Mendonça diz que investigação da PF é cenário concebido por George Orwell
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), comparou a produção e a divulgação de relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF) a um cenário descrito por George Orwell no livro “1984”. A referência consta de decisão desta terça-feira, 8, que afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues. Mendonça relacionou a comparação a três fatos: a elaboração dos relatórios, o conh
O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), comparou a produção e a divulgação de relatórios de inteligência da Polícia Federal (PF) a um cenário descrito por George Orwell no livro “1984”. A referência consta de decisão desta terça-feira, 8, que afastou o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues.
Mendonça relacionou a comparação a três fatos: a elaboração dos relatórios, o conhecimento prévio do ministro Alexandre de Moraes sobre os documentos e a divulgação posterior do material. Segundo ele, esse conjunto revela fatos de “extrema gravidade”.
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"Diante do quadro ora apresentado, que mais se assemelha ao cenário concebido por George Orwell em sua célebre distopia, intitulada '1984'", escreveu Mendonça. "(...) verifica-se, a mais não poder, que a produção dos 'relatórios de inteligência' em questão, o fato de sobre eles ter sido dada ciência prévia ao Ministro Alexandre de Moraes e a posterior divulgação desses 'documentos', revelam fatos de extrema gravidade, com repercussões não apenas no plano institucional, mas também quanto à segurança e integridade pessoal de integrante deste Supremo Tribunal Federal, além de outras autoridades públicas."
Publicado há 77 anos, “1984” retrata uma sociedade submetida à vigilância do “Grande Irmão”. Na obra, o “Ministério da Verdade” controla a circulação de informações.
Críticas de Mendonça aos relatórios
A decisão ocorre em meio à disputa entre Mendonça e Moraes. Relator do Caso Master, Mendonça retirou, em 1º de setembro, o sigilo de investigações da PF que apontavam proximidade entre Moraes e Daniel Vorcaro, ex-banqueiro preso e dono do Master.
Dias depois, Moraes pediu a abertura de uma investigação contra Mendonça. O pedido se baseou em um documento da PF, sem caráter probatório, que apontava assimetria em medidas adotadas pelo ministro contra políticos no Caso Master.
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Nesta terça-feira, Mendonça também suspendeu a produção e o compartilhamento de relatórios de inteligência da PF sobre a atuação funcional de ministros do STF. Ele afastou preventivamente Andrei Rodrigues e o diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada da Costa.
O ministro afirmou ainda que foi monitorado pela PF por pelo menos 30 dias em agosto. Segundo ele, houve atividades de “monitoramento” e “coleta dirigida” de informações contra ele e contra o advogado-geral da União.
Mendonça também criticou o relatório apresentado por Moraes à presidência do STF para pedir sua investigação. Ele classificou o documento como tecnicamente frágil e o chamou de “um verdadeiro ‘nada jurídico’”.
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