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Um ex-piloto da Voepass afirmou à Polícia Federal (PF) que a companhia pedia a comandantes para não registrarem determinadas falhas nas aeronaves. Segundo ele, a orientação buscava evitar a paralisação dos aviões e manter os horários dos voos vendidos pela Latam. A companhia, porém, não se manifestou sobre as acusações.
O depoimento integra o inquérito sobre a queda do avião que matou 62 pessoas em Vinhedo (SP), em agosto de 2024. A PF encerrou a investigação no último dia 6 e indiciou 16 pessoas. As informações são do portal Metrópoles.
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O piloto Luiz Almeida prestou depoimento em julho do ano passado. Ele afirmou que “a Latam estava apertando” a chefia da Voepass, que repassava a pressão aos pilotos. Segundo a testemunha, atrasos e cancelamentos geravam custos com compensações a passageiros.
Pressão para evitar paralisações
O relatório final da PF usou o depoimento, até então sob sigilo. O documento destaca a pressão “para que os comandantes não reportassem falhas no Livro de Bordo”. A Latam não é citada diretamente nessa parte do relatório, mas aparece no anexo com a íntegra das oitivas.
Segundo Almeida, a Latam cobrava o cumprimento da programação da chefia da Voepass. Os gestores, por sua vez, pressionavam comandantes para evitar que os aviões fossem retirados de operação.
O piloto afirmou ter presenciado pedidos para que problemas não fossem registrados. “Eu presenciei vários pedidos da chefia (…) para os comandantes que estavam na esquerda, o primeiro piloto, para não reportar certos itens, que esses certos itens iam parar o avião”, declarou.
A prática envolvia falhas que deveriam constar no Technical LogBook (TLB), o livro técnico da aeronave. O registro poderia impedir a operação até a realização de inspeções. “Se você reportar no TLB, o avião para”, afirmou.
A PF registrou que Almeida citou “exemplos de aeronaves operando com pneu careca e aquecimento do tubo pitot inoperante sem que houvesse registro formal”. Segundo o piloto, a chefia temia cancelamentos. “Geralmente, a chefia pedia para não reportar para o avião", disse. "Por quê? Porque o avião tinha que parar e se parasse não ia ter o voo. Eles queriam colocar o voo no horário porque a Latam estava apertando.”
Relação comercial com a Latam
Almeida afirmou que atrasos também prejudicavam conexões e geravam despesas. “É lógico, ela está contratando, ela quer os aviões dela no horário, porque tem as conexões, tem o voo para ir e para voltar (...)", disse. "E essas conexões, quando o avião parava, atrapalhava as conexões, tinha que pagar hotel, tinha que pagar táxi, pagar refeição e só onerava para Latam.”
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Além disso, o depoente apontou Raphael Limongi de Figueiredo, chefe do Centro de Controle Operacional, e Rafael Gimenez Rodrigues, chefe dos pilotos da Voepass, como destinatários diretos das cobranças internas. A PF indiciou os dois. Almeida afirmou que quebras de sigilo telefônico poderiam mostrar pedidos dos gestores para omitir falhas no TLB.
Latam e Voepass mantinham acordo de codeshare desde 2014 para venda conjunta de passagens. A parceria foi ampliada em março de 2023 e alterada novamente em 17 de junho de 2024. Segundo a Voepass, a parceria já respondia por 93% do faturamento da empresa em agosto de 2024. O novo contrato previa maior participação da Latam na gestão financeira, administrativa e operacional.
O post Ex-piloto diz à PF que Latam pressionava comandantes a não registrar falhas apareceu primeiro em Revista Oeste.


