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ONU considera prisão de ex-presidente do Peru arbitrária e pede libertação

A Organização das Nações Unidas concluiu que a prisão do ex-presidente peruano Pedro Castillo foi arbitrária e recomendou sua soltura imediata, além de indenização. A detenção teria violado normas internacionais de direitos humanos.

O Grupo de Trabalho sobre Detenção Arbitrária da Organização das Nações Unidas (ONU) concluiu que a prisão do ex-presidente do Peru Pedro Castillo foi arbitrária e recomendou sua libertação imediata, além do pagamento de indenização. Em parecer divulgado em 4 de junho e repercutido na imprensa peruana nesta quinta-feira, 9, o colegiado sustentou que a detenção violou normas internacionais de direitos humanos.

Segundo a agência EFE, o grupo da ONU entendeu que a privação de liberdade de Castillo contrariou dispositivos da Declaração Universal dos Direitos Humanos e do Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos. No documento, os especialistas afirmam que a detenção "careceu de base legal" e apontam falhas nas circunstâncias da prisão.

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O parecer também questiona a ausência de uma justificativa individualizada para manter o ex-presidente em prisão preventiva e sustenta que ele não teve asseguradas as garantias de um julgamento justo.

Ordem de prisão à Pedro Castillo | Foto: Reprodução redes sociais

"Diante de todas as circunstâncias do caso, o remédio adequado" é colocar Castillo "imediatamente em liberdade e conceder-lhe o direito efetivo de obter uma indenização e outros tipos de reparação, em conformidade com o direito internacional", diz o documento.

O grupo ainda instou o governo peruano a promover "uma investigação exaustiva e independente das circunstâncias em torno da privação arbitrária de liberdade" do ex-presidente e a adotar "as medidas pertinentes contra os responsáveis pela violação de seus direitos".

Os especialistas solicitaram, ainda, que o governo informe, no prazo de seis meses, quais medidas foram adotadas para cumprir as recomendações apresentadas no parecer.

O então presidente do Peru, Pedro Castillo, pouco depois de ser empossado no cargo, durante cerimônia na capital Lima - 28/07/2021 | Foto: Divulgação/Pedro Castillo/Twitter

Pedro Castillo foi condenado por tentativa de golpe no Peru

Pedro Castillo governou o Peru entre 2021 e 2022. Em novembro do ano passado, a Sala Penal Especial da Corte Suprema do país o condenou a 11 anos, cinco meses e 15 dias de prisão pela tentativa de golpe de Estado.

Em 7 de dezembro de 2022, o então presidente anunciou a dissolução do Congresso, a formação de um "governo de emergência" e a convocação de eleições para um novo Parlamento, que teria a missão de elaborar uma nova Constituição.

Ainda naquele dia, o Congresso aprovou a destituição de Castillo, que acabou preso pelas autoridades peruanas.

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