Lula ‘avacalha’ liturgia do cargo e não tem limites, diz Estadão
Candidato a um novo mandato nas eleições de 2026, o petista Luiz Inácio Lula da Silva “avacalha” a liturgia do cargo e não respeita os “limites” da Presidência da República. A afirmação é do jornal O Estado de S. Paulo, em editorial publicado nesta quinta-feira, 1°, a três dias do primeiro turno do pleito. Segundo a publicação, “o chefão petista, a esta altura, parece incapaz de respeita
Candidato a um novo mandato nas eleições de 2026, o petista Luiz Inácio Lula da Silva “avacalha” a liturgia do cargo e não respeita os “limites” da Presidência da República. A afirmação é do jornal O Estado de S. Paulo, em editorial publicado nesta quinta-feira, 1°, a três dias do primeiro turno do pleito.
Segundo a publicação, “o chefão petista, a esta altura, parece incapaz de respeitar os limites da Presidência – o que fica ainda mais explícito em época de campanha eleitoral”. “É em cima do palanque que Lula avacalha a institucionalidade que sustenta a República”, diz o jornal.
No editorial, o Estadão cita o episódio em que Lula telefonou para o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), durante um comício de campanha em Belém, no início da semana.
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“Tudo o que Lula faz na condição de presidente invariavelmente é transformado em discurso eleitoral, mesmo fora de época”, observa o Estadão, que classifica Dino como “fiel escudeiro” do petista na Suprema Corte.
“Um chefe de Estado e de governo com o mínimo senso de decoro e respeito à institucionalidade saberia que um integrante da mais alta corte de Justiça do país jamais poderia ser chamado a participar, sob qualquer pretexto, de um ato de campanha eleitoral, ainda que mal disfarçado de cerimônia oficial. Evidentemente, sendo o líder político calejado que é, Lula sabe disso, o que só agrava a situação”, afirma o Estadão.
Para o jornal, “a naturalidade com que Lula chamou Dino ao telefone desde o palanque diz muito sobre o que ele pensa do ministro e, por tabela, do STF”. “Para o petista, Dino é seu correligionário e, sendo assim, o Supremo não é um Poder independente, mas uma extensão de seu governo a ser colonizada por gente que lhe devote lealdade pessoal.”
No texto, o jornal chama a atenção para o “despudor” com que Lula afronta as instituições e a independência dos Poderes da República. “É óbvio que presidentes da República mantêm contatos com ministros do STF no curso de seus mandatos. Mas, tradicionalmente, preservava-se alguma aparência de distância e republicanismo, porque se sabe que a legitimidade dos órgãos do Poder Judiciário advém de sua aura de imparcialidade”, diz o Estadão.
“Lula mandou às favas até isso. Fez questão de exibir a intimidade com um ministro do STF que trata como seu, diante não só da plateia de militantes, mas do país. Em qualquer democracia madura é impensável uma cena remotamente parecida”, prossegue o editorial.
O Estadão afirma ainda que o STF “chegou ao rés do chão nesta que já pode ser interpretada como a mais profunda crise de legitimidade de sua história”. “O mínimo que se esperaria de um presidente da República cioso das implicações dos fatos é que, pelo menos, não a agravasse, sobretudo a menos de uma semana de eleições gerais cujos resultados podem ser determinantes para o futuro não de um, mas de alguns ministros da Corte – e, principalmente, para o futuro do Brasil”, conclui o jornal.
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