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Master: o que dizem os novos processos que Mendonça tirou do sigilo

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de novos processos relacionados às investigações sobre o Banco Master. Os documentos mostram que uma das frentes da Polícia Federal (PF) buscava acessar informações que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) havia deixado de compartilhar por identificar envolvimento de gente com foro privilegiado.

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), retirou o sigilo de novos processos relacionados às investigações sobre o Banco Master.

Os documentos mostram que uma das frentes da Polícia Federal (PF) buscava acessar informações que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) havia deixado de compartilhar por identificar envolvimento de gente com foro privilegiado.

Entre os arquivos agora públicos está um Relatório de Inteligência Financeira, o RIF 140515, que reúne comunicações sobre movimentações bancárias, negócios imobiliários e aquisição de veículos de alto valor.

O documento relaciona 823 pessoas físicas e jurídicas, mas ressalva que os registros de operações atípicas não significam, por si só, a ocorrência de crimes.

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PF pediu a André Mendonça dados retidos pelo Coaf

A PET 15.645 nasceu de um pedido da PF apresentado em março deste ano. A corporação informou ao STF que investigava possível gestão fraudulenta do Banco Master, entre outros crimes, no âmbito da segunda fase da Operação Compliance Zero.

No curso da apuração, a PF pediu ao Coaf relatórios financeiros de pessoas e empresas relacionadas aos fatos.

O órgão enviou o RIF 140515, mas informou que determinadas comunicações haviam ficado de fora porque continham referências a pessoas que poderiam ter foro no Superior Tribunal de Justiça (STJ) ou no próprio STF.

De acordo com a PF, essa restrição criava uma lacuna no chamado “follow the money” e dificultava a identificação da cadeia de repasses e dos eventuais beneficiários dos recursos.

Por isso, os investigadores solicitaram a Mendonça autorização para receber a íntegra das informações omitidas e dados referentes aos cinco anos anteriores à abertura da investigação, desde 2020.

O pedido foi protocolado em 10 de março e deu origem à PET 15.645. No dia seguinte, o processo foi distribuído a Mendonça por prevenção, em razão de sua ligação com a PET 15.198.

RIF reúne movimentações milionárias

O relatório do Coaf que acompanha a petição tem 13 páginas e reúne comunicações de diferentes setores obrigados a informar operações consideradas atípicas ou enquadradas em regras de prevenção à lavagem de dinheiro.

Um dos núcleos envolve a Igreja Batista da Lagoinha Belvedere. O documento registra que, entre dezembro de 2024 e dezembro de 2025, uma conta da entidade recebeu cerca de R$ 28,5 milhões e teve aproximadamente R$ 28,6 milhões em saídas.

Entre os principais remetentes aparece Fabiano Campos Zettel, com cerca de R$ 19,2 milhões em 26 operações. Também constam transferências atribuídas a Lagoinha Participações, HV Empreendimentos, Henrique Moura Vorcaro e outras pessoas.

Veículos de alto valor

Outro conjunto de informações envolve a Moriah Asset Empreendimentos e Participações, relacionada a Fabiano Zettel.

O Coaf registra negociações com veículos de alto valor, entre elas uma Range Rover de R$ 1,53 milhão, outra transação envolvendo uma Range Rover na faixa de R$ 1,17 milhão, um Cadillac Escalade de R$ 1,6 milhão e um Audi RS6 de R$ 650 mil.

Em uma das comunicações, a instituição responsável afirma que não conseguiu identificar a origem dos recursos usados na aquisição de um dos veículos.

Super Empreendimentos movimentou quase R$ 20 milhões em um mês

O RIF também dedica parte significativa de seu conteúdo à Super Empreendimentos e Participações S.A.

Em junho de 2022, segundo a comunicação reproduzida no relatório, uma conta da companhia movimentou aproximadamente R$ 9,9 milhões em créditos e R$ 9,79 milhões em débitos.

A maior parte das entradas, cerca de R$ 10 milhões, teve Fabiano Zettel como origem indicada.

A instituição financeira apontou que a empresa não tinha faturamento cadastrado e considerou a movimentação incompatível com os dados disponíveis.

Também mencionou dificuldade para identificar a origem primária e o destino final de parte dos valores.

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