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Nico Williams comemora título da Copa com alegria e leveza

Com as chuteiras queimando no pé e o calor de 40 graus, Nico Williams não se abalou. As tranças do atacante se destacaram, e ele tratou a final da Copa como uma pelada de infância. Sua alegria no futebol ficou evidente nas entrevistas, onde fez piadas e disse falar 'um pouquinho de português'. Em seguida, correu para comemorar o título com seus companheiros.

As chuteiras queimam no pé. Cada corrida no gramado exige um esforço enorme. O calor chega a 40 graus. Nico Williams não se abala. Suas tranças se impõem com personalidade. A final da Copa do Mundo, para ele, não difere tanto de uma pelada da infância. Jogar futebol, afinal, é sua alegria. A forma de falar nas entrevistas é leve, descontraída. Conta piadas: "falo um pouquinho de português", brinca, no microfone da CazéTV. E corre para comemorar o título com seus companheiros.

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Depois, vai trotando em direção às cadeiras laterais. Sua mãe, Maria, o abraça e, de surpresa, recebe a medalha de ouro das mãos do filho. Nico quis homenageá-la, junto com o pai, Félix. Ambos deixaram Gana, onde se conheceram, nos anos 1990. Era uma viagem clandestina e extremamente perigosa.

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Ela estava grávida de Iñaki Williams, irmão mais velho de Nico e jogador da seleção ganesa. O casal cruzou parte do deserto do Saara a pé, em condições precárias, sem água e comida suficientes. Fez parte do trajeto, de milhares de quilômetros, em veículos lotados. Percorreu outros trechos caminhando pelo deserto, enfrentando temperaturas extremas. Félix ficou com sequelas físicas nos pés devido à travessia.

Nico nasceu em Bilbao, em 2002, e cresceu no País Basco. Para os pais, a vida na Espanha foi difícil. Maria trabalhou com limpeza e Félix atuou em vários setores, tendo de morar por um tempo em Londres, em busca de sustento para a família.

Foi lavrador, segurança, limpou a praça de alimentação de um shopping próximo ao estádio do Chelsea. Até que Iñaki fez um teste no Athletic Bilbao. Nico veio depois, transformando a vida da família. A longa travessia havia dado certo. Nico presenteou sua mãe com a medalha de ouro recebida pelos jogadores da Espanha. Os pés dela, queimados pelo caminho, foram muito mais decisivos.

Outra travessia, enquanto isso, ocorria de forma distinta. Na própria Espanha. Tegueste é uma cidade rural, com cerca de 11 mil habitantes, localizada no nordeste da ilha de Tenerife. Foi ali que Pedri, meia da Espanha, cresceu. Sempre próximo do futebol.

Seu pai, Fernando, foi goleiro em nível regional, mas abandonou o sonho de seguir carreira depois da morte do avô, que havia fundado a torcida local do Barcelona. Fernando passou então a se dedicar ao restaurante da família, o Tasca Fernando, na cidade.

Pedri cresceu, se destacou nas categorias de base do Juventud Laguna e foi para a UD Las Palmas, onde estreou como profissional aos 16 anos. Seu desempenho chamou a atenção do FC Barcelona. Depois, da seleção espanhola. Na comemoração do título, como sempre fez nas conquistas, o jovem bateu um pênalti para que o pai pudesse defender. Uma maneira de mostrar, em forma de agradecimento, que a carreira de Fernando, de alguma maneira, continuou através do filho.

Campeões da Copa do Mundo

Lamine Yamal também carrega uma história de deslocamentos. Ele nasceu em Esplugues de Llobregat, na Espanha, em 2007. Filho de Mounir Nasraoui, marroquino, e Sheila Ebana, da Guiné Equatorial, cresceu no bairro de Rocafonda, em Mataró, uma região operária da Catalunha. A avó paterna de Lamine, Fátima, migrou do Marrocos para a Espanha e trabalhou em diferentes empregos para conseguir recursos. Depois, ajudou na ida de Mounir e da irmã dele para a Catalunha.

Sheila chegou à Espanha ainda criança, acompanhando familiares. Ela e Mounir cresceram e se conheceram em Mataró. O casal teve Lamine ainda muito jovem. Na infância, ele entrou para a base do Barcelona. Aos 15 anos, chegou ao time profissional e, depois, se consagrou pela seleção espanhola.

Seu irmãozinho, Keyven, de três anos, se parece muito com ele. É a imagem do que os pais queriam para Lamine na infância. O garoto virou sensação mundial ao aparecer em postagens cheio de carisma. Sheila se tornou uma espécie de influencer e Mounir, um relações públicas de Lamine, ao dar seguidas entrevistas para a mídia.

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Mas, mesmo com o título mundial, a fama e a fortuna, Lamine mantém sua origem viva. Em cada comemoração, faz referência ao código postal do bairro onde nasceu e cresceu: 08304. Com as mãos, forma o número 304.

A conquista da Copa do Mundo pela Espanha foi marcada pelo caráter humano. Nico, Pedri e Lamine. Na trajetória deles, a mistura da luta pessoal sem lamúrias com questões geográficas e históricas. Exemplos de que a vida dá voltas. E, no futebol, como no mundo, a bola nunca para de girar. Muitas vezes, em forma de gratidão.

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