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O que o mercado de investimentos está enxergando no jiu-jítsu?

Tradicionalmente, a relação entre mercado financeiro e esporte era associada a modalidades como futebol, automobilismo, tênis e golfe. Mas o jiu-jítsu vem ganhando espaço como oportunidade de negócios, conteúdo, audiência e construção de marca.

Durante muito tempo, falar sobre a relação entre mercado financeiro e esporte significava olhar quase automaticamente para futebol, automobilismo, tênis ou golfe. Mas existe um movimento interessante acontecendo fora desse eixo: o jiu-jítsu começa a ganhar espaço como plataforma de negócios, conteúdo, audiência e construção de marca.

Como economista e profissional de experiência de marca, esse movimento me interessa por dois motivos. O primeiro é econômico. O esporte profissional não cresce apenas com grandes atletas. Cresce quando existe um ecossistema ao redor deles capaz de gerar audiência, eventos, mídia, conteúdo, marcas interessadas e, consequentemente, capital.

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O segundo é comportamental. Poucos esportes têm uma linguagem tão próxima à dos investimentos quanto o jiu-jítsu. Estratégia, gestão de risco, disciplina, leitura de cenário, controle emocional e tomada de decisão sob pressão. No tatame, uma decisão precipitada pode colocar a perder toda uma estratégia. Nos investimentos, também.

Talvez esteja justamente aí parte do interesse crescente de empresários, investidores e marcas ligadas ao universo financeiro pela modalidade.

Neste sábado, 29, essa aproximação ganha uma vitrine importante com a estreia do jiu-jítsu no Spaten Fight Night. Entre os protagonistas está Nicholas Meregali, um dos grandes nomes da modalidade e um exemplo interessante de como a figura do atleta também está mudando.

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O atleta também se tornou uma marca

Meregali não chama atenção apenas pelo desempenho esportivo. Ele construiu uma personalidade pública forte. É competitivo, confiante, provocador, se posiciona e entende que performance esportiva e construção de imagem hoje caminham juntas.

Para quem trabalha com marcas, isso importa. O marketing esportivo deixou há muito tempo de ser apenas uma equação de exposição: colocar um logotipo na camiseta de alguém e calcular quantas pessoas o viram.

O ativo mais valioso está na associação. O que aquele atleta representa? Que comportamento ele desperta? Que comunidade existe ao redor dele? E, principalmente, existe coerência entre aquilo em que a marca acredita e aquilo que o atleta representa?

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Foi justamente esse raciocínio que nos levou, na Nomos, a olhar para o jiu-jítsu como um território de experiência de marca e a escolher Nicholas Meregali como atleta para apoiar. Como assessoria de investimentos, encontramos na modalidade uma linguagem muito próxima daquela que faz parte do nosso dia a dia: estratégia, gestão de risco, disciplina, controle emocional e construção de longo prazo.

Não procurávamos simplesmente alcance. Procurávamos identificação. Ousadia, inquietude, competitividade, estratégia e ambição fazem parte da personalidade da Nomos e encontramos essas características também nele. Mas existe uma discussão muito maior do que a escolha de uma empresa ou de um atleta.

Quando o dinheiro entra, o esporte pode crescer

Existe um ciclo econômico bastante conhecido no esporte. Atletas melhores atraem audiência. Audiência atrai mídia. Mídia atrai marcas. Marcas colocam recursos no ecossistema. Mais recursos permitem eventos maiores, melhor estrutura, profissionalização dos atletas e produção de conteúdo. Tudo isso amplia novamente a audiência.

É um ciclo que, quando bem construído, aumenta o valor econômico de uma modalidade inteira. Por isso, vejo com bons olhos a aproximação do mercado financeiro com esportes que até pouco tempo estavam fora do radar tradicional das grandes marcas.

Não se trata apenas do que o jiu-jítsu pode entregar às empresas. Existe também a pergunta inversa: o que empresas, investidores e marcas podem ajudar a construir para o jiu-jítsu?

Um atleta de elite precisa conseguir ser atleta. Quanto mais profissional for o ecossistema ao redor dele, maior sua capacidade de investir em preparação, equipe, viagens, estrutura e carreira. E quanto mais atletas conseguem viver da modalidade, maior tende a ser o nível do próprio esporte.

É aí que essa relação deixa de ser apenas uma decisão de marketing e passa a ter impacto sobre o desenvolvimento da modalidade.

Investimentos e jiu-jítsu falam uma língua parecida

Na Nomos, essa leitura começou a se transformar em uma estratégia que vai além da presença da marca no tatame. A ideia é usar o esporte como plataforma para criar conteúdo, experiências e conversas com investidores, aproximando dois universos que, à primeira vista, parecem distantes, mas compartilham muito da mesma lógica de comportamento e decisão.

Dessa aproximação surgiu uma frase que resume bem essa relação: “Sem atalhos no tatame. Sem atalhos nos investimentos.” Não porque esporte e mercado financeiro sejam a mesma coisa. Evidentemente não são. Mas porque ambos expõem uma verdade que frequentemente tentamos ignorar: consistência costuma ser menos emocionante do que uma grande aposta — e muito mais importante para construir resultados.

Você pode ganhar uma luta com um movimento espetacular. Não constrói uma carreira inteira apenas com ele. Nos investimentos, a lógica não é tão diferente. É preparação antes da oportunidade. Estratégia antes da execução. Gestão de risco antes da euforia. Controle emocional quando o cenário muda. E talvez seja exatamente por isso que essa aproximação faça tanto sentido.

Muito além do tatame

A estreia do jiu-jítsu no Spaten Fight Night é importante porque coloca a modalidade diante de uma audiência maior. Mas o movimento mais interessante talvez esteja acontecendo ao redor do evento.

O jiu-jítsu está deixando de ser visto apenas como uma modalidade praticada por uma comunidade extremamente fiel e começando a ocupar também um território de entretenimento, influência, negócios e construção de marcas.

Para o mercado financeiro, existe ali uma oportunidade de conversar com pessoas de outra maneira. Menos sobre produtos. Mais sobre comportamento, escolhas, estratégia, performance e construção de longo prazo.

Para o jiu-jítsu, a entrada de novas marcas significa recursos, visibilidade e novas possibilidades de profissionalização.

E essa é, talvez, a relação mais interessante de todas: o capital não precisa apenas se beneficiar do crescimento do esporte. Ele também pode ajudar a produzi-lo.

Mais investimento permite mais estrutura. Mais estrutura ajuda a formar e manter atletas. Atletas mais profissionais elevam o nível das competições. Grandes competições atraem público, mídia e novas marcas. E um esporte com maior audiência volta a se tornar economicamente mais interessante.

Quando essa relação é construída apenas em torno de exposição, temos publicidade. Quando existe alinhamento entre atleta, esporte, público e propósito de marca, começamos a construir um ecossistema. E é esse segundo movimento que pode ajudar a levar o jiu-jítsu a uma proporção muito maior.


Bruna Allemann é economista, colunista de economia e política e estrategista de Experiência de Marca

O post Bruna Allemann: ‘O que o mercado de investimentos está enxergando no jiu-jítsu?’ apareceu primeiro em Revista Oeste.

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