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Uma mesinha e duas cadeiras foram colocadas na calçada da Avenida Paulista, em frente ao vão do Masp. Em pouco tempo, uma aglomeração refreava o trânsito dos pedestres. Por entre as cabeças que se aglomeravam e impediam de ver quem sentava nas cadeiras, foi surgindo a imagem do candidato Augusto Cury (Avante).

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Sentado, ele ouvia as opiniões e desabafos dos interlocutores, as pessoas que se colocaram em uma fila. Ao responder com algumas frases de impacto, fazia a situação mais se assemelhar a uma sessão terapêutica, com espaço de fala e escuta. Tentava se afastar da imagem de um político convencional em contato com a população.

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Enquanto Cury dava conselhos como um terapeuta, para ouvintes que se mostravam carentes de uma palavra de esperança, a guerra política fervia no plenário do Supremo Tribunal Federal, em Brasília.

O presidente da corte, Édson Fachin, trocava palavras ríspidas com o ministro Flávio Dino. Os ministros André Mendonça e Gilmar Mendes trocavam acusações. Cury queria passar a mensagem de que seus conceitos de psicologia na política estão acima disso. Ele disse não estar ao lado nem de Alexandre de Moraes nem de Mendonça nesta contenda.

"Olha, eu nunca vi uma guerra de egos, uma epidemia de corrupção, porque as pessoas reais estão aqui", afirmou ele a Oeste. "Em vez de discutir o Brasil, estão discutindo meia dúzia de pessoas. É uma vergonha."

Cury critica resultados das pesquisas

O candidato também aproveitou para se queixar do fato de seu crescimento nas pesquisas ter estancado. E atribuiu isso ao interesse de uma mídia atrelada, segundo ele, a questões de poder. "Vai voltar a subir se vocês fizerem vídeo de apoio, porque o algoritmo está tentando nos sabotar, você sabe por qual motivo."

Formado em Medicina pela Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto (Famerp), Cury, nascido em 1958, em Colina (SP), direciou sua carreira à psiquiatria e ao estudo da formação dos pensamentos e das emoções.

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Ganhou projeção como escritor e palestrante. A partir do fim dos anos 1990, publicou dezenas de livros sobre comportamento, ansiedade, educação e gestão emocional, com milhões de exemplares vendidos.

Cury tenta atrelar sua plataforma, em parte, a alguns conceitos como os do psicanalista Carl Gustav Jung (1875 - 1961), que vinculava o desenvolvimento emocional de cada um à melhora da humanidade como um todo.

Mas, neste momento, disse que esta meta tem alguns obstáculos a serem superados. "Está correto, Carl Gustav Jung", ressaltou. "O problema é que a humanidade está colapsando na era da intoxicação digital."

Para ele, há uma maneira de conciliar a questão política com esses conceitos. "Temos que repaginar toda a corrente escolar para que crianças, adolescentes e universitários não aprendam apenas informações sobre o mundo em que estamos, mas conheçam o mundo que somos", observou o candidato. "Em destaque, proteger sua emoção, nunca se curvar à dor e saber sempre que sua paz e sua saúde mental valem ouro. O resto é lixo."

Seu estilo de realizar campanha, fazendo da rua um set de análise, é, conforme diz, intencional. "Ninguém faz isso. Enquanto eles gritam, eu escuto a dor."

O post Cury vê ‘guerra de egos’ e ‘epidemia de corrupção’ em sessão do STF apareceu primeiro em Revista Oeste.

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