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Dias depois de ser espancado por estudantes comunistas dentro da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Diego Costa da Silva Araújo voltou a ser alvo de ataques. Em um grupo de WhatsApp, os agressores continuam a associá-lo ao fascismo, ironizam quem o defende e cogitam até uma oferta de “cupom de desconto” para quem participou das agressões. Oeste teve acesso aos diálogos.
Diego, de 27 anos, cursa história e se declara marxista. Em 25 de agosto, foi retirado de uma aula no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais (IFCS) depois de ser acusado de fazer apologia do nazismo. Naquele dia, usava uma camiseta da banda britânica Death in June e um broche com uma suástica riscada. O estudante explicou que o broche simbolizava o repúdio ao nazismo e negou ter vínculo com a ideologia.
Vídeos gravados no IFCS mostram a agressão. Diego aparece cercado por estudantes e recebe socos e chutes. Em uma das gravações, cerca de dez pessoas participam do espancamento durante pelo menos 30 segundos. As agressões continuam enquanto a vítima desce uma escadaria.
Um aluno da @ufrj teria feito apologia ao nazismo por usar uma blusa e adereços da banda Death in June.
Foi espancado por uma turba de estudantes. pic.twitter.com/ZyWC6PAf6p
— Vladimir Aras 🇧🇷 (@VladimirAras) August 27, 2026
Diego volta a ser alvo de ataques
A discussão registrada no WhatsApp ocorreu depois desse episódio. No grupo, um participante identificado como Nilson contestou as acusações contra Diego e afirmou conhecê-lo. “Estudo fascismo e símbolos nazistas e conheço o Diego”, escreveu. “Ele não é nazista.”
O comentário de Nilson provocou reações. Um dos participantes, por exemplo, disse que “nem todo duginista é nazista” e associa Diego ao “campo fascista”. O termo “duginista” se refere aos seguidores das ideias do filósofo russo Aleksandr Dugin.
A conversa ficou mais tensa quando Nilson cobrou a responsabilização de quem espancou o estudante. “Os agressores terão de provar que o cara é nazista, e os vídeos e a conduta dele não provam o que vocês estão afirmando”, escreveu. Em outra mensagem, Nilson disse esperar que a sindicância da UFRJ e a Justiça sejam “duros com todos os agressores”.
Em determinado momento, Nilson acusou Clara, uma das integrantes do grupo, de ter oferecido um “cupom de desconto” a quem agrediu Diego. “Temos os prints”, escreveu o colega, ao salientar que reúne provas do que disse. Clara reagiu à acusação com emojis de risada.
A hostilidade contra Diego continuou em outras mensagens. Um participante acusou Nilson de fazer “revisionismo do caso” ao defender a vítima do espancamento. Outro mencionou supostos crimes atribuídos a Diego. Também apareceram questionamentos sobre uma eventual ligação do universitário com grupos políticos.
Polícia investiga o caso
As acusações contra Diego ainda são objeto de investigação. Ele nega ter feito apologia do nazismo e afirma que tentou explicar o significado da camiseta e do broche antes das agressões.
Dois dos três vigilantes do IFCS ouvidos pela Polícia Civil disseram não ter visto Diego xingar nem ofender outros estudantes durante a confusão. A professora Sabrina Moehlecke, que ministrava a aula interrompida pelo grupo, também afirmou em depoimento que não havia percebido manifestação de apologia ao nazismo por parte dele.
A UFRJ abriu uma sindicância para apurar o episódio. A Polícia Civil do Estado também investiga as agressões e as acusações feitas pelos envolvidos.
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