Ministério da Saúde amplia vacinação contra sarampo em três municípios de SP
O Ministério da Saúde inicia nesta segunda-feira (3) uma campanha excepcional de vacinação contra o sarampo em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. A medida, válida até 1º de setembro, contempla todas as pessoas de 6 meses a 59 anos que moram ou trabalham nas três cidades, inclusive aquelas que já tomaram as duas doses da vacina tríplice viral.
O Ministério da Saúde dará início, nesta segunda-feira, 3, a uma campanha excepcional de vacinação contra o sarampo em São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo. A medida vale até 1º de setembro e contempla todas as pessoas de 6 meses a 59 anos que moram ou trabalham nos três municípios, inclusive aquelas que já receberam as duas doses da vacina tríplice viral.
A iniciativa busca conter uma cadeia de transmissão identificada no Estado, onde estão concentrados 15 dos 18 casos confirmados da doença no Brasil em 2026.
+ Leia mais notícias do Brasil em Oeste
Segundo a pasta, não será exigida comprovação do histórico vacinal. O objetivo é ampliar rapidamente a proteção da população e impedir que o vírus alcance novos grupos suscetíveis.
A estratégia foi adotada mesmo com o Brasil tendo recuperado, em 2024, o certificado de país livre do sarampo. O reconhecimento havia sido perdido em 2019, quando o país registrou cerca de 18 mil casos da doença.
Dos 15 casos registrados em São Paulo neste ano, 12 ocorreram na capital, dois em São Bernardo do Campo e um em Guarulhos. Dois pacientes contraíram o vírus durante viagens internacionais — um retornou da Bolívia e outro da Guatemala. Os demais casos tiveram transmissão local. Em São Bernardo, os pacientes foram infectados por contato com pessoas contaminadas na capital.
De acordo com o Ministério da Saúde, São Paulo é o único Estado brasileiro com casos confirmados de sarampo e vive um surto ativo, caracterizado pela existência de uma cadeia de transmissão entre os pacientes.
Para o vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, Renato Kfouri, a concentração populacional e o intenso fluxo de pessoas tornam o Estado especialmente vulnerável à reintrodução do vírus. "Cerca de 20% da população brasileira vive no Estado de São Paulo e aproximadamente 10% está concentrada na Grande São Paulo", disse ao portal G1.
Além da elevada densidade demográfica, a região abriga importantes portas de entrada de viajantes internacionais, como o Aeroporto de Guarulhos. Kfouri também cita a movimentação no Porto de Santos, o Aeroporto de Campinas e os deslocamentos diários entre cidades da região metropolitana.
"Em São Paulo há, sem dúvida, uma zona de muito perigo para a reintrodução do vírus e de mais difícil controle de bloqueio dessas ações", afirma. Segundo o especialista, esses fatores dificultam a interrupção da transmissão quando o vírus começa a circular.
Vacinação reforçada amplia proteção contra o sarampo
A recomendação para imunizar até quem já completou o esquema vacinal tem como finalidade reduzir rapidamente o número de pessoas suscetíveis. Kfouri explica que a chamada vacinação indiscriminada facilita alcançar indivíduos que nunca receberam a vacina ou que desconhecem seu histórico vacinal.
Ver essa foto no Instagram
"A vacina não tem eficácia de 100%. Uma dose adicional reduz esse risco de falha vacinal, mas tomar uma dose a mais não traz nenhum malefício." Quem já foi imunizado também pode receber um reforço, sem riscos adicionais.
A campanha também inclui crianças de 6 a 11 meses, que receberão a chamada "dose zero". Embora a vacinação rotineira comece aos 12 meses, a aplicação antecipada é indicada em cenários de maior risco. Kfouri explica que a resposta imunológica nessa faixa etária é parcial, mas suficiente para reduzir a probabilidade de formas graves da doença.
"Dar uma dose entre 6 e 11 meses não vai conseguir uma proteção ideal. Mas dá uma proteção parcial que faz com que a gente reduza a chance de essa criança pequena adoecer, especialmente de forma grave", afirma.
A ampliação da vacinação ocorre em um momento de queda da cobertura da tríplice viral em São Paulo. Em 2026, a primeira dose alcançou 77,5% do público-alvo, enquanto a segunda chegou a 65,5%. A meta do Ministério da Saúde é de 95% para ambas.
No ano passado, os índices eram de 94% para a primeira dose e de 84,4% para a segunda. Segundo Kfouri, manter uma cobertura elevada e homogênea é fundamental para impedir que casos importados encontrem pessoas vulneráveis e iniciem novas cadeias de transmissão.
Ele ressalta que qualquer município pode registrar surtos caso existam bolsões de indivíduos não vacinados. Além da imunização, ele considera essencial manter vigilância epidemiológica capaz de identificar rapidamente casos suspeitos, isolar pacientes, rastrear contatos e realizar vacinação de bloqueio.
"Depois que você perde o controle, a epidemia se instala e é muito difícil de segurar", alerta.
O sarampo é uma infecção viral altamente contagiosa e pode evoluir para quadros graves, sobretudo em crianças menores de 5 anos, adultos com mais de 20 anos, pessoas imunossuprimidas e outros grupos vulneráveis.
Entre as principais complicações estão otite média, broncopneumonia, diarreia e encefalite. As mortes geralmente decorrem da pneumonia ou da inflamação do sistema nervoso central.
Os sintomas mais comuns incluem febre igual ou superior a 38,5°C, manchas avermelhadas que surgem inicialmente na cabeça e se espalham pelo corpo, além de tosse seca, coriza e conjuntivite sem secreção purulenta.
As reações mais frequentes à vacina são dor no local da aplicação, febre baixa e um exantema leve, conhecido popularmente como "sarampinho", manifestação temporária causada pela resposta ao vírus vacinal e considerada benigna. A imunização é contraindicada apenas para pessoas que tiveram anafilaxia em dose anterior ou que apresentem imunossupressão grave.
O post Vacinação ampliada tenta conter avanço do sarampo em SP apareceu primeiro em Revista Oeste.


