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Em uma decisão inusual que pegou o mercado de surpresa, a Petrobras recuou depois de anunciar um reajuste no preço da gasolina e informou nesta quinta-feira, 10, que a medida havia sido cancelada.

De acordo com a Petrobras, em função do fim da vigência da Medida Provisória (MP) nº 1.358/2026, a empresa deixará de aplicar, a partir do dia 10 de setembro, o desconto de R$ 0,44 por litro no preço da gasolina A, concedido por meio da subvenção econômica do governo federal. Assim, o preço médio do litro da gasolina A para as distribuidoras ficará em R$ 3,05.

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A MP autoriza a concessão de subvenção econômica aos produtores e importadores de combustíveis derivados de petróleo, com o objetivo de mitigar os impactos econômicos causados pelo choque no mercado internacional de energia decorrente do conflito no Oriente Médio.

Por outro lado, por causa da redução de R$ 0,63 por litro nas alíquotas de PIS/Pasep e Cofins – também anunciada pelo governo federal –, o efeito líquido para as distribuidoras será uma diminuição de R$ 0,19 no preço com tributos, em comparação com os valores praticados até quarta-feira 9.

As idas e vindas da Petrobras começaram na noite de quarta, quando a companhia anunciou que deixaria de aplicar o desconto de R$ 0,44 por litro. Na ocasião, a empresa informou ainda que faria um reajuste adicional de R$ 0,19 por litro. Horas depois, recuou.

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Mercado reage

O recuo da Petrobras depois do anúncio do reajuste repercutiu mal no mercado. Em relatório aos clientes enviado nesta quinta-feira, 10, o Itaú BBA considerou o episódio “negativo” e alertou sobre eventuais riscos à previsibilidade e à governança da companhia.

Segundo a instituição financeira, “a reversão do aumento do preço da gasolina, na ausência de uma justificativa de negócios claramente comunicada, pode ser vista como menos favorável à previsibilidade da governança e pode reforçar as preocupações dos investidores quanto à consistência e independência dos processos de tomada de decisão de preços”.

O Bradesco BBI teve entendimento semelhante. Também por meio de nota, a equipe de óleo e gás afirmou que a mudança de planos da Petrobras “levanta questões sobre por que foi feita da noite para o dia, a menos de um mês das eleições presidenciais”. “A correção da gasolina levanta preocupações incrementais de governança”, afirmou o banco.

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Ações em queda

As ações negociadas pela Petrobras na Bolsa de Valores do Brasil (B3) operavam em baixa no pregão desta sexta-feira, 11.

Por volta das 12h45 (pelo horário de Brasília), as ações ordinárias da Petrobras (PETR3) recuavam 0,62%, cotadas a R$ 54,30.

No mesmo horário, os papéis preferenciais da companhia (PETR4) registravam desvalorização de 0,45%, a R$ 48,90.

O que diz a Petrobras

Em comunicado, a Petrobras informou que “aguarda a publicação dos atos legais necessários para sua avaliação e implementação” da nova subvenção ao óleo diesel anunciada pelo governo.

“A Petrobras reafirma seu compromisso com uma atuação responsável, equilibrada e transparente, em consonância com sua estratégia comercial”, diz o a nota.

A estatal afirma ainda que, para “ampliar a compreensão da sociedade sobre a formação de preços dos combustíveis”, mantém em seu site “informações detalhadas sobre composição e dinâmica de preços”.

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