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O governo do Irã começou a dar sinais mais claros de que a pressão econômica provocada pela guerra e pelo bloqueio norte-americano pode estar afetando a capacidade de Teerã de sustentar o conflito.
O presidente Masoud Pezeshkian afirmou nesta sexta-feira, 21, que o país deveria buscar o fim da guerra contra os Estados Unidos e Israel enquanto ainda considera estar em uma posição de força.
Irã: as medidas mais “duras da história”
A declaração ocorre no mesmo momento em que Washington prepara uma nova rodada de sanções contra o regime iraniano. O secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Scott Bessent, afirmou que anunciará na segunda-feira medidas que classificou como as “sanções mais duras da história” contra o Irã.
Pezeshkian afirmou que seria melhor encerrar o conflito enquanto o Irã estaria, segundo sua avaliação, em uma posição de “poder e dignidade”. O presidente iraniano também alegou que a comunidade internacional reconhece uma suposta vitória de Teerã e acusou os Estados Unidos de terem atacado escolas, hospitais e infraestrutura iraniana.
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A situação econômica impõe dificuldades crescentes ao regime. Segundo dados citados pela Fox News a partir da Associated Press, o preço do arroz aumentou 60% desde o início da guerra, enquanto o da carne bovina subiu 150%.
A moeda iraniana perdeu aproximadamente metade de seu valor em um ano. O Fundo Monetário Internacional estima que a inflação possa se aproximar de 70% até o fim de 2026.
O bloqueio norte-americano também atingiu diretamente a principal fonte de receitas do Irã: as exportações de petróleo. A China, maior compradora do petróleo iraniano, reduziu suas importações, estimadas de 823 mil barris por dia, em julho para 534 mil barris por dia em agosto. Analistas avaliam que praticamente não há novas cargas iranianas disponíveis para entrega no fim de setembro em razão das dificuldades para romper o bloqueio norte-americano.
O tráfego pelo Estreito de Ormuz continua muito abaixo dos níveis anteriores à guerra, aumentando a preocupação com a oferta mundial de petróleo. O presidente Donald Trump, por sua vez, voltou a afirmar que os Estados Unidos têm “controle total” sobre a passagem estratégica.
Parlamento reconhece limite econômico
A pressão não é reconhecida apenas pelo governo. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou que o poder militar, sozinho, não será suficiente para sustentar o país. Segundo ele, se a população estiver passando fome e não houver circulação financeira e crescimento econômico, o Irã não conseguirá resistir.
A declaração de Qalibaf é particularmente relevante, porque parte de uma das principais autoridades políticas do regime. O parlamentar também afirmou que segurança e economia são interdependentes e que a estabilidade obtida militarmente não poderá ser mantida sem uma economia capaz de sustentá-la.
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