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Lulinha pode representar risco político para o ex-presidente Lula

O empresário Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, é o foco de uma análise sobre como suas atividades podem influenciar a carreira política do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A discussão recorre a exemplos históricos para avaliar a possibilidade de um filho enfraquecer a posição do pai.

Neste texto, vou dedicar alguns minutos para compreender quem é “Lulinha”, ou Fábio Luís Lula da Silva, o “Ronaldinho” dos negócios, e por que ele pode matar politicamente seu pai, Lula. A história demonstra que isso é perfeitamente possível. Vamos a dois exemplos simbólicos. Roboão, filho de Salomão, recebeu o Reino de Israel e, em pouco tempo, dividiu as tribos, enfraquecendo o reino como consequência. Outro grande exemplo é Qin Er Shi, que se tornaria o segundo imperador da China. Seu pai unificou o país em 221 a.C.; Qin recebeu o império em 210 a.C. e, apenas três anos depois, a dinastia Qin chegou ao fim, em grande parte em razão dos erros cometidos durante seu governo.

Mas quem é Lulinha e quais são os erros conhecidos até agora? O tendão de Aquiles de Lulinha atende pelo nome de Roberta Luchsinger, sócia ou mulher, ou os dois, isso não importa. Roberta é neta de Paul Arnold Luchsinger, do famoso banco suíço Credit Suisse. Em outras palavras, ela é uma Faria Limer “limpinha” que teve o celular apreendido pela Polícia Federal. A partir de alguns vazamentos, podemos começar a entender como agia a lobista no Planalto por ser “próxima” de Lulinha e como eles parecem enxergar o Estado como instrumento a serviço de seus próprios interesses.

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Vamos identificar os custos apenas daquilo que está sendo investigado e ignorar o que possivelmente já foi feito ou ainda estava por ser realizado no futuro. No fornecimento para o SUS, seriam 1,2 milhão de frascos de remédios à base de Canabidiol, algo em torno de R$ 626 milhões. Nos contratos da 3Structure IT, foram mais de R$ 85,7 milhões com o governo federal e, estranhamente, outros R$ 182 milhões com governos estaduais de Minas Gerais, do Paraná e do Rio de Janeiro, todos governados pela “direita”. Sem contar o contrato com o Careca do INSS, relacionado ao esquema investigado por descontos indevidos de aposentados, no qual a empresa recebeu mais de R$ 1,5 milhão em consultoria.

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Naturalmente, não quero dizer que todo o dinheiro roubado dos cofres públicos saiu das mãos de Lulinha. Para dizer a verdade, nem acredito que o ex-funcionário do Zoológico de São Paulo tenha toda essa competência. Mas instituições ainda respeitáveis, como a Fiesp, o Banco Mundial e o FMI, apontam que a corrupção pode representar uma parcela relevante do PIB brasileiro. Se considerarmos uma faixa entre 1,3% e 2,3% do PIB, isso significaria algo que poderia chegar a aproximadamente R$ 292 bilhões. Diante dessa dimensão, o “Ronaldinho” dos negócios pareceria quase um amador, mesmo considerando os mais de R$ 700 milhões em valores relacionados às operações que hoje estão sob investigação.

A dimensão de Lulinha

Agora que você entendeu a dimensão econômica de Lulinha, vamos à questão central do artigo: ele pode matar o pai politicamente? Talvez Lulinha seja Kafka, uma pessoa extremamente intimidada emocionalmente pelo pai. Talvez esse mau-caratismo de Lulinha seja apenas uma repetição: o filho pode ficar conhecido pela corrupção, mas por uma corrupção aprendida em casa, onde todo método era justificado pelo poder.

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Observando os exemplos dados no início do artigo, o armagedom de Roboão, com a divisão das 12 tribos de Israel e o consequente colapso institucional, não teria sido provocado apenas pelo orgulho de jovens mimados, mas também por estruturas imorais montadas anteriormente. Da mesma forma, a incompetência de Qin Er Shi, na China recém-unificada, nasceu de uma lógica autoritária herdada do pai, que teve como resultado rebeliões e o colapso do primeiro império chinês.

Assim, por meio de uma breve pesquisa histórica e de uma percepção sobre o passado e o presente, talvez não seja necessariamente o filho quem vá matar o sucesso político do pai, mas a repetição do orgulho, da prepotência e da arrogância de Lula. Nesse sentido, Lulinha pode acabar matando o futuro político do próprio pai.

Isso porque o povo trabalhador, que passou a vida inteira debaixo de sol e chuva para conquistar uma aposentadoria de miséria, não vai engolir calado esse roubo safado que arrancou dinheiro dos nossos velhos no presente. Roubar aposentados não é apenas corrupção: é arrancar o presente de quem trabalhou uma vida inteira e hipotecar o futuro de famílias que já vivem no limite. A população mais pobre tem o direito de exigir que cada responsável seja identificado e responda pelos seus atos, seja Lulinha, seja qualquer integrante do governo, seja quem for. E Lula terá de responder politicamente pelo que aconteceu sob sua administração. Que a verdade apareça inteira, porque a miséria não pode ser o preço da impunidade.

Leia também: "A sombra de Lula", reportagem de Cristyan Costa publicada na Edição 334 da Revista Oeste

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