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Quinta-feira foi um dia ímpar para a política no Brasil. Após Gilmar Mendes mudar as diretrizes da Globo para encaixar Renan Santos no debate, e Estela Aranha, juíza do TSE, proibir que Lula fosse questionado e que a emissora carioca deixasse o seu púlpito vazio no estúdio, os céticos e moralmente míopes que até então diziam que as interferências judiciais nas eleições para favorecer Lula não passavam de uma conspiração, finalmente puderam constatar o óbvio por meio do maior canal televisivo do país. E o melhor, com os seus próprio olhos.
Gilmar é um dos conhecidos portos seguros das ações judiciais que afetam Lula no STF. Há tempos que nem mesmo o mais aguerrido jornalista esquerdista consegue negar isso. Estela, por sua vez, desde antes de receber o cargo no TSE, se assumia publicamente como lulista ‒ temos até vídeo a esse respeito, segura a censura, Moraes. Não entrarei na obviedade que Estela e Gilmar envergam até na alma aquilo que todos os juízes jamais deveriam ser: parciais. E nem choverei no molhado ao dizer que a democracia acaba quando tribunais superiores favorecem candidatos determinados. Respeito demais a inteligência de quem está lendo.
Fato é que o negócio foi tão escrachado, desesperado e imprudente que até mesmo os jornalistas de esquerda ficaram espantados. Algo como: “Orra... mas nem disfarçaram desta vez”. Pois é, não disfarçaram. As decisões de Mendes e Aranha foram claras demais para que a já batida “defesa da democracia” fosse o suficiente para convencer meia dúzia de desavisados. E por isso mesmo julgo que o grande revés da esquerda, pós quinta-feira, está na derrocada da narrativa principal. Está mais do que claro que não é “pela democracia”, e sim por Lula.
Tribunais jogam para Lula
Isso porque falar de imparcialidade eleitoral dos ministros virou papo de maluco; hoje TSE e STF estão para a imparcialidade tal como os bordéis estão para a castidade. Temo que a grande mídia não conseguirá mais embalar o argumento de que eles estão aí para garantirem a democracia e a lisura eleitoral. Não cola mais. A reboque, o Judiciário conseguiu dar razão a pelo menos três das principais teses da campanha de Flávio Bolsonaro: 1. Estamos sob uma ditadura do Judiciário; 2. O Judiciário trabalha em prol de Lula; 3. Logo, a ação seguinte de uma população minimamente sensata é se unir contra a esquerda e o sistema.
Além disso, Flávio Bolsonaro sofria para se vender como o candidato que defenderia a liberdade de expressão em suas múltiplas subdivisões, mas foi justamente a imagem do “Flávio defensor de liberdades” que STF e TSE, sem querer, ajudaram a desenhar no imaginário popular depois de quinta-feira. Era Flávio ‒ ainda na quinta ‒ quem defendia a liberdade de imprensa da Globo, enquanto a esquerda, entre calados e “veja como isso é bom”, brigava para enfeitar o cocô de Gilmar e Estela. Talvez, ao final, o tiro tenha saído pela toga.
A ditadura do Judiciário
Afinal, antropologicamente, o sentimento popular tende a se envergar para apoiar os injustiçados. Ao protegerem Lula, os juízes deixaram a sensação imediata de que o sistema ‒ o mesmo sistema que ninou Vorcaro em peitos fofos ‒ quer que Lula se mantenha no poder a todo custo.
Para os ainda lúcidos, o Judiciário tornou a escolha de domingo mais fácil. Se até há poucos dias uma resistência moral, política e até mesmo ideológica se interpunha entre parte da população e Flávio, acredito que Gilmar e Estela arranjaram um porquê de vencê-la. Muitos colegas de redação vêm apurando um movimento que eu mesmo confirmo por minhas vias: eleitores de Caiado, Zema, Cury e até alguns de Renan, vêm dizendo que depois da pataquada na Globo eles iriam apoiar Flávio já no primeiro turno.
Se tivesse um jogo do bicho para presidentes ‒ já que Lula recém descobriu que as bets são do capeta ‒, apostaria com força num maciço crescimento de Flávio na votação de domingo. E se é minimamente verdade que o povo não é trouxa, então agora ele sabe quem é o candidato do sistema, o que tal sistema faz para proteger os seus, e por que ele apoia Lula.
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