Médica infectologista comenta documentos sobre Anthony Fauci
A divulgação de documentos relacionados ao ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID), Anthony Fauci, reacendeu o debate sobre a condução da pandemia de covid-19 e o papel de autoridades sanitárias na definição de políticas públicas. A médica infectologista Roberta Lacerda abordou o tema durante participação no programa Oeste Sem Filtro, nesta se
A divulgação de documentos relacionados ao ex-diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos Estados Unidos (NIAID), Anthony Fauci, reacendeu o debate sobre a condução da pandemia de covid-19 e o papel de autoridades sanitárias na definição de políticas públicas. A médica infectologista Roberta Lacerda abordou o tema durante participação no programa Oeste Sem Filtro, nesta segunda-feira, 3.
Na entrevista, a médica comentou as informações que vieram a público seis anos depois do início da pandemia e afirmou que os acontecimentos do período confirmaram alertas feitos por ela durante a crise sanitária.
“A pandemia inaugurou um novo capítulo na medicina”, declarou. “De 2020 para cá, assistimos o mundo sendo novamente uma engenharia social.”
Roberta Lacerda defende independência da pesquisa científica
Questionada sobre os impactos das revelações envolvendo Fauci e sobre como a medicina pode recuperar a confiança da população, Roberta afirmou que o principal desafio é combater o que classificou como "captura regulatória".
Leia também: "A hora da verdade para Anthony Fauci", artigo de Ana Paula Henkel, publicado na Edição 333 da Revista Oeste
“A palavra de ordem seria captura regulatória”, afirmou. “No momento em que a gente consegue ter uma pesquisa clínica científica que não dependa das grandes corporações farmacêuticas, isso dá liberdade ao cientista para que estude o medicamento sem conflitos de interesse.”
Segundo a infectologista, a credibilidade da ciência depende da existência de mecanismos efetivos de fiscalização e da transparência sobre eventuais conflitos de interesse. Ela também criticou o que chamou de "dança das cadeiras" entre pesquisadores, editores de periódicos científicos e integrantes de órgãos responsáveis por definir políticas públicas.
“Nós encontramos os erros nesses mecanismos para buscar, fiscalizar e impedir essa dança das cadeiras de editores de periódicos científicos que participam depois de mesas de órgãos governamentais, que decidem políticas públicas, como compra de medicamentos de nível nacional e internacional”, declarou.
Roberta defendeu o fortalecimento da ética na pesquisa para ampliar a confiança da sociedade na produção científica.
“Quando a gente tem ética na pesquisa, mecanismos fiscalizadores de fato e expõe esse conflito de interesse, é possível acreditar que a ciência é uma arma de verdade”, afirmou.
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