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O ex-presidente do Banco de Brasília (BRB) Paulo Henrique Costa recebeu ao menos cinco encomendas do motorista de Daniel Vorcaro em Brasília em 2025, segundo mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular do banqueiro.
As entregas ocorreram enquanto o BRB negociava a compra do Banco Master e buscava autorização do Banco Central para concluir a operação.
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Nas conversas com Vorcaro, Costa tratava os encontros com o motorista, identificado como Sidney, como “reunião com o Sidney”. O funcionário administrava a casa de Vorcaro no Lago Sul, em Brasília. As mensagens não esclarecem o conteúdo das sacolas, do envelope ou das demais encomendas.
A primeira entrega registrada ocorreu em 7 de fevereiro de 2025, antes do anúncio oficial das negociações entre BRB e Master. Vorcaro perguntou a Costa onde “minha pessoa” poderia encontrá-lo no fim do dia. O então presidente do banco respondeu: “Será que não podia pegar na casa?”.
No dia seguinte, Costa perguntou se poderia passar na residência. “Sim. Sidney esperando”, respondeu Vorcaro. Ao motorista, o banqueiro escreveu: “Paulo está indo pegar sacola”. Mais tarde, Sidney avisou: “Dr. Paulo já veio buscar”. Costa informou a Vorcaro: “Estive com o Sidnei”.
Entregas incluíam “vinho” e encomenda vinda de São Paulo
Em 14 de março, Sidney pediu a Vorcaro o endereço de Costa para fazer uma nova entrega. “Depois mandar end. PH deixar encomenda”, escreveu. Uma semana mais tarde, o motorista informou que havia buscado um envelope com uma pessoa que havia desembarcado em Brasília.
“Acabei de pegar o doc”, escreveu Sidney. Vorcaro então determinou: “Vc vai pegar o vinho e levar mais tarde para a casa do paulo”. Na manhã seguinte, o motorista aguardou Costa sair do prédio onde morava e avisou: “Está entregue”.
Costa agradeceu a Vorcaro: “Muito obrigado pelo vinho! A safra é bem especial? rs”. Em sua proposta de delação premiada, o banqueiro afirmou que “vinho” era um código utilizado para se referir a propina.
Em 23 de maio, quando BRB e Master negociavam com o FGC (Fundo Garantidor de Créditos), Vorcaro perguntou a Costa: “Você pode passar lá no Sidney amanhã?”. O então presidente do BRB respondeu: “Sim”.
A quinta entrega identificada ocorreu em 8 de julho. Vorcaro orientou o motorista a “pegar encomenda com Berg e entregar pro Paulo Henrique”. José Alfredo Berg Filho, citado nas mensagens, era o piloto que coordenava os jatos do banqueiro.
A encomenda havia chegado de São Paulo no avião de Vorcaro naquela noite. Naquele período, o BRB também trabalhava para apresentar ao Banco Central documentos exigidos para a análise da compra do Master.
Nos dias seguintes, Vorcaro perguntou três vezes a Costa se ele havia ido “no Sidney”. O então presidente do BRB respondeu que ainda não conseguira “se reunir” com o motorista.
“Tentei marcar a reunião com o Sidney, mas não consegui. Cheguei a enviar uma mensagem para o endereço eletrônico hoje à tarde, mas ele não respondeu”, escreveu Costa.
Vorcaro respondeu que estava preocupado com “esse tema”. “Qual deles?”, perguntou Costa. “Sidney”, respondeu o banqueiro. “Rsrs. Blz. Já cuido”, escreveu Costa. Naquela mesma manhã, Sidney informou: “Já entregue encomenda PH”.
Proposta de delação cita R$ 50 milhões em criptomoedas
Em versões de uma proposta de delação premiada apresentada à PF, Vorcaro afirmou que parte da suposta propina destinada a Costa teria sido paga em criptomoedas, em um montante de aproximadamente R$ 50 milhões.
Segundo o banqueiro, os criptoativos foram armazenados em pen drives com cerca de R$ 5 milhões cada. Ele afirmou ter feito duas entregas pessoalmente e enviado outros dispositivos “em envelopes encaminhados por avião para o motorista do Colaborador em Brasília/DF, chamado Sidney”.
A versão mais recente da proposta reproduz as mensagens de março nas quais Sidney informa ter buscado “o doc” e recebe a ordem para levar “o vinho” à residência de Costa.
Uma terceira versão acrescentou a alegação de que Costa também teria recebido dinheiro em espécie. Segundo Vorcaro, os valores eram entregues pelo piloto Berg ao motorista, “que, por sua vez, levava até Paulo Henrique”. A proposta cita novamente a mensagem de julho: “Pegar encomenda com berg e entregar pro paulo Henrique”.
Vorcaro também afirmou que parte restante da suposta propina seria paga por meio de imóveis, que não teriam sido integralmente transferidos. Mensagens entre o banqueiro e Costa sobre seis imóveis avaliados em R$ 146,5 milhões foram utilizadas pela PF no caso que levou à prisão do ex-presidente do BRB.
A Procuradoria-Geral da República rejeitou as propostas de delação apresentadas por Vorcaro e Costa.
Defesas contestam divulgação do material
A defesa de Vorcaro afirmou que “repudia a divulgação de supostos anexos que estariam relacionados a tratativas de colaboração premiada que não foi celebrada”. Uma nota dos advogado diz que “a defesa não confirma o conteúdo do material divulgado, cuja origem, autenticidade e integridade não são reconhecidas”.
Segundo os advogados, o material preliminar da colaboração foi disponibilizado a um número restrito de autoridades submetidas a dever legal de confidencialidade. “A defesa reafirma que Daniel Vorcaro possui informações personalíssimas e relevantes para o caso e segue disponível para contribuir com as autoridades”, afirmou.
O post Motorista de Vorcaro fez 5 entregas a ex-presidente do BRB em 2025 apareceu primeiro em Revista Oeste.


