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Dados do Ministério da Saúde enviados ao Congresso Nacional registram 1.121 mortes de indígenas na Terra Indígena Yanomami entre 2023 e 2025. Os óbitos estão relacionados a doenças e ao avanço do crime organizado na região.

O número consta em informações encaminhadas ao Legislativo e coloca a crise sanitária ianomâmi entre os principais desafios enfrentados pelo governo federal na região.

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O cenário também mobilizou o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin. Ele procurou a presidente da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Damares Alves, para discutir uma missão ao território ianomâmi nas próximas semanas. A proposta é acompanhar de perto a situação das comunidades.

Governo contesta interpretação dos dados

Em nota enviada ao Radar, o governo federal contestou a comparação entre períodos e afirmou que os números precisam considerar as condições da assistência de saúde em cada momento.

Segundo o Executivo, entre 2019 e 2022 houve deterioração da estrutura de atendimento, além de subnotificação de doenças e mortes. O governo afirma que unidades e polos-base chegaram a ficar fechados ou destruídos, dificultando o registro dos óbitos.

A gestão federal sustenta que, desde 2023, ampliou o atendimento médico, a busca ativa por pacientes e a vigilância epidemiológica. De acordo com os dados apresentados pelo governo, o número de mortes caiu 29,5% entre o primeiro semestre de 2023 e o mesmo período de 2026, de 224 para 158 registros.

A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) | Foto: Waldemir Barreto/Agência Senado

O Executivo também informou que as mortes por malária foram zeradas no período. Os óbitos relacionados à desnutrição recuaram 75,7%, enquanto os provocados por infecções respiratórias agudas diminuíram 40,8%.

O governo afirma ainda que a quantidade de profissionais de saúde na região passou de 690 para mais de 2,1 mil. Também foram reabertos sete polos-base, e os 37 existentes estão em funcionamento, assim como as 40 Unidades Básicas de Saúde e o Centro de Referência de Surucucu.

Operações contra o garimpo

A União também afirma ter reduzido a atividade ilegal na Terra Indígena Yanomami. Segundo os dados apresentados na nota, entre março de 2024 e agosto de 2026 houve queda de cerca de 99% na abertura de novas áreas de garimpo.

No mesmo período, as operações contra a atividade ilegal teriam provocado prejuízo estimado em R$ 768 milhões aos responsáveis pelo garimpo.

Desde 2023, o governo informa ter distribuído mais de 205 mil cestas de alimentos e adotado medidas para recuperar a produção tradicional, o acesso à água e a autonomia alimentar das comunidades.

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O Executivo também afirma ter mobilizado R$ 1,8 bilhão em créditos extraordinários aprovados pelo Congresso para ações de saúde, segurança, proteção territorial, fiscalização ambiental, logística e assistência.

Apesar das medidas apresentadas pelo governo, os dados enviados ao Congresso registram 1.121 mortes de indígenas ianomâmis entre 2023 e 2025, mantendo a crise sanitária no centro das discussões sobre a atuação federal na região.

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