O valor de um pai
Em sua definição básica, o pai é o progenitor masculino necessário para a reprodução de todas as espécies sexuadas. Com a evolução social, ele passou a assumir os papéis de protetor, provedor e transmissor de patrimônio e conhecimento. Na tradição greco-romana, o pai era o chefe juridicamente independente da família. No conceito contemporâneo, especialmente a partir do período pós-industrial, sua
Como sabemos, o óbvio precisa ser dito e, por esse motivo, vamos definir cada passo neste artigo para, ao final, responder à pergunta: afinal, o que é um pai e qual o seu valor? Em sua definição mais básica, o pai é o progenitor masculino necessário à reprodução de toda espécie sexuada. Com a evolução social, porém, passou também a assumir os papéis de protetor, provedor e transmissor de patrimônio e conhecimento. Na tradição greco-romana, o pai era o chefe juridicamente independente da família. Já no conceito contemporâneo, especialmente a partir do período pós-industrial, o pai pode ser provedor, mas também educador, cuidador e participante afetivo na criação dos filhos. Finalmente, chegamos ao Dia dos Pais, comemorado em datas diferentes ao redor do mundo: em alguns países, no dia 19 de março; nos Estados Unidos, no terceiro domingo de junho; e, no Brasil, no segundo domingo de agosto.
Para definir o valor, precisamos observar a escassez. O que aconteceria se não houvesse pais? Na verdade, essa realidade já existe e é cada vez mais frequente na sociedade. No Brasil, em 1980, cerca de 8% dos lares apresentavam a composição “mãe sem cônjuge + filhos” ou sem rede de apoio. No último Censo, esse número chegou a 17,3%. Em números absolutos, segundo o IBGE, são aproximadamente 7,8 milhões de famílias formadas por mulheres responsáveis, com filhos e sem cônjuge ou rede de apoio.
Um lar sem pai apresenta forte associação com a pobreza. Em 2021, 29,4% da população brasileira estava abaixo da linha da pobreza. Dentro deste conjunto, 62,8% eram lares formados por mulheres sem cônjuge e com filhos menores de 14 anos. Em outras palavras, independentemente dos fatores que levam à pobreza, uma pessoa inserida nesse tipo de estrutura familiar apresentava uma incidência de pobreza 2,14 vezes maior do que a média da população brasileira.
Essa ausência não é sentida apenas do ponto de vista financeiro, mas também na formação de valores e comportamentos. Segundo Kroese et al. (2022), a delinquência juvenil é 1,91 vez maior entre crianças oriundas de famílias monoparentais, enquanto a criminalidade chega a ser 1,7 vez maior quando essas crianças atingem a idade adulta.
Nesse cenário, uma criança que nasce em um lar monoparental apresenta condições estatisticamente muito mais vulneráveis: a incidência de pobreza é 2,14 vezes maior que a média brasileira; estudos internacionais apontam odds 1,91 vez maiores de envolvimento em delinquência juvenil e uma elevação de 70% na propensão à criminalidade. Esse colossal acúmulo de fatores de risco está associado à ausência de um pai.
Para compreendermos que esse flagelo afeta toda a sociedade, e não apenas os lares sem pai, vamos aos custos sociais. Um bandido preso representa tanto o custo do cárcere quanto a perda potencial de produtividade. Segundo o Sisdepen, cada detento custa, por ano, R$ 27.978,00, ou R$ 2.331,50 por mês. Já para estimarmos a produtividade perdida, podemos considerar dois parâmetros: a renda média do trabalhador brasileiro ou o salário mínimo. No primeiro caso, teríamos R$ 3.621,00 por mês; no segundo, R$ 1.621,00.
Em resumo, cada detento representa um custo de oportunidade anual que varia, de forma bastante conservadora, entre aproximadamente R$ 47.430,00 e R$ 71.430,00. Afinal, os custos mais elevados são justamente os mais difíceis de calcular e não entraram neste cálculo. Quanto o Estado gastou com esse indivíduo antes de sua prisão? E, principalmente, qual foi a dor e quais foram os prejuízos causados por esse criminoso às suas vítimas?
Ainda precisamos responder: qual é o valor de um pai?
Mas, antes, gostaria de falar diretamente aos pais: qual é o preço da culpa de ver seu filho destruindo a própria vida? Como pai, respondo: daria a minha vida para salvar a dele. Por isso, por favor, nunca abandonem seus filhos, independentemente do desfecho de seu relacionamento conjugal.
Seguindo nosso raciocínio, não é verdade que sociedades com pais presentes eliminem a pobreza, a violência ou a criminalidade. Mas, com certeza, aumentam a quantidade de recursos, supervisão, estabilidade e conhecimento disponíveis para cada criança, reduzindo os fatores de risco ao longo de sua formação.
E talvez seja este o verdadeiro valor de um pai: ajudar uma criança, que nasceu completamente dependente, a tornar-se um adulto capaz de cuidar de si, produzir para a sociedade e, um dia, transmitir ainda mais à geração seguinte.
Esta reflexão é para todas as pessoas, independentemente da estrutura familiar. Contudo, fica um último pedido: caso você tenha um pai, dê-lhe um forte abraço por seu dia; caso não o tenha, faça uma prece por ele ou por sua família.
+ Leia mais sobre Curiosidades em Oeste
O post Qual o valor de um Pai? apareceu primeiro em Revista Oeste.



