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Depois da divulgação de mensagens do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master, que mostram uma relação próxima com o procurador-geral da República, Paulo Gonet, a situação do chefe do Ministério Público Federal (MPF) se tornou “insustentável”. A avaliação é do jornal O Estado de S. Paulo, em editorial publicado nesta sexta-feira, 4.
Segundo o Estadão, “não é de hoje que o sr. Paulo Gonet não inspira a confiança necessária para o exercício do cargo de procurador-geral da República”.
“Gonet tem de deixar o cargo, e é melhor que o faça de maneira voluntária, de modo a evitar o aprofundamento da grave crise moral e ética que envolve a alta cúpula do sistema de Justiça do país”, opina o jornal.
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No editorial, o Estadão destaca que as mensagens apreendidas pela Polícia Federal (PF) “revelam uma relação calorosa entre Gonet e o banqueiro Daniel Vorcaro, marcada por manifestações de carinho e convescotes requintados”.
“‘Paulo’ aparece também nas tentativas de Vorcaro de mobilizar o ministro Alexandre de Moraes para obstruir investigações. Não há prova de que Gonet tenha atendido a esses pedidos. Há, porém, um fato que independe dessa dúvida: foi Gonet quem pediu ao Supremo o arquivamento sumário da apuração, sem exame do mérito, com argumentos que causariam inveja a um advogado de Moraes – e de si mesmo”, afirma o Estadão.
No texto, o jornal paulista diz ainda que o PGR “tolerou todo tipo de expansão de competência do Supremo em investigações sobre cidadãos sem foro, mas bastou que uma delas atingisse Lulinha, o filho do presidente Lula, para que ele subitamente invocasse o princípio do juiz natural e pedisse que o caso fosse remetido à primeira instância”.
“A Procuradoria existe para fiscalizar o poder – muito especialmente o poder togado. Seu chefe precisa ser capaz de contrariar justamente aqueles com quem convive no topo da República. Mas Gonet tem sido valente para baixo e servil para cima”, critica o Estadão.
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Para o jornal, “omparcialidade e independência são as duas qualidades quintessenciais de um procurador” e Gonet “trocou ambas por um prato de lentilhas – e também por uísque caro, charutos e uma viagem a Londres, com tudo pago, para um dos filhos, sob o generoso patrocínio do banqueiro Vorcaro”.
“A promiscuidade com Vorcaro e a participação do próprio Gonet no destino processual de um relatório que o menciona criam uma questão séria de suspeição. A lei prevê a substituição do procurador-geral em situações desse tipo”, observa o Estadão.
“Prevê também, entre os crimes de responsabilidade do procurador-geral, emitir parecer quando legalmente suspeito, ser patentemente desidioso e proceder de modo incompatível com a dignidade e o decoro do cargo. Cabe apurar se houve a consumação desses tipos. No entanto, para concluir que Gonet perdeu as condições de chefiar a PGR, o que se sabe já basta.”
Em seu editorial, o Estadão avalia que a melhor solução seria Gonet sair por iniciativa própria, renunciando ao cargo. “Se preferir agarrar-se ao posto, o Senado tem competência para examinar se suas condutas configuram crimes de responsabilidade e, eventualmente, afastá-lo”, conclui o jornal.
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O post Permanência de Gonet na PGR ficou ‘insustentável’, diz Estadão apareceu primeiro em Revista Oeste.



