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Sete em cada dez estudantes brasileiros de 15 anos não atingiram o nível mínimo de proficiência em matemática no Pisa 2025. O Brasil somou 377 pontos e ficou na 71ª posição entre 89 países avaliados na disciplina, segundo os resultados divulgados nesta terça-feira, 8, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE).

Apenas 28% dos alunos brasileiros alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência em matemática. Assim, 72% ficaram abaixo do patamar em que o estudante consegue, sem receber instruções diretas, interpretar e reconhecer como uma situação simples pode ser representada matematicamente.

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Entre os exemplos apresentados pela própria OCDE estão comparar a distância total de duas rotas alternativas e converter preços de uma moeda para outra. Na média dos países da organização, 65% dos estudantes atingiram pelo menos esse nível, mais que o dobro da proporção registrada no Brasil.

A diferença também aparece nas pontuações. O Brasil registrou 377 pontos em matemática, 86 a menos que a média de 463 da OCDE. Na comparação internacional, o resultado colocou o país na 71ª posição entre os 89 participantes com dados disponíveis para a disciplina.

O desempenho nas faixas mais altas foi ainda mais restrito. Segundo a OCDE, “quase nenhum estudante” brasileiro atingiu os níveis 5 ou 6 em matemática, enquanto a média da organização foi de 8%. Nesses níveis, os alunos conseguem modelar situações complexas e selecionar, comparar e avaliar diferentes estratégias para resolver problemas.

Na América Latina, o Brasil ficou atrás de Uruguai, Chile, México, Costa Rica, Peru e Colômbia em matemática. Argentina, Equador, El Salvador, República Dominicana, Paraguai e Guatemala registraram pontuações inferiores.

Quase metade fica abaixo do mínimo nas três áreas

O baixo desempenho não se restringiu à matemática. Ao todo, 43,8% dos estudantes brasileiros ficaram simultaneamente abaixo do nível mínimo de proficiência em matemática, leitura e ciências. Na média dos países da OCDE, essa parcela foi de 19,7%.

Em ciências, o Brasil obteve 409 pontos e apareceu na 67ª posição. Cerca de 48% dos estudantes alcançaram pelo menos o nível 2 de proficiência, ante 74% na média da OCDE. Assim, mais da metade dos brasileiros não chegou ao patamar em que o aluno consegue, por exemplo, reconhecer a explicação correta para fenômenos científicos conhecidos e avaliar, em situações simples, se uma conclusão é válida com base nos dados apresentados.

A parcela de estudantes brasileiros com desempenho elevado em ciências também foi reduzida. Apenas 1% chegou aos níveis 5 ou 6, nos quais, segundo a OCDE, o aluno consegue aplicar de forma criativa e autônoma seus conhecimentos científicos inclusive diante de situações desconhecidas. Na média da organização, 7% alcançaram esses níveis.

Em leitura, o Brasil somou 408 pontos e ficou na 52ª posição. Cerca de 49% dos estudantes atingiram pelo menos o nível 2, contra 69% na média da OCDE. Nesse patamar, o aluno consegue identificar a ideia principal de um texto de extensão moderada, localizar informações a partir de critérios explícitos e refletir sobre o propósito e a forma de um texto quando recebe orientação para isso.

Assim, pouco mais da metade dos estudantes brasileiros ficou abaixo desse nível em leitura. Apenas 1% alcançou o nível 5 ou superior, faixa em que os alunos conseguem compreender textos longos, lidar com conceitos abstratos ou contraintuitivos e distinguir fato de opinião a partir de elementos implícitos do conteúdo ou da fonte. A média da OCDE nessa faixa foi de 6%.

Considerando as três disciplinas, somente 1,8% dos estudantes brasileiros apresentaram alto desempenho em pelo menos uma delas, ante 11,9% na OCDE.

Apesar dos resultados, não houve piora estatisticamente significativa em relação ao Pisa de 2022. As notas brasileiras permaneceram praticamente estáveis e repetem um patamar observado desde 2015. A edição de 2025 também reuniu mais participantes, o que impede interpretar isoladamente a queda do Brasil nas posições do ranking como deterioração do desempenho.

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