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Macabíadas celebram reencontro de judeus na abertura em Jerusalém

Durante a cerimônia de abertura das Macabíadas, os Jogos Judaicos, em Jerusalém, o dirigente brasileiro Sergio Schapiro observou atletas de diferentes idades e nacionalidades entrarem e cantarem juntos. Para Schapiro, que participa da competição desde 1983, a cena resumiu o significado do evento: o reencontro de judeus do mundo inteiro por meio do que os une como um só povo.

Em Jerusalém, durante a cerimônia de abertura das Macabíadas, os Jogos Judaicos, o dirigente brasileiro Sergio Schapiro viu atletas de diferentes idades e nacionalidades entrarem e cantarem juntos. Para ele, que estreou na competição em 1983, aquela cena resumiu o sentido dos Jogos: o reencontro de judeus espalhados pelo mundo através daquilo que os torna parte de um só povo.

A entrevista a Oeste, Schapiro define as Macabíadas como as “Olimpíadas da comunidade judaica”: um campeonato mundial realizado a cada quatro anos em Israel, com categorias juvenis, adultas e de veteranos. Durante duas semanas, delegações nacionais disputam modalidades individuais e coletivas e participam das cerimônias de abertura e encerramento.

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A competição nasceu do movimento esportivo judaico, que começou a se organizar no fim do século 19. Diante das restrições para ingressar em clubes europeus, judeus criaram suas próprias associações, voltadas tanto ao treinamento físico quanto à convivência comunitária. Em 1921, essas entidades fundaram a União Mundial Maccabi, batizada em homenagem a Judas Macabeu, líder da revolta judaica contra o domínio grego sobre Jerusalém no século 2 a.C.

A primeira Macabíada foi realizada em Tel Aviv, em março de 1932, com representantes de 17 países. Desde então, conforme descrevem os pesquisadores Moshe Sasson e Barbara Schrodt, os Jogos se consolidaram como um elo entre Israel e a diáspora — nome dado às comunidades judaicas que vivem fora do país — e permite que jovens atletas conheçam Israel enquanto competem e convivem com judeus de diferentes nacionalidades.

Registro da primeira Macabíada que o Brasil participou, em 1953 | Foto: Maccabiah/Divulgação

Pódio inédito

A guerra adiou a 22ª Macabíada de 2025 para 2026. A edição foi a primeira realizada depois dos ataques de 7 de outubro e recebeu uma delegação brasileira menor que a planejada: viajaram 370 pessoas, diante das cerca de 710 previstas inicialmente.

Parte da redução veio do receio das famílias, sobretudo entre os atletas mais jovens. Outras desistências ocorreram em cadeia: quando países retiravam suas equipes, algumas disputas deixavam de ter participantes suficientes e eram canceladas. Assim, em certos casos, brasileiros que desejavam viajar ficaram sem adversários.

Mesmo reduzida quase à metade, a equipe brasileira tornou-se a terceira maior da edição, atrás apenas de Israel e dos Estados Unidos. Também alcançou sua melhor posição na história: o 3º lugar no quadro geral, com 112 medalhas — 28 de ouro, 38 de prata e 46 de bronze.

O futebol levou seis equipes, subiu ao pódio em cinco categorias e chegou a quatro finais. A natação Master reuniu 28 brasileiros. Pela primeira vez, o país também apresentou uma seleção feminina de basquete sub-17. As jogadoras eram, em média, mais novas do que a faixa permitia, e a experiência serviu como preparação para a edição seguinte.

Um encontro entre judeus do mundo inteiro

Bernardo Chachamovich, da seleção brasileira de futsal Open, voltou de sua segunda Macabíada com histórias, amizades e lembranças construídas durante duas semanas em Israel. Para ele, em declaração ao jornal argentino Diario Stampa, a competição oferece a oportunidade de “viver intensamente o judaísmo”, conhecer lugares e conviver com integrantes de comunidades judaicas de diferentes países.

Essa experiência se repetiu entre atletas de diferentes modalidades. Medalhista de bronze na natação Junior, Micael Grossman definiu a competição como uma mistura de “orgulho, pertencimento e gratidão”. Fora das piscinas, destacou o intercâmbio cultural e o contato com jovens judeus de várias partes do mundo.

A convivência entre gerações também estava dentro das equipes. Aos 66 anos, Mauro Sapiro disputou sua 13ª Macabíada, exatamente 50 anos depois de representar o Brasil pela primeira vez, em Lima. Cercado por companheiros com quem divide as quadras há décadas, ele classificou como “uma honra e um privilégio” retornar a Israel depois dos ataques de 7 de outubro.

Nilton Breinis viveu o movimento inverso. Brasileiro radicado em Tel Aviv, ele recebeu os atletas que chegaram de outros países e conquistou o ouro no futebol +55. Para Breinis, os Jogos promovem “a união dos judeus que vivem fora de Israel com nós, que vivemos aqui”. Quando as delegações se reúnem para cantar o Hatikva, o hino nacional de Israel, afirmou, formam “um só povo”.

A mesma união apareceu no balanço de David Bobrow, presidente da Macabi Brasil e medalhista de prata no futebol +45. Ele apontou como principal resultado a aproximação entre os integrantes do grupo: “Se as medalhas foram importantes, nossa maior conquista foi unir toda a delegação”.

O Israel depois de 7 de outubro

A delegação brasileira também reservou espaço para compreender o contexto que cercava os Jogos. Em uma atividade organizada pelo próprio grupo, os participantes visitaram o local do festival Nova, onde 378 israelenses foram mortos durante os ataques de 7 de outubro. “Ninguém saiu de lá do mesmo jeito que entrou”, conforme relato do programa Shalom Brasil.

A viagem incluiu ainda Jerusalém e o Muro das Lamentações. Ao longo dos dias, Schapiro percebeu nos israelenses uma recepção diferente, “como se fosse uma forma de agradecimento de a gente estar lá, no momento que eles estão passando”. A programação também incluiu visitas a locais históricos de Israel, como Massada e o Mar Morto. "Isso também é Macabíadas", escreveu a delegação brasileira. 

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A próxima competição será continental, no balneário uruguaio de Punta del Este, em dezembro de 2027. Como a edição mundial foi transferida de 2025 para 2026, Israel voltará a receber as delegações dentro de três anos, e não quatro. O intervalo menor permitirá que os atletas retomem mais cedo os contatos iniciados ou renovados em 2026.

"A gente faz judaísmo através do esporte", resumiu Schapiro. Ao longo de duas semanas, medalhas, cerimônias, visitas e reencontros mostraram que, nas Macabíadas, competir é apenas uma das formas de pertencer.

Leia também: “Festival de terror”, artigo de Miriam Sanger publicado na Edição 237 da Revista Oeste

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