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A advogada Viviane Barci de Moraes cancelou, em 18 de novembro de 2025, reservas que havia feito para viajar no dia seguinte em um jato Legacy 650 e, posteriormente, em um helicóptero de Daniel Vorcaro. A alteração ocorreu poucas horas depois de se tornar pública a prisão do então dono do Banco Master, detido na noite anterior no Aeroporto de Guarulhos quando tentava deixar o país.

As reservas haviam sido feitas quase um mês antes, em 24 de outubro, por meio da Prime You, empresa que administrava as aeronaves de Vorcaro. As trocas de mensagens entre Viviane e funcionários da companhia permitem reconstruir a programação e o cancelamento dos voos.

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Às 21h25 de 24 de outubro, Viviane solicitou o transporte para o feriado da Consciência Negra. “Gostaria de agendar um helicóptero para Campos do Jordão. Saindo de São Paulo dia 20/11 às 10h e retornando no dia 23/11 às 16h. 8 pessoas”, escreveu, segundo informações da coluna de Lauro Jardim no jornal O Globo.

Mensagens de Viviane Barci à funcionária da Prime You | Foto: Reprodução/O Globo

A programação previa uma viagem de Brasília a São Paulo no Legacy 650, de prefixo PP-NLR, e, de São Paulo a Campos do Jordão, no helicóptero EC-155. Os funcionários da Prime You registraram a cliente como “Sra. Viviane Barci I Cotista Legacy (PP-NLR) e EC-155”.

Cancelamento ocorreu na manhã seguinte à prisão

Às 8h34 de 18 de novembro, Viviane comunicou à funcionária Fernanda Melo que não faria mais o voo. “Bom dia! Tudo bem? Informo o cancelamento do vôo de amanhã. Atenciosamente, Viviane”, escreveu.

Um minuto depois, Fernanda respondeu: “Sra. Viviane, bom dia! Irei seguir com o cancelamento, agradeço por informar. Um ótimo dia”.

Jato Legacy 650, fabricado pela Embraer, integra o catálogo da Prime You, empresa que teve Vorcaro como sócio até 2025 | Foto: Divulgação/Prime You

Em seguida, Viviane mudou de ideia. “Fernanda, cancele o cancelamento rsrs”, escreveu. Cinco minutos depois, contudo, confirmou definitivamente a desistência: “Desculpe, pode cancelar. Obrigada.”

As mensagens fazem parte de uma série de conversas mantidas por Viviane com funcionários da Prime You ao longo de 2025. Nos contatos, a advogada frequentemente utilizava a primeira pessoa do plural para se referir aos passageiros, sem mencionar nominalmente o marido, o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes.

Em 11 de novembro, por exemplo, ela pediu a antecipação de um voo de Brasília para São Paulo. “Boa tarde! Temos um voo reservado para amanhã às 19h30 saindo de BSB para CGH. Conseguem antecipar para as 14h?”, escreveu.

Assentos do Legacy 650 oferecidos pela Prime You disponibilizam cobertores da grife Louis Vouitton para os passageiros | Foto: Divulgação/Prime You

O pedido foi atendido. Na sequência, Viviane solicitou um helicóptero caso o pouso ocorresse no Aeroporto Catarina, em São Roque (SP). A funcionária também ofereceu serviço de alimentação a bordo. “Sra. Viviane, poderia me confirmar se irá querer catering?”, perguntou.

Viviane pediu o cardápio e escolheu tartar de salmão com barquetes folheadas, salada Caesar de frango, torta mousse de chocolate com farofa de paçoca, além de itens de acompanhamento. “Para 2 pessoas”, especificou. Em outra viagem, programada para outubro, ela informou à empresa que seriam “2 passageiros e 1 pet”.

O Legacy 650, prefixo PP-NLR, foi utilizado na maioria dos voos reservados por Viviane, segundo as mensagens. A aeronave pertencia oficialmente a uma empresa ligada a Vorcaro naquele período.

https://twitter.com/jpmachadorocha/status/2101619617126928637

Alexandre de Moraes afirma que não viajou no jato. Uma nota oficial do gabinete do ministro declarou que ele “jamais viajou em nenhum avião de Daniel Vorcaro”. Há, contudo, registro em vídeo de uma viagem do ministro na aeronave, fato que contradiz a afirmação oficial.

A relação entre o escritório de Viviane e empresas ligadas a Vorcaro também entrou no radar das investigações da Polícia Federal. Segundo a PF, em 12 de maio de 2025 foi firmado um contrato de R$ 50 milhões para “prestação de serviços e honorários advocatícios” com uma empresa do banqueiro.

Esse acordo seria adicional ao contrato de R$ 131 milhões firmado pelo escritório com o Banco Master. Parte dos R$ 50 milhões, segundo a investigação, seria paga por meio de cotas de um jato e de um helicóptero.

Moraes e a defesa do escritório de Viviane negam a existência ou a assinatura desse segundo contrato. O ministro também sustenta que não utilizou aeronaves de Vorcaro.

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