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Marvel's Wolverine acerta o tom do personagem, mas esbarra em ambição frustrada

Marvel's Wolverine chegou nesta terça-feira, 15, com exclusividade para PS5, desenvolvido pela Insomniac Games em parceria com a Marvel Games. Depois de consolidar sua reputação com a trilogia de Spider-Man, o estúdio encarou o desafio de transportar seu know-how em super-heróis para um personagem que é o oposto de Peter Parker em quase tudo: onde o Homem-Aranha representa leveza e otimismo, Wolve

Depois de consolidar sua reputação com a trilogia de Spider-Man, a Insomniac Games enfrentou um desafio bem diferente: transformar seu know-how em cinema interativo de super-heróis num personagem que é o oposto do Peter Parker em quase tudo. Onde o Homem-Aranha é leveza e otimismo, Wolverine carrega séculos de trauma e mata com uma facilidade perturbadora.

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Marvel's Wolverine chegou nesta terça-feira, 15, exclusivamente para PS5, desenvolvido pela Insomniac em parceria com a Marvel Games. É a resposta do estúdio ao desafio de provar que consegue ir além da fórmula que consagrou seus últimos lançamentos.

O resultado divide opiniões dependendo do que cada jogador mais valoriza numa aventura de ação.

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Uma história ambientada antes da formação dos X-Men

A trama se passa num momento anterior à criação oficial dos X-Men. Logan volta a se envolver com a Equipe X, grupo do qual tentou se afastar por anos, puxado de volta por uma ameaça que coloca mutantes em risco. Nathaniel Essex, o Senhor Sinistro, formou a Equipe X para proteger mutantes num mundo que ainda desconhece sua existência.

Troy Baker dá voz a Essex com uma interpretação contida, quase acolhedora, o que torna o personagem mais perigoso conforme suas ideias extremistas aparecem. É um dos pontos mais altos do elenco, ao lado de Victor Creed, o Dente-de-Sabre, contraponto quase fraternal de Logan que rende momentos de humor.

A relação entre Logan e Jean Grey, interpretada por Krizia Bajos, é o fio condutor emocional mais forte da campanha. Diferentemente de outros vínculos que aparecem e desaparecem rápido, esse é revisitado com regularidade suficiente para que o desfecho pareça conquistado. Mística também tem peso considerável na trama, funcionando como elo ambíguo entre facções que deveriam estar em lados opostos.

A narrativa tropeça na ambição de abraçar elementos demais para o tempo disponível. O jogo sugere uma reinterpretação sombria de figuras associadas à proteção de jovens mutantes, mas recua rápido dessa ambiguidade e opta por reviravoltas já bastante familiares para quem acompanha os quadrinhos. O ritmo também perde força nos capítulos finais, quando personagens secundários promissores ficam pelo caminho sem receber o fechamento que mereciam.

Vale destacar que não é uma história de origem no sentido tradicional. Logan chega ao jogo como uma figura experiente, o que evita repetir a estrutura batida de "descoberta de poderes".

Um combate brutal, mas com amarras

O consenso entre quem já jogou é que o combate captura bem a brutalidade física do personagem. Não há acrobacias elegantes: a sensação é de estar sempre à beira do descontrole, entre golpes de intensidade variável e uma defesa que recompensa quem lê os sinais do adversário com janelas curtas para retaliações devastadoras.

O motor emocional do sistema é a fúria acumulada em combate. Quanto mais dano Logan causa, mais perto fica de um estado de descontrole total, capaz de derrubar múltiplos inimigos em sequências curtas. Sem fúria suficiente, um golpe fatal encerra o combate de verdade, com o medidor cheio esse mesmo golpe pode ser revertido às custas do recurso inteiro.

O ponto mais controverso é o tempo de recarga nas habilidades mais poderosas. Para um personagem definido pela fúria ininterrupta, restringir os golpes mais espetaculares a um cooldown lento frustra parte do potencial do sistema nas horas finais da campanha.

A árvore de habilidades também é enxuta, sem bifurcações reais de estilo de jogo. A maioria dos jogadores desbloqueia praticamente tudo bem antes dos créditos, o que reduz o peso das escolhas de progressão. Os chefes seguem curva irregular, com os confrontos da reta final entre os mais memoráveis do jogo, enquanto os inimigos comuns se limitam principalmente a ciborgues da facção Reavers.

Estrutura linear e conteúdo opcional raso

Ao contrário dos mundos abertos da trilogia Spider-Man, Marvel's Wolverine opta por uma estrutura linear e guiada, alternando entre Canadá, Tóquio e a Ilha de Madripoor sem prender o jogador por horas num único mapa. A escolha mantém o ritmo consistente, mas abre mão de qualquer sensação real de exploração livre.

A movimentação de Logan é bem mais simples que a acrobacia de Spider-Man, e as seções de plataforma raramente exigem habilidade além de seguir pontos pré-determinados. As seções de furtividade funcionam como alternativa opcional antes de embates maiores, mas raramente mudam o resultado de forma significativa.

Fora da campanha, os desafios opcionais alternam entre eliminar inimigos contra o tempo e sobreviver a ondas. Completá-los desbloqueia fragmentos do passado de Logan, mas a apresentação escolhida, áudio narrado sobre tela estática, contrasta com o capricho visual do resto do jogo. É um conteúdo funcional, mas está longe da riqueza de atividades vistas nos jogos anteriores do estúdio.

Som, acessibilidade e apresentação técnica

A trilha sonora é assinada por David Fleming, também responsável pela faixa-tema do personagem, e aposta numa abordagem orquestral mais sombria do que costuma aparecer em produções de super-herói. Os efeitos sonoros de combate reforçam essa brutalidade, com o som metálico específico das garras cortando diferentes materiais.

Liam McIntyre empresta a Logan um desempenho que equilibra a fachada agressiva com momentos raros de vulnerabilidade, especialmente nas cenas silenciosas entre missões. A Insomniac mantém seu padrão elevado de acessibilidade, com opções para jogadores cegos ou surdos, remoção de sangue e mira alternativa para quem prefere jogos no estilo Souls.

No PS5, o desempenho se mantém estável a 60 quadros por segundo no modo Performance, com tempos de carregamento rápidos e ray tracing avançado. Um filtro de sujidade na lente da câmera chama atenção pelos motivos errados, e as texturas dos personagens secundários que populam os mapas destoam da qualidade do elenco principal.

Vale a pena jogar Marvel's Wolverine?

A campanha principal dura entre 15 e 20 horas para quem foca só na história, um pouco mais para quem busca os desafios opcionais. Um modo Novo Jogo+ fica disponível depois dos créditos, mantendo equipamento e habilidades já desbloqueadas para uma segunda passagem mais difícil.

Marvel's Wolverine é um jogo competente que entende a essência física e emocional do personagem, mas raramente arrisca o suficiente para se destacar dentro do gênero de ação em terceira pessoa. O combate funciona bem no ritmo ideal, as atuações elevam momentos que soariam genéricos no papel, e abandonar o mundo aberto se prova acertado para o ritmo da campanha.

As limitações são reais: o cooldown das habilidades, a movimentação sem a criatividade de Spider-Man e o conteúdo opcional raso pesam contra uma produção desse porte. Ainda assim, para quem busca uma experiência de ação visceral numa única jornada intensa, o jogo entrega o suficiente para justificar o investimento.

É a produção mais contida que a Insomniac já lançou, o que deixa a curiosidade sobre o que o estúdio faria com um pouco mais de coragem para arriscar.

O post Marvel’s Wolverine acerta no tom do personagem e sofre com ambição frustrada apareceu primeiro em Revista Oeste.

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