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Por 61 votos a 20, o Senado selava, há exatos dez anos, a cassação do mandato da então presidente Dilma Rousseff. Apesar da promessa de mudança surgida naquele momento, o cenário político não poderia ser mais diferente do esperado.

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Embora algumas alianças permaneçam, entusiastas do impeachment hoje apoiam o projeto político do PT contra o da direita, encabeçada por Flávio Bolsonaro (PL). Filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, ele é o principal herdeiro do movimento conservador impulsionado a partir da cassação de Dilma e da Operação Lava Jato.

O pai da direita?

Em entrevista concedida em abril ao jornal mineiro O Tempo, Eduardo Cunha resumiu seu papel no processo: “Tudo é fruto do meu ato. Sem o meu ato, nada teria ocorrido”. Em dezembro de 2015, quando presidia a Câmara dos Deputados, coube a ele aceitar o pedido de impeachment que daria início ao processo contra Dilma.

Na entrevista, Cunha também aproveitou para provocar o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), ao dizer que muitos dos que hoje atuam na política “ainda usavam fraldas” em 2016. O ex-presidente da Câmara revisitou ainda sua avaliação sobre as pedaladas fiscais atribuídas a Dilma e reconheceu o componente político do impeachment. “Ela tratava com os partidos e não conseguia ou não queria cumprir”, declarou. “Então, na verdade, os deputados e senadores não queriam mais o governo do PT.”

Cassado como deputado em setembro de 2016 e preso em outubro do mesmo ano na Lava Jato, Cunha teve as condenações anuladas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) entre 2021 e 2023, o que o habilitou a disputar a eleição deste ano.

Em 26 de agosto, cinco dias antes do décimo aniversário do afastamento de Dilma, Flávio gravou um vídeo ao lado de Cunha e o publicou nas redes sociais do ex-presidente da Câmara. "Estou aqui com uma pessoa que tem um papel importante na história do nosso Brasil", comentou o Zero Um. "Foi aquele que abriu os olhos da população brasileira e derrubou a Dilma, talvez a pior presidente que esse país tenha tido na sua história."

Janaína recusou o convite para ser vice

Janaína Paschoal, professora de Direito Penal da USP e autora da peça que sustentou o pedido de impeachment, foi convidada por Jair Bolsonaro em 2018 para compor a chapa presidencial como vice. Recusou.

A Oeste, Janaina atribuiu a recusa à pressão da base bolsonarista: "Recebi telefonemas de pessoas dizendo o seguinte: 'Não queremos você. Você não é o que imaginávamos. Você é muito boazinha, é muito brandinha'".

Contra Dilma, mas com Lula

Simone Tebet, então senadora do MDB por Mato Grosso do Sul, votou pelo impeachment invocando as "consequências nefastas" da política fiscal petista e posicionou-se contra "todo o mal que ela causou e está causando à população brasileira".

Tebet oncorreu à Presidência em 2022 e, fora do segundo turno, apoiou Lula. Depois, atuou como ministra do Planejamento do governo petista e agora disputa o Senado por São Paulo com apoio do presidente. Além dela, Renan Calheiros, que presidia o Senado em 31 de agosto de 2016 e votou a favor da cassação, também tenta a recondução em Alagoas em uma chapa lulista.

Lindbergh Farias, senador do PT e ex-cara-pintada, publicou nesta manhã no X: "A história não mente: não foi impeachment, foi golpe". Farias recorreu ainda a um lema repetido à exaustão pelos apoiadores de Dilma nos últimos dez anos para afirmar que o movimento “abriu as portas para o retrocesso”.

Hoje, com o PT de volta ao poder desde 2023, Lula enfrenta a campanha pela reeleição sob a pressão de três inquéritos da Polícia Federal (PF) relacionados ao filho mais velho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha. Dilma, por sua vez, comanda desde o mesmo ano o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), instituição conhecida como o “Banco do Brics”. Sua gestão tem sido alvo de denúncias de assédio moral e críticas pelo atraso no cumprimento de metas.

O post 10 anos depois: atores do impeachment de Dilma expõem racha político apareceu primeiro em Revista Oeste.

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