Mortes em Ceuta sobem para 34 em meio à entrada de imigrantes
O número de mortos durante a tentativa de entrada de imigrantes em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, subiu para 34 nesta quinta-feira, 30, segundo informou o prefeito da cidade, Juan Jesús Vivas. A crise levou o governo da Espanha a reforçar a presença militar e policial na região. O primeiro-ministro, o socialista Pedro Sánchez, viaja ao território nesta sexta-feira, 31, para acomp
O número de mortos durante a tentativa de entrada de imigrantes em Ceuta, enclave espanhol no norte da África, subiu para 34 nesta quinta-feira, 30, segundo informou o prefeito da cidade, Juan Jesús Vivas.
A crise levou o governo da Espanha a reforçar a presença militar e policial na região. O primeiro-ministro, o socialista Pedro Sánchez, viaja ao território nesta sexta-feira, 31, para acompanhar a situação.
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O balanço anterior do Ministério do Interior da Espanha apontava 19 vítimas fatais. A pasta também informou que, segundo suas estimativas, cerca de 49 mil migrantes cruzaram para Ceuta por mar e terra nas últimas 24 horas, vindos do Marrocos. Já a emissora estatal TVE estimou que entre 2 mil e 3 mil pessoas conseguiram entrar no enclave durante a quinta-feira.
El Gobierno de España está volcado en dar una respuesta inmediata a la situación en Ceuta.
Estamos movilizando todos los recursos necesarios, trabajando con las autoridades marroquíes e internacionales, y preparando las medidas necesarias para recuperar la normalidad lo antes…
— Pedro Sánchez (@sanchezcastejon) July 30, 2026
Imagens registradas ao longo do dia mostraram centenas de migrantes nadando a partir da costa marroquina. Outros romperam um portão na cerca da fronteira e correram para dentro da cidade. Segundo a Guarda Civil, a entrada ocorreu "em massa pelo mar", pela região do quebra-mar de Tarajal, e algumas pessoas chegaram a gritar "Viva a Espanha" ao alcançar o território.
Moradores da cidade marroquina de Fnideq relataram que a maior parte das travessias ocorreu antes do meio-dia. O ativista pelos direitos dos migrantes Zakaria Zarroqui afirmou que novas tentativas continuavam durante o dia. "A situação permanece fora de controle neste exato momento", declarou.
Diante do aumento das chegadas, o governo espanhol determinou o envio de três pelotões de 20 militares cada, uma unidade de mergulho e uma embarcação militar para Ceuta. O efetivo das unidades especiais de intervenção da polícia também será ampliado para 200 agentes.
Antes da decisão do governo central, a administração regional de Ceuta havia solicitado a mobilização do Exército, o fechamento da fronteira com o Marrocos e a decretação de estado de emergência. Vivas classificou o cenário como excepcional.
Spain's North African enclave of Ceuta is experiencing a humanitarian and security emergency after 1,500 migrants reached the city by swimming across from Morocco over the past week, the territory's leader said https://t.co/uFUKomCwrd pic.twitter.com/w2854xnNma
— Reuters (@Reuters) July 30, 2026
Pedro Sánchez desembarca em Ceuta acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. A agenda prevê reuniões com autoridades locais, representantes da Polícia Nacional e da Guarda Civil.
Mais cedo, o premiê afirmou que o governo concentra esforços para conter a crise. "Estamos mobilizando todos os recursos necessários, trabalhando com as autoridades marroquinas e internacionais, e preparando as medidas necessárias para recuperar a normalidade o mais rápido possível", declarou Sánchez.
Oposição responsabiliza governo de Pedro Sánchez
A oposição responsabilizou a política migratória do governo pela escalada da crise. O líder do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, afirmou que "a situação em Ceuta é desesperadora" e classificou o episódio como uma "crise de segurança nacional".
O aumento das travessias ocorre poucas semanas depois de a Suprema Corte da Espanha decidir que migrantes interceptados no mar ao tentar chegar a Ceuta ou Melilla não podem ser devolvidos de forma sumária com base no regime especial de rejeição na fronteira vigente nesses enclaves.
Segundo um porta-voz da Guarda Civil ouvido pela Reuters, o ritmo das entradas havia permanecido reduzido desde a decisão judicial, mas mudou rapidamente. "O fluxo vinha sendo lento desde a decisão da Suprema Corte, mas hoje houve uma explosão", afirmou.
O Ministério do Interior informou que mantém cooperação com as autoridades marroquinas para conter as entradas irregulares e declarou que pretende deportar imediatamente os imigrantes que ingressarem ilegalmente no território espanhol. A pasta também atribuiu às redes de tráfico de pessoas a exploração da decisão da Suprema Corte para incentivar a migração sem documentos.
Ceuta e Melilla são os únicos territórios da União Europeia com fronteira terrestre no continente africano. As duas cidades registram periodicamente ondas de tentativas de travessia de migrantes que buscam alcançar a Europa. A cena desta quinta-feira lembrou a crise de maio de 2021, quando cerca de 10 mil pessoas cruzaram para Ceuta em poucos dias.
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