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O procurador-geral da República, Paulo Gonet, é “suspeitíssimo” para se manifestar acerca da possível abertura de investigação criminal sobre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), como Alexandre de Moraes, segundo editorial publicado nesta sexta-feira, 11, pelo jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com a publicação, embora tenha a prerrogativa de opinar a respeito de eventuais processos de investigação, o atual chefe do Ministério Público Federal (MPF) perdeu a autoridade moral para exercê-la por causa de sua ligação com o caso envolvendo o Banco Master, de Daniel Vorcaro, protagonista da maior fraude financeira da história do país.

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“Como é sobejamente sabido, Moraes está financeiramente vinculado a Vorcaro por meio do milionário contrato de advocacia – editado pelo próprio ministro – entre o Banco Master e o escritório de sua mulher, Viviane Barci de Moraes. Ademais, como este jornal revelou, a Polícia Federal (PF) descobriu que ambos trocaram mensagens em ritmo frenético até poucas horas antes da prisão do banqueiro à porta da fuga, em 17 de novembro do ano passado”, diz o Estadão.

“O problema, incontornável”, prossegue o jornal, “é que o sr. Gonet também figura no relatório da PF como uma das autoridades que se refestelaram, no Brasil e alhures, com as mordomias bancadas por Vorcaro – ou melhor, pelas vítimas das fraudes que o vigarista cometeu enquanto controlava o Banco Master”.

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“Há mensagens constrangedoras atribuídas a Gonet com interlocutores de Vorcaro. Nelas, aquele que seria o procurador-geral diz sentir ‘saudades’ do banqueiro, pergunta se em determinado convescote seriam servidos uísque Macallan e charutos aos convivas e pede para que seu filho seja incluído em uma dessas borgas”, diz o editorial.

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“Como coadunar a mera ideia de república com a presença de Gonet na sessão plenária do STF na próxima terça-feira, na qual o colegiado decidirá se Moraes deve ou não ser investigado? Mais: como Gonet pode continuar chefe do Ministério Público Federal sem que a Procuradoria-Geral da República, uma das unidades fundamentais do sistema de Justiça, seja desmoralizada pela pusilanimidade de seu titular?”, indaga o Estadão.

Ainda segundo o jornal, o ministro Alexandre de Moraes “precisa ser investigado” por sua relação com Vorcaro. “É o mínimo do que esta República precisa para seguir vigorando como regime político no qual todos são iguais perante a lei. A Moraes, como de resto a qualquer cidadão, a Constituição garante presunção de inocência”, afirma o Estadão.

“Mas ele, no mínimo, tem de ser investigado e, nessa condição, afastado do cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal. Se acaso nem uma coisa nem outra ocorrerem na sessão plenária do STF no próximo dia 15, seguramente a mais importante nesses quase 40 anos de vigência da ordem constitucional de 1988, será mais que uma vergonha: será uma implosão institucional.”

Em relação a Gonet, o Estadão afirma que ele deveria se “declarar impedido” para analisar o caso. “O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, por exemplo, não só pode como deve destituí-lo do cargo, sob autorização da maioria absoluta dos senadores (art. 128, parágrafo 2.º da Constituição). O próprio Senado, aliás, tem razões para abrir um processo de impeachment contra o procurador-geral”, defende a publicação.

“É simples entender que, em um julgamento que exige absoluta isenção do defensor da ordem jurídica, Gonet não pode ser fiscal de si mesmo”, conclui o Estadão.

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O post Estadão: ‘Gonet é suspeitíssimo’ apareceu primeiro em Revista Oeste.

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