Mudanças climáticas intensificam El Niño, aponta estudo
Dados de corais coletados nas Ilhas Galápagos indicam que o fenômeno El Niño está pelo menos 36,5% mais intenso em comparação ao período pré-industrial.
O El Niño que começou em junho deste ano rapidamente atingiu a categoria “forte” e caminha a passos largos para se tornar um “Super El Niño” a partir do próximo mês. Por trás desse fortalecimento do fenômeno cíclico está um efeito derivado das ações humanas, principalmente da queima de combustíveis fósseis: as mudanças climáticas.
É o que mostra um estudo publicado na revista Science na 5ª feira passada (27/8). De acordo com a pesquisa, os El Niños atuais são, em média, 36,5% mais fortes do que no período pré-industrial, com uma alta de 16% apenas nos últimos 40 anos. Um indício de aceleração, destaca o UOL.
Ainda que presumida, a relação entre o fortalecimento do El Niño e as mudanças do clima era de difícil comprovação, pela falta de registros mais remotos e pela grande variabilidade natural do fenômeno, lembra a Folha. No entanto, o estudo liderado por Julia Cole, professora da Universidade de Michigan, contorna o problema por meio da análise geoquímica de alta resolução de corais do arquipélago de Galápagos, no Pacífico Equatorial oriental, e de exemplares fossilizados.
Nos mapas climáticos globais, o El Niño é representado por uma faixa vermelha intensa de água excepcionalmente quente que se estende para oeste a partir de uma massa de ar quente ao longo da costa da América do Sul. E as Ilhas Galápagos, na costa do Equador, geralmente estão próximas ao centro dessa área de calor.
O primeiro “Super El Niño” documentado, em 1982-83, dizimou cerca de 95% dos corais de águas rasas ao redor de Galápagos, justamente na época em que Julia iniciou sua carreira como pesquisadora. Enquanto a maioria de seus colegas estudava as mudanças na Terra em escalas geológicas que abrangiam milhões de anos, ela focou em capturar a variabilidade climática em uma escala de tempo humana, informa o Inside Climate News.
“Nossos resultados sugerem que o El Niño pode intensificar o aquecimento global, mas também que o aquecimento global pode intensificar o El Niño”, disse Julia, em fala destacada pelo Guardian. “Estamos vendo uma tendência de El Niño mais intenso, e o que temos agora está em consonância com essa tendência; não é um acaso. Estamos presenciando uma mudança, em que o El Niño não se parece mais com o que era antes da era industrial. Isso é uma má notícia para os riscos climáticos e para as pessoas, principalmente aquelas que são gravemente afetadas e que, no entanto, pouco contribuíram para as mudanças climáticas.”
O peso das mudanças climáticas sobre o fenômeno é ressaltado pelo coautor do estudo, o reitor da Escola de Meio Ambiente e Sustentabilidade da Universidade de Michigan, Jonathan Overpeck. “O El Niño sempre aumentou a temperatura global, mas até pouco tempo ela diminuía após a passagem do fenômeno”, disse ele. Isso, porém, mudou após o evento de 2015-16, quando as temperaturas permaneceram elevadas. O mesmo aconteceu após o El Niño de 2023-24, embora este tenha sido mais fraco que o anterior. Assim, para Overpeck, essa mudança brusca na temperatura é um sinal preocupante de que o aquecimento global está se acelerando.
O estudo que relaciona o fortalecimento do El Niño às mudanças climáticas foi amplamente noticiado, com matérias na AP, CNN, Euronews, Forbes, NBC, NewScientist, Scientific American, Olhar Digital, ICL Notícias e Jornal GGN, entre outros veículos.
Este conteúdo é originalmente de climainfo.org. Para a reportagem completa, acesse:
https://climainfo.org.br/2026/08/30/mudancas-climaticas-estao-intensificando-o-el-nino/
Fonte: climainfo.org · Por Célia Mello
