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A crescente pressão sobre os recursos naturais já produz efeitos sobre a economia, a logística e o agronegócio. Em entrevista ao programa A Força do Agro, da Revista Oeste, o advogado Larry Carvalho, especialista em logística, direito marítimo e agronegócio, afirmou que períodos de seca têm reduzido a capacidade de transporte em importantes rotas comerciais e elevado os custos para o setor.
Segundo Carvalho, a chamada dívida ecológica representa o consumo de recursos naturais em ritmo superior à capacidade de regeneração do planeta. O especialista ressaltou, porém, que não existe uma relação direta entre esse indicador e o aumento dos preços dos produtos agrícolas. Para ele, o principal efeito ocorre por meio da pressão sobre os custos da cadeia produtiva.
Um dos exemplos citados foi a seca registrada na região amazônica em 2023 e 2024. A redução do nível dos rios afetou a movimentação de cargas no Porto de Manaus e limitou a capacidade dos comboios que utilizam as hidrovias, com reflexos sobre o frete.
Arco Norte sofre com restrições
O Arco Norte ganhou importância no escoamento da produção brasileira de grãos, mas a dependência das hidrovias também aumenta a exposição do setor às condições dos rios. Carvalho afirmou que restrições de navegabilidade podem reduzir a quantidade de carga transportada e elevar o custo logístico.
O especialista também citou o Canal do Panamá e o rio Mississippi, nos Estados Unidos, como exemplos de rotas internacionais afetadas por períodos de seca. Para ele, eventos que antes eram tratados como situações excepcionais passaram a exigir maior planejamento das empresas.
A mudança também alcança os contratos de transporte e fornecimento. Carvalho explicou que, quando determinada condição passa a ser previsível, as empresas precisam considerar o risco nos contratos e adotar cláusulas específicas para situações climáticas e eventual renegociação.
Infraestrutura é desafio para o agro
Para Carvalho, a competitividade do agronegócio depende não apenas da produtividade dentro das propriedades, mas também da infraestrutura entre a fazenda e o embarque. Gargalos portuários, congestionamentos e restrições nas hidrovias elevam os custos e podem reduzir a competitividade dos produtos brasileiros.
O especialista também citou a necessidade de manutenção das hidrovias, incluindo operações de dragagem, especialmente na região Norte. Segundo ele, a navegação é essencial não apenas para o transporte de soja e milho, mas também para comunidades ribeirinhas que dependem dos rios para receber alimentos, medicamentos e outros produtos.
Carvalho afirmou ainda que o agronegócio brasileiro tem adotado alternativas logísticas de menor emissão de carbono, com destaque para o transporte hidroviário. Para ele, investimentos contínuos em infraestrutura pública e privada serão necessários para preservar a capacidade de escoamento da produção e a competitividade do Brasil no mercado internacional.
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