EDIÇÃO DO DIA · 27 de setembro de 2026 --:--:-- COLUMBUS 15ºC
AO VIVO

BRASIL ESTADO

...

...

Em tempo de eleições sempre observamos resultados sobre pesquisas de intenção de votos de amostras da população. Poucos sabem que às vezes outros tipos de pesquisa também são realizados para entender os anseios gerais das pessoas, criando expectativas sobre temas diversos. Na maioria, são pontos importantes e legítimos como saúde, segurança, emprego, educação, corrupção e governos honestos. Mas, no meio destes, são apresentadas outras questões, com timbre mais alarmista e doutrinário do que factual, porém claramente misturado com as demais para conferir a mesma legitimidade de forma forçada.

+ Entenda o que é Política em Oeste

Em geral, essas pesquisas são realizadas para que governos possam nortear políticas públicas que atendam às necessidades mais imediatas, criando uma concordância entre governo e população. Contudo, há sempre um lado mais sórdido que não deve ser esquecido: que elas também servem para dosar a eficácia das doutrinações, constantemente propagadas pela mídia como emergenciais, como por exemplo, o caso ambiental-climático e seus anexos.

A mídia propaga exageradamente, e os governos se posicionam, na maioria das vezes, com mais cerceamentos e controle. Aguardam, observando o resultado, não dos danos causados pela medida, mas da própria ação do governo para resolver o “problema”. Os efeitos secundários só serão avaliados, se realmente houver tal revisão, somente muito mais tarde, quando os danos causados pela “solução” superarem os que foram anteriormente imaginados pelo suposto “problema”. Essa resposta normalmente é dada pelas mídias alternativas e por analistas independentes. A sensibilidade política para desmantelar o nó dado inicialmente demora muito tempo, até décadas, se é que um dia ela realmente acontecerá.

CNN e o enviesamento dos dados

Para o caso em questão dos EUA, um país onde dois partidos antagônicos e ideologicamente bem diferenciados competem entre si, as pesquisas também servem como referência ou medição de qual deles é mais eficiente na resolução de problemas ou pontos específicos de uma discussão recorrente, como por exemplo, a “crise climática” que inunda mais as mídias do que o mundo real.

Há cerca de três semanas recebi de um amigo uma postagem que continha um recorte de telejornal da emissora estadunidense CNN, transmitido em 12 de agosto de 2026, sobre uma pesquisa de opinião pública realizada pelo The Washington Post. A matéria trouxe alguns resultados elencados como prioridades da população dos EUA, incluindo as principais questões que deverão ser consideradas para o próximo período de eleições de meio de mandato, em 2026, definindo os seus anseios.

Na versão completa, logo de início, foi hilário ver o desconforto e incômodo do apresentador Harry Enten, analista-chefe de dados da CNN, aparentemente inconformado com o ranqueamento geral das prioridades do povo dos EUA frente à “crise climática”. O jogo doutrinário é tamanho que, em vez de focarem nos principais temas, fizeram questão de mostrar apenas os dois primeiros, juntamente com a posição ordinal da “mudança climática”, quase que culpando as pessoas por não se preocuparem com isto. Uma encenação que tentou criar uma “seriedade” inexistente na abordagem.

Essa manobra só serviu como distração do que realmente preocupa a população. Nestes termos, o primeiro lugar das questões que devem nortear essas eleições de meio de mandato dos EUA está a Economia, com 54%. Em seguida, está a Imigração, com 28%, dois problemas reais que afligem as pessoas há alguns anos. A “mudança climática” ficou na 14ª posição, com apenas 3%. Isto significa que a amostra da pesquisa indicou que apenas 3% dos eleitores disseram que o clima tem prioridade como uma questão essencial máxima para o país. Como salientou o próprio apresentador, “Os eleitores dizem que a mudança climática NÃO será um problema!”.

Um dado: eleitores não se importam com o tema

Em outra pesquisa da Pew Research Center, também divulgada durante o programa, o apresentador John Berman indagou Enten quando este mostrou o posicionamento dessas mesmas questões no ano de 2016, comparando com o avaliado agora, dez anos depois, em 2026. Nesta última, a ideia era mostrar qual seria a evolução do tema sobre a “mudança climática”, claramente buscando dar um ar de legitimidade como se a questão fosse um problema real.

Assim, a pergunta referiu-se a dizer se “as mudanças climáticas são um problema muito grande”. Em 2016, 40% das pessoas achavam que ela era. Dez anos depois, em 2026 esse valor caiu um ponto percentual, alcançando 39%, dos quais, para a surpresa, 14% eram eleitores republicanos que elencaram tal ponto como uma questão menos importante. Uma boa fatia desse bolo ficou para os eleitores de esquerda e sem orientação. Parece que não é somente no bolso daqueles que se alinham pela vertente política de direita que os problemas do país têm pesado, especialmente no que tange às restrições econômicas impostas pelas agendas verdes. Os próprios comentaristas acabaram por ressaltar essa convergência de opiniões, não importando o espectro político.

Reproduzir

Para a próxima questão elencada pela agência Pew Research Center, indagou-se em dizer se “são os seres humanos que estão causando o aquecimento da Terra, em vez de não haver aquecimento ou de ser um fenômeno natural”. Novamente para a surpresa deles, mas desta vez de forma paradoxal, em 2016, 45% disseram confirmar a sentença, contudo agora, em 2026, o valor subiu para 48%! Vale lembrar que a Pew Research Center se autodenomina “um laboratório de ideias que fornece informações sobre questões, atitudes e tendências que estão moldando os EUA e o mundo”, ou seja, gosta de uma visão woke.

Já para a última questão apresentada, mais imediatista e realizada pela Kalshi, uma plataforma de mercado de previsão, usada principalmente para apostas esportivas, portanto, também nada criterioso ou científico, perguntou-se sobre a “chance de 2026 tornar-se o ano mais quente do mundo”. Em 12 de julho, a pesquisa teria registrado 24% de chance. Apenas um mês depois, em 12 de agosto, esse valor subiria para 65%.

Embora os apresentadores tenham achado essa divisão de opiniões confusa (como as próprias questões elaboradas, diga-se de passagem), elas são desconexas naturalmente. Claramente “mudança climática” não faz parte das prioridades dos eleitores nem dos EUA e em nenhum lugar do mundo, pois a maior parte das necessidades mais básicas da vida das pessoas sequer foi satisfeita. Desta forma, não haveria nada de estranho que tal objetivo estivesse bem aquém do que desejam certos políticos que querem impor a agenda verde nefasta.

Ademais, houve uma mistura de assuntos, com resultados de pesquisas com objetivos diferentes, aplicadas em amostras também desiguais. A primeira questão apresentada, a qual ranqueava as prioridades, foi realizada por uma instituição com um propósito. Já as demais, tinham outro escopo e foram aplicadas também por instituições diferentes, especialmente a última que envolvia o mercado de apostas. Este último, ainda por cima, usou o “efeito do alto verão” do hemisfério Norte (12 de julho para 12 de agosto) que atuava na percepção das pessoas (intrínseca à natureza humana) por causa do próprio período quente. Então, se fôssemos resumir esta mistura de pesquisas, concluiríamos que os entrevistados acharam que “são os seres humanos que causam ‘aquecimento’, mas isto não é nenhum problema.”.

A pesquisa do The Washington Post não é uma novidade, pois enquetes sobre prioridades desta natureza já foram realizadas anteriormente e até em maior escala. Como a CNN resolveu voltar no tempo, isto me lembrou do resultado de uma pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas (ONU) em todos os países, em junho de 2015, logo após a publicação da Encíclica Papal Laudato Si do Vaticano sobre as “mudanças climáticas”, em 24 de maio do mesmo ano.

A pesquisa da ONU-2015 questionou 7.674.061 pessoas de todos os países, todas as idades, ambos sexos, e de todas as escolaridades. O questionário era fechado em temas, os quais seriam prioritários para uma vida de qualidade para as pessoas e os votos eram computados por escolhas abertas por sinalização (sim ou não). Eles incluíam desde educação até acesso a comunicação. No bolo, é claro, não faltaram “mudanças climáticas” e questões ambientais como “proteção de florestas”.

Foram 16 os mais votados, assim, o quesito “Uma Boa Educação” ficou em primeiro lugar, com 66,6% (5.116.311 escolhas), seguido por um “Melhor Atendimento de Saúde”, com 56,2% (4.315.914 escolhas). O quarto lugar ficou para “Governos Honestos e Responsivos”, com 45,8% (3.518.318), mostrando que já naquele tempo, o mundo ansiava por mais honestidade e responsabilidade governamental. Imaginemos agora, computando o Brasil.

Os resultados da pesquisa ainda colocaram o “Acesso à Água Limpa e Saneamento” em sétimo lugar, com 30,5% (2.347.550) e “Energia Confiável em Casa”, ou seja, a que realmente funciona de forma estável e constante, em 11º lugar, com 29,6% (2.275.460). A categoria “Protegendo Florestas, Rios e Oceanos” ficou em 14º lugar, com 26,0% (1.997.363) e “Medidas Adotadas em Relação às Mudanças Climáticas”, ficou no último lugar, posição 16º, com 20,6% (1.584.062). Isto só demonstrou que as questões ambientais-climáticas não são prioridade em lugar algum do mundo a não ser na mente desvairada e no cumprimento da agenda imposta por pessoas que servem somente ao caos.

Esta pesquisa foi apresentada no final de um seminário que questionou cientificamente os apontamentos sem fundamento elencados sobre clima na Encíclica Papal daquela época, o que nos faz questionar se ela mudou muito nos tempos atuais. Como se tratou de um levantamento efetuado pela ONU, supostamente representando o povo do mundo, no encerramento, o pesquisador lançou a máxima, “Vox Popoli, Vox Dei”. A voz do povo é a voz de Deus.

O post A popularidade da ‘crise climática’ nos EUA apareceu primeiro em Revista Oeste.

Leia também

VER TODAS ›