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Em meio ao cenário eleitoral de 2026, um levantamento identificou que 1,8 mil candidatos alteraram sua autodeclaração de raça ou cor em comparação com o pleito anterior em que participaram. Esse número foi obtido a partir da análise de 20,5 mil, das quais 11,3 mil já haviam disputado eleições anteriormente. O levantamento foi realizado pelo jornal O Globo.
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As principais mudanças de autodeclaração ocorreram entre as categorias pardo e branco, sendo o movimento mais recorrente de branco para pardo, com 769 ocorrências. Em sentido contrário, 695 passaram de pardo para branco. Também houve 258 casos de pardo para preto e 251 de preto para pardo.
Mudanças menos comuns e múltiplas autodeclarações
Outras alterações, em menor escala, foram identificadas, como 34 transições de branco para preto, 21 de pardo para indígena e 19 de branco para amarelo. O estudo constatou ainda que 67 candidatos já se autodeclararam em três ou mais categorias raciais diferentes ao longo de suas candidaturas.
Apesar das mudanças individuais, o perfil racial dos candidatos de 2026 é semelhante ao das eleições anteriores. Os brancos representam 48,7% do total, pardos somam 36,2% de pretos, 13,6%. Indígenas correspondem 0,9% e amarelos, a 0,5%.
Em relação a 2022, houve um leve aumento de 0,5 ponto porcentual entre brancos e de 0,1 ponto entre pardos, enquanto a participação de pretos diminuiu 0,5 ponto porcentual. Naquele pleito, brancos eram 48,2%, pardos, 36,1% e pretos, 14,1%.
Candidatos com históricos de autodeclaração variados
Entre os registros de maior variação, destaca-se o caso do candidato a deputado estadual Aloísio Gama de Santana (PT-SP), que ao longo de 5 disputas eleitorais fez 4 autodeclarações distintas: branco, preto, pardo e indígena. O histórico mostra que, em 2014, ele se declarou branco; em 2016, preto; em 2018, pardo; em 2020, indígena e, em 2026, voltou a se declarar preto.
Outros exemplos incluem a candidata Enfermeira Cida Amaral (Avante-MS), Zé Raimundo (PT-BA) e Jordano Metalúrgico (PSTU-MG), que alteraram as próprias autodeclarações entre branca, preta e parda em 6 anos de trajetória. Em 2022, todos se declararam pretos, enquanto neste ano assumiram a autodeclaração parda.
Diferenças entre partidos e impacto na legislação eleitoral
A distribuição racial dos candidatos varia entre os partidos. O PL apresenta a maior proporção de brancos, 61%, seguido por Missão com 60,6% e PP, 59,7%. Psol, PCB e Rede possuem as menores porcentagens de candidatos brancos. No Psol, 34,9% são brancos, 31,3% pardos e 30,5% pretos. O PCB tem 34,8% de brancos, 39,1% pardos e 26,1% pretos. No partido Rede, brancos são 31,7%, pardos 40,3% e pretos 22,3%.
As mudanças de autodeclaração apresentam diferenças relevantes entre as legendas. O Democracia Cristã (DC) lidera em proporção de alterações, com 109 em 754 candidatos, representando 14,5%. Em seguida, aparecem Agir, com 13,1%, e Partido Verde (PV), com 12,9%.
Esses dados ganham importância frente à legislação eleitoral, que determina repasse mínimo de 30% dos recursos públicos para candidaturas de pretos, pardos e indígenas. O Supremo Tribunal Federal (STF) estabeleceu que a autodeclaração racial influencia a distribuição do financiamento eleitoral.
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Na decisão do STF, legendas que não cumpriram a aplicação mínima de recursos em eleições passadas deverão compensar esses valores nas próximas 4 disputas, começando em 2026. O pagamento deverá ocorrer de forma parcelada, sem que a dívida possa ser abatida do porcentual obrigatório destinado a essas candidaturas.
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