EDIÇÃO DO DIA · 02 de agosto de 2026 --:--:-- COLUMBUS 22ºC
AO VIVO

BRASIL ESTADO

...

...

Há um ano, em 2 de agosto de 2025, o jornalismo brasileiro perdia José Roberto Dias Guzzo. J. R. Guzzo, como era conhecido e assinava seus textos, morreu aos 82 anos, depois de mais de seis décadas de atuação nas principais redações do país.

O Oeste sem Filtro, principal programa da grade da Revista Oeste, relembrou sua trajetória na última sexta-feira, 31. Durante a homenagem, Augusto Nunes destacou a continuidade de seu trabalho. “Ele sempre vai figurar no expediente da Revista Oeste como diretor perpétuo”, afirmou.

Uma vida pelo jornalismo

J.R. Guzzo começou no jornalismo em 1961, no jornal Última Hora. Depois, passou pelo Jornal da Tarde, trabalhou como correspondente internacional em Paris e comandou durante 15 anos a redação da revista Veja. Em 2019, deixou a publicação depois que uma coluna crítica ao Supremo Tribunal Federal não foi publicada.

O episódio se tornou um dos mais conhecidos de sua carreira e representou o preço cobrado de quem se recusava a abrir mão da independência editorial. No ano seguinte, Guzzo participou da fundação da Revista Oeste. Na nova publicação, retomou o trabalho como colunista e ajudou a estabelecer os princípios que orientam o projeto.

Esses princípios foram apresentados no texto “Nosso pacto”, publicado por Guzzo no nascimento de Oeste. O documento estabelece os compromissos da revista com seus leitores e apresenta uma concepção de jornalismo baseada na clareza, na lógica e no respeito aos fatos.

Augusto Nunes abraça J.R. Guzzo no dia da inauguração do estúdio Oeste | Foto: Arquivo Pessoal

Um dos primeiros compromissos assumidos era respeitar o tempo do leitor. Para Guzzo, isso exigia “tolerância zero com textos que deem trabalho para serem lidos”. O leitor não deveria ser obrigado a reler uma frase ou tentar descobrir o que o jornalista pretendia dizer.

As reportagens deveriam “começar pelo começo, seguir diretamente até o fim e aí parar”. Tudo o que não ajudasse o público a compreender melhor os acontecimentos deveria ser eliminado. A clareza, segundo Guzzo, é uma obrigação profissional. “Ser claro, para nós, significa o seguinte: só escrever de maneira a permitir a compreensão imediata do que está escrito”, afirmou.

O pacto também rejeitava a disputa para publicar primeiro a qualquer custo. Guzzo defendia rapidez, mas sem abrir mão da precisão. A intenção não era necessariamente dar a notícia antes dos concorrentes, mas publicar “a notícia certa — aquilo que realmente aconteceu”.

O tamanho de um texto também não deveria ser definido previamente. Para Guzzo, matérias não precisavam ser pequenas, médias ou grandes. Precisavam ser boas o suficiente para oferecer ao leitor razões para começar, continuar e terminar a leitura.

Guzzo: do lado da realidade

O manifesto não escondia a posição editorial da nova publicação. Guzzo definiu a Oeste como conservadora e defensora da liberdade econômica, do capitalismo, do mérito individual e da limitação do poder do Estado. Ao mesmo tempo, estabeleceu que os textos deveriam retratar os fatos como ocorreram, e não como os jornalistas gostariam que tivessem ocorrido.

A revista também não se apresenta como imparcial. Seu compromisso declarado é permanecer “do lado da realidade”. “A realidade é uma só”, escreveu Guzzo. “E, se não soubermos qual é, diremos ao leitor que não sabemos — vamos, então, procurar saber.”

Essa forma de entender o jornalismo acompanhou Guzzo durante toda a carreira. Suas posições provocaram críticas e frequentemente dividiram leitores, mas ele nunca deixou de defender a liberdade de expressão e o direito de exercer o jornalismo de opinião.

Na madrugada de 2 de agosto de 2025, um infarto encerrou sua trajetória. Segundo a família, o jornalista enfrentava problemas crônicos no coração, nos pulmões e nos rins. O projeto editorial que ajudou a construir, porém, permanece como uma de suas principais marcas. "A gente vai seguir firme preservando o legado de José Roberto Guzzo", resumiu a âncora Paula Leal.

Reproduzir

Leia também: “Monumento à cegueira”, último artigo publicado por J. R. Guzzo na Revista Oeste

O post Oeste homenageia J. R. Guzzo, falecido há 1 ano apareceu primeiro em Revista Oeste.

Leia também

VER TODAS ›