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A escolha de Lígia Feliciano (União) para vice na chapa de Lucas Ribeiro (PP) consolidou a aliança entre os dois partidos na disputa pelo governo da Paraíba em 2026. A médica, que já ocupou o cargo de vice-governadora por dois mandatos, também tem outra credencial relevante no atual cenário político, ela é mãe de Gustavo Feliciano, ministro do Turismo do governo Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
A proximidade com o petista não é apenas familiar. Em 20 de agosto, Lígia participou da inauguração do comitê de campanha de Lula em João Pessoa (PB) e elogiou publicamente o presidente. “Quando eu chego aqui, vejo tantos corações apaixonados e que vivem essa paixão porque viram que o nosso presidente Lula mudou esse país”, afirmou.
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Lígia é casada com o deputado federal Damião Feliciano (União-PB), que está no Congresso desde 1999. A família também mantém negócios na Paraíba e acumula episódios que chegaram à Justiça e foram alvo de reportagens nos últimos anos.
Empresas transferidas para ex-assessora
Em janeiro deste ano, o portal Metrópoles revelou que Gustavo Feliciano transferiu três empresas para Soraya Rouse Santos Araújo, que havia trabalhado como assessora parlamentar de seu pai, Damião Feliciano. As operações ocorreram em dezembro de 2025, mesmo mês em que Gustavo assumiu o Ministério do Turismo. As empresas — União de Ensino Superior da Paraíba (UniPB), Sunset Business e GCF Construções e Empreendimentos Imobiliários — tinham capital social conjunto de R$ 400 mil.
Documentos obtidos pelo Metrópoles mostraram que Gustavo declarou ter vendido a Sunset Business e a GCF Construções por R$ 100 mil cada. No caso da UniPB, o contrato registra a transferência das cotas por R$ 200 mil, mas não esclarece se houve efetivamente o pagamento. A reportagem também demonstrou que as empresas mantinham vínculos cadastrais que levantaram suspeitas sobre a efetiva transferência do controle e uso de "laranjas".
Rádios de Damião foram alvo de ação do MPF
Damião Feliciano também foi alvo de uma Ação Civil Pública do Ministério Público Federal (MPF) por sua participação societária em empresas de radiodifusão. Em 2017, o MPF pediu à Justiça o cancelamento das concessões da Rádio Santa Rita e do Sistema Rainha de Comunicação, sob o argumento de que a participação de um parlamentar no quadro societário de concessionárias de radiodifusão contrariaria as restrições previstas na Constituição.
Em 2021, a Justiça Federal de primeira instância considerou procedente a ação e anulou a renovação das concessões. A decisão, entretanto, foi posteriormente reformada pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região, que manteve a concessão da Rádio Santa Rita. O MPF recorreu ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Problemas trabalhistas na Unesc
A família também mantém negócios no setor educacional. A União de Ensino Superior de Campina Grande (Unesc), ligada ao grupo Feliciano, aparece como parte ré em processos trabalhistas que tramitam na Justiça do Trabalho da Paraíba. Há registros de processos contra a instituição no Tribunal Regional do Trabalho da 13ª Região.
Lígia já foi alvo de ações eleitorais
A própria Lígia Feliciano também já foi alvo de questionamentos na Justiça Eleitoral. Nas eleições de 2014, o Ministério Público Eleitoral (MPE) ajuizou ação contra a então vice-governadora eleita e o governador Ricardo Coutinho, ao acusar a chapa de abuso de poder político e econômico.
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O caso, porém, não resultou em cassação. Em 2017, o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) julgou improcedente uma das ações. No ano seguinte, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) também rejeitou recurso que buscava a cassação de Ricardo Coutinho e Lígia.
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