Morre o pai do craque Lionel Messi
Jorge Horácio Messi, o pai do craque argentino Lionel Messi, morreu aos 68 anos, na noite desta sexta-feira, 7, em Rosário, na Argentina. A causa da morte não foi informada. Jorge Messi enfrentava problemas de saúde havia algum tempo e estava internado em Buenos Aires durante a Copa do Mundo de 2026. No jogo contra a Argélia, em 17 de junho, quando marcou o primeiro gol da Argentina, Messi choro
Jorge Horácio Messi, o pai do craque argentino Lionel Messi, morreu aos 68 anos, na noite desta sexta-feira, 7, em Rosário, na Argentina. A causa da morte não foi informada. Jorge Messi enfrentava problemas de saúde havia algum tempo e estava internado em Buenos Aires durante a Copa do Mundo de 2026. No jogo contra a Argélia, em 17 de junho, quando marcou o primeiro gol da Argentina, Messi chorou na comemoração, comovido com a situação do pai.
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Lionel acompanhou de perto todo o processo. Depois da participação da Argentina no Mundial, viajou para Rosário para ficar ao lado de Jorge. Sobre a comemoração do gol, já havia confirmado que as lágrimas tinham uma razão “alheia ao esporte”. A família divulgaria dias depois que Jorge evoluía favoravelmente dentro de seu quadro clínico.
A relação entre os dois começou muito antes de Messi se tornar uma das maiores lendas do futebol. Jorge nasceu em 1958, em Rosário, em uma família de origem espanhola, e passou boa parte da vida trabalhando como supervisor em uma siderúrgica. Conheceu Celia Maria Cuccittini quando ela trabalhava em uma oficina de bobinas magnéticas. Os dois se casaram em 1978 e tiveram quatro filhos: Rodrigo, Matías, Lionel e María Sol.
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O nome Lionel, dado pelo casal ao filho que se tornou ídolo argentino, foi uma homenagem ao cantor norte-americano Lionel Richie, que fazia enorme sucesso na época. O nascimento dele ocorreu em seguida ao lançamento do álbum Dancing on the Ceiling. A mãe de Messi adorava Lionel Richie. Seu marido, Jorge, outro admirador do cantor, não se opôs, no momento em que, às pressas, precisavam escolher um nome para o recém-nascido.
O futebol fazia parte da rotina da família. Lionel começou a jogar ainda criança no Abanderado Grandoli, pequeno clube de Rosário. Jorge acompanhava os treinos e chegou a trabalhar com o filho no início da formação.
Aos quatro anos, segundo o próprio pai, já chamava atenção pela habilidade incomum com a bola. “É um dom, é algo com que ele nasceu”, afirmou Jorge ao jornalista Bruno Pisano, autor do livro My Son the Soccer Player.
Outra figura determinante para a formação de Lionel foi a avó materna, Célia Oliveira Cuccittini. Ela o levava aos treinamentos e, quando o técnico não colocava o neto, com o argumento de que ele ainda era muito menor do que os outros, ela esbravejava. "Coloque-o e verá que ele é melhor do que os outros." Ela morreu quando o menino tinha 11 anos.
Lionel sofreu muito com a perda, que o marcou para sempre. Por sua ligação muito forte com a avó, depois de cada gol, passou a apontar os dois indicadores para o céu em homenagem a ela. Celia morreu antes de Messi alcançar a fama mundial, mas esse gesto se tornou uma das marcas mais conhecidas do jogador.
Jorge também tinha uma preocupação constante: não permitir que as dificuldades financeiras interrompessem o desenvolvimento do filho. Quando Lionel tinha sete anos, passou a jogar no Newell's Old Boys. Ali permaneceu até os 13, período em que surgiu um problema que poderia ter mudado completamente sua trajetória.
Messi foi diagnosticado com deficiência do hormônio do crescimento e precisava receber injeções diariamente. O tratamento custava cerca de US$ 900 por mês. O plano de saúde cobriu a despesa inicialmente, mas a família não tinha condições de manter os pagamentos indefinidamente.
Jorge procurou alternativas. Conversou com médicos, dirigentes e clubes. O Newell's não assumiu integralmente o tratamento. Lionel chegou a ser apresentado ao River Plate, que também não se comprometeu com os custos. O clube de Rosário voltou a demonstrar interesse, mas a ajuda oferecida continuava insuficiente.
Foi nesse cenário que apareceu o Barcelona. Jorge levou o filho para a Espanha quando Lionel tinha 13 anos. A família tinha parentes na Catalunha, mas a mudança estava longe de representar uma garantia de contratação. Celia permaneceu inicialmente em Rosário com os outros três filhos, enquanto Jorge ficou com Lionel.
A situação foi especialmente difícil durante os primeiros meses. O Barcelona reconhecia o talento do adolescente, mas precisava decidir se valia a pena assumir os custos do tratamento e da mudança de país. Jorge permaneceu ao lado do filho durante o período de incerteza.
A definição ocorreu em um almoço com Carles Rexach, então diretor esportivo do clube. O primeiro compromisso entre as partes foi registrado em um guardanapo, documento que décadas depois seria vendido em um leilão por valor equivalente a cerca de R$ 4,9 milhões.
Jorge também passou a receber um salário do Barcelona, o que permitia sua permanência legal na Espanha para acompanhar o filho, então menor de idade.
A partir daí, seu papel mudou. Ele deixou de ser apenas o pai que acompanhava o garoto aos treinos e passou a administrar parte crescente da carreira de Lionel. Contratos, negociações, questões comerciais e decisões relacionadas à imagem do jogador entraram em sua rotina.
Havia ainda uma questão esportiva que Jorge tratou diretamente: a escolha da seleção que Lionel defenderia. A Espanha demonstrou interesse pelo jovem, que já se destacava nas categorias de base do Barcelona. Jorge fez de tudo para que o filho defendesse a Argentina.
Preparou um vídeo com lances do garoto e o enviou a Hugo Tocalli, então técnico da seleção juvenil argentina. Também manteve contato com a Associação Argentina de Futebol para deixar clara a intenção de Lionel de representar o país onde havia nascido. Em 29 de junho de 2004, Messi estreou pela Argentina, no sub-20, em um amistoso contra o Paraguai. Ele chegou como um desconhecido da comissão técnica e, logo de início, chamou a atenção por sua qualidade técnica.
Enquanto a carreira do jogador crescia, a função de Jorge se ampliava. Ele passou a negociar contratos, administrar acordos comerciais e participar da gestão da marca Messi. A discrição continuou sendo uma característica. Ao contrário do filho, que se tornou uma das pessoas mais conhecidas do mundo, Jorge raramente procurava os holofotes.
O crescimento financeiro acompanhou a ascensão esportiva. Quando Messi apareceu pela primeira vez na lista da Forbes, em 2008, sua fortuna era estimada em US$ 11,9 milhões. Em 2026, a revista estimou seu patrimônio líquido em US$ 1,1 bilhão.
A estrutura empresarial ligada ao jogador passou a envolver contratos publicitários, investimentos e negócios em diferentes áreas. A Adidas tornou-se uma das principais parceiras comerciais, enquanto outras empresas passaram a explorar a imagem de Messi. Também surgiram investimentos em hotelaria, imóveis, gastronomia, entretenimento e projetos turísticos.
A mudança para os Estados Unidos, em 2023, ampliou esse movimento. A chegada do craque ao Inter Miami envolveu interesses esportivos e comerciais e colocou Messi no centro de uma operação que também contou com acordos com grandes empresas. Entre eles está a parceria com a Apple relacionada ao MLS Season Pass.
Negócios da família Messi
A família Messi também ampliou sua atuação no futebol. Em abril de 2026, o grupo adquiriu o controle do UE Cornellà, clube espanhol. Lionel também participa do LSM, projeto criado no Uruguai em parceria com Luis Suárez.
O papel de Jorge, porém, não esteve restrito aos negócios. Ele acompanhou as principais fases da carreira do filho, inclusive os períodos mais difíceis com a seleção argentina. Esteve próximo durante as derrotas nas finais da Copa do Mundo de 2014 e das Copas América de 2015 e 2016. Depois, viu a Argentina conquistar a Copa América de 2021, a Finalíssima, a Copa do Mundo de 2022 e a Copa América de 2024.
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Também houve episódios controversos. Em 2016, Lionel e Jorge foram condenados na Espanha a 21 meses de prisão por fraude fiscal envolvendo 4,1 milhões de euros relativos ao período entre 2007 e 2009. As penas não resultaram em cumprimento efetivo de prisão. Lionel recebeu multa de 252 mil euros, enquanto Jorge pagou 180 mil euros. A punição do pai foi reduzida após sua colaboração com o processo e a devolução de parte dos valores não declarados.
Em 2019, os dois voltaram a ser investigados, desta vez em relação à Fundação Leo Messi Argentina. Um ex-funcionário acusou a organização de lavagem de dinheiro e irregularidades financeiras. Depois de dois anos de investigação, o Ministério Público arquivou o caso.
Esses episódios fizeram com que a imagem de Jorge fosse além da figura do pai que ajudou um menino talentoso a chegar ao Barcelona. Ele foi, ao mesmo tempo, representante, administrador e responsável por decisões que envolveram alguns dos momentos mais importantes da trajetória de Lionel.
A história começou em Rosário, quando Jorge levava o filho para jogar e procurava meios de pagar um tratamento médico que a família não tinha condições de sustentar. Terminou, décadas depois, com aquele menino transformado em um atleta de alcance mundial e dono de um patrimônio bilionário. A vida do craque Messi, mas uma vez, se entrelaçou aos destinos de sua família. Sua avó, que tanto o apoiou, não viu seu início e sua consagração. Agora, o pai, Jorge, não estará em sua despedida.
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