ano, na Band, Lula chamou Alckmin de "leviano" ao ser questionado sobre gastos com cartão corporativo. Em setembro de 2006, Alckmin comparou Lula, em entrevista de rádio, a um "ladrão de carros". A declaração rendeu a Lula direito de resposta na CBN, concedido pela Justiça Eleitoral.

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Em 2014, durante comício de Alexandre Padilha, então candidato ao governo de São Paulo, Lula voltou a atacar. "Não é à toa que esse governador tem apelido de picolé de chuchu", declarou. "É insosso, como se fosse comida sem sal. Nunca fala de nenhum problema do Estado, nunca responde por nada."

Em 2016, já no contexto da Lava Jato, Alckmin revidou: "O Lula é o retrato do PT, partido envolvido em corrupção, sem compromisso com as questões de natureza ética, sem limites."

Em dezembro de 2017, às vésperas de uma nova candidatura à Presidência, Alckmin disse que Lula queria "voltar à cena do crime". "Depois de ter quebrado o Brasil, Lula diz que quer voltar ao poder [...] Nós o derrotaremos nas urnas."

Em agosto de 2018, com Lula preso em Curitiba, o petista respondeu em artigo publicado no site de seu instituto, ao comparar Alckmin a Michel Temer. "Geraldo Alckmin (PSDB) e Michel Temer (MDB) são duas faces de uma mesma moeda: a agenda neoliberal que já afundou o país nas gestões do ex-presidente FHC."

As críticas cessaram quando Alckmin deixou o PSDB, em 2021, e passou a articular a aproximação com o petista, movimento que resultou na chapa vitoriosa de 2022.

Leia também: “O retrato da ineficiência” artigo de Yasmin Alencar na Edição 332 da Revista Oeste

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