Messi critica arbitragem e é expulso na Copa América
Na Copa América de 2019, Lionel Messi reclamou de dois pênaltis não marcados para a Argentina na derrota por 2 a 0 para o Brasil, no Mineirão, e afirmou que 'o Brasil controla tudo' na Conmebol. Quatro dias depois, na disputa pelo terceiro lugar contra o Chile, o jogador foi expulso ainda no primeiro tempo após um entrevero com Gary Medel, frustrando os torcedores que esperavam vê-lo na etapa fina
Na Copa América de 2019, foi surpreendente ouvir Messi, depois da derrota da Argentina por 2 a 0 para o Brasil, no Mineirão, reclamar do que considerava dois pênaltis não marcados a favor dos argentinos. Ele disse que “o Brasil controla tudo” na Conmebol. Quatro dias depois, na disputa pelo terceiro lugar, contra o Chile, o craque foi expulso pela segunda vez em sua carreira, ainda no primeiro tempo, depois de um entrevero com Medel.
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Também foi frustrante para os que foram ao Itaquerão não poder vê-lo na etapa final daquele jogo. Mas, ao mesmo tempo, os torcedores saíram satisfeitos porque, enquanto ele jogou, fez jogadas brilhantes, como o passe para o gol de Dybala. A maior frustração dos presentes, porém, veio depois, na premiação, quando ele se recusou a ir ao gramado. Messi declarou que a seleção argentina não deveria fazer parte daquela “corrupção” e que faltara respeito à equipe ao longo de toda a competição.
Messi cresceu jogando na Europa. Aquela acusação foi vista no Brasil como algo completamente desconectado da realidade do futebol sul-americano. Será que Messi não conhecia a história da Libertadores? Não sabia, por exemplo, do episódio envolvendo o árbitro paraguaio Epifanio González na final entre Boca Juniors e Palmeiras, em 2000, quando deixou de marcar um pênalti, para muitos claríssimo, em Asprilla?
Houve ainda a bola na mão de Zuculini no empate entre Flamengo e River Plate, em 2018, e o gol de Mora, em posição de impedimento, na mesma partida. Ou a atuação de outro paraguaio, Carlos Amarilla, naquela lamentável disputa entre Corinthians e Boca Juniors, em 2013. São tantos os episódios controversos envolvendo clubes brasileiros que seria possível passar horas enumerando-os.
Há, porém, algo ainda mais impactante. Em 2013, o canal argentino América TV revelou o conteúdo de escutas telefônicas gravadas naquele ano pela Justiça argentina. Em uma delas, um ex-dirigente do Independiente admitiu a interferência da arbitragem na semifinal da Libertadores de 1964, contra o Santos. “Em 64, quando jogamos com o Santos, eu ganhei de Leo Horn [árbitro], que era holandês, com os dois bandeiras”, disse o dirigente, em conversa com outro dirigente da Associação do Futebol Argentino (AFA).
O episódio mostra que, ao longo das décadas, clubes brasileiros foram vítimas de situações polêmicas e, em alguns casos, de decisões que levantaram suspeitas muito mais graves.
Houve períodos em que a CBF teve influência internacional, especialmente durante as gestões de João Havelange e Ricardo Teixeira. São períodos que também estiveram cercados de controvérsias e questionamentos. Mas uma coisa não precisa ser confundida com a outra: o peso político da CBF pode existir de forma legítima, independentemente das acusações que atingiram dirigentes.
A CBF de Samir Xaud parece pisar em ovos quando o assunto é decisão política no futebol. Não se compromete claramente em questões que envolvem interesses estratégicos do futebol brasileiro. Tem realizado iniciativas positivas, é verdade, no sentido de modernizar o futebol. Está profissionalizando a arbitragem e tem espalhado pelo país o Centro de Desenvolvimento do Futebol.
CBF diante da Conmebol
Xaud, porém, parece não ter autonomia. Dá a impressão de que precisa perguntar para alguma autoridade se pode falar a respeito disso ou daquilo. A Fifa toma a iniciativa de criar uma empresa para negociar até 20% de participações minoritárias com investidores privados e provoca reação em diferentes partes do futebol mundial. Na CBF, não.
Perguntada por Oeste sobre a iniciativa, a entidade não respondeu. No dia seguinte, Xaud, em pronunciamento tímido, disse ser “um pouco contra” e logo repassou a responsabilidade para uma resposta conjunta da Conmebol.
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Messi enxergava, em 2019, uma CBF poderosa a ponto de controlar a Conmebol. O que se vê, no entanto, é uma entidade brasileira com dificuldade até para assumir posições claras diante de decisões que podem afetar diretamente o futebol do país.
Há também uma espécie de submissão em relação à Conmebol. A entidade sul-americana, apesar do discurso contrário, não tem tratado de forma rígida os frequentes casos de racismo a que brasileiros são submetidos em países como Argentina e Paraguai.
A própria CBF tem insistido apenas em divulgar notas de repúdio, apesar de, internamente, ter adotado medidas inéditas, como a perda de pontos para os clubes envolvidos. A CBF precisa ser mais assertiva na defesa dos clubes e dos torcedores brasileiros, junto à Conmebol.
As recentes conquistas brasileiras na Libertadores ocorrem muito mais em função dos investimentos e da boa gestão dos clubes do que da existência de um respaldo institucional capaz de impedir prejuízos dentro de campo. Não fosse o Flamengo um time com uma gestão que se impõe, Plata, por exemplo, teria seu cartão vermelho mantido no jogo de volta contra o Estudiantes, em 2025. Nem foi uma solução louvável, na minha visão, mas, do ponto de vista prático, foi uma iniciativa muito mais do clube do que da entidade brasileira.
Essa falta de presença também aparece na cobrança por maior suporte às equipes brasileiras que jogam em países com torcedores hostis e na necessidade de uma postura mais assertiva diante dos frequentes casos de racismo ocorridos fora do Brasil. Até a fala de Messi, naquela ocasião, passou sem uma contestação mais firme dos dirigentes brasileiros.
O futebol brasileiro precisa ter na instituição que o comanda o peso que corresponde à sua importância esportiva e econômica. A Seleção Brasileira não irá voltar a vencer sem não tiver uma administração que se identifique com a força de sua camisa.
O post CBF: entre a modernidade e a submissão apareceu primeiro em Revista Oeste.


