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ONU exige que Autoridade Palestina cesse detenções arbitrárias e tortura

A Autoridade Palestina, que já governou Gaza e a Cisjordânia e hoje tem atuação limitada apenas na Cisjordânia, foi alvo de um pedido do escritório do Alto Comissariado de Direitos Humanos da ONU. A organização exige a interrupção imediata de detenções arbitrárias, tortura e outras formas de violência contra cidadãos palestinos, especialmente jornalistas, dissidentes e ativistas políticos.

No mesmo domingo, 27 de julho, o jornal Jerusalem Post divulgou duas notícias a respeito da Autoridade Palestina (AP), que já foi o órgão governante em Gaza e na Cisjordânia e, agora, restringe-se, com limitações, apenas à segunda.

A primeira reportagem abordava a exigência do escritório do Alto Comissariado de Direitos Humanos da Organização das Nações Unidas (ONU) para que a AP interrompa imediatamente as práticas de detenções arbitrárias, torturas e outras formas de violência contra cidadãos palestinos, especialmente jornalistas, dissidentes e ativistas políticos.

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Já o outro artigo noticiava que — mais uma vez — o Banco Europeu de Investimentos e a Comissão Europeia planejam injetar 395 milhões de euros na economia palestina e, assim, salvar a AP do colapso econômico.

Outro detalhe que merece atenção: o valor deverá ser enviado por meio do Banco da Palestina, o mesmo que recentemente se recusou a atender ao pedido do Ministério das Finanças de Israel de fechar 3,4 mil contas utilizadas para distribuir salários a terroristas mortos ou presos por ataques contra israelenses. Esta é uma prática do programa mantido pela AP conhecido como Pay-to-Slay (Pago para Matar).
Pagos para matar israelenses

Pay-to-Slay é um programa de subsídios e pensões da Autoridade Palestina destinado a prover ajuda financeira a prisioneiros palestinos em prisões israelenses e às famílias de palestinos mortos ou feridos em confrontos ou ataques contra israelenses. Foi criado nos anos 1960 e é coordenado por um órgão governamental denominado Fundo de Mártires da Autoridade Palestina. Ele movimenta cerca de 10% do orçamento total anual da Autoridade Palestina.

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Para Israel, trata-se de um instrumento de encorajamento ao terrorismo. Para o Banco Mundial, o fundo "não é justificável da perspectiva fiscal ou do bem-estar social". Já para a AP, o programa é uma medida necessária para prevenir a pobreza dessas famílias que, muitas vezes, acabam tendo seus vistos de trabalho em Israel revogados e suas casas demolidas. Estes são alguns mecanismos de pressão e dissuasão adotados por Israel na tentativa de evitar novos atentados.

Esses pagamentos, conhecidos internamente como "pagamento aos mártires", são populares entre os palestinos e são descritos como parte do ethos da sociedade palestina. Segundo pesquisas, o programa tem o apoio de cerca de 90% dos palestinos.
Combate contra o subsídio

Israel tenta há décadas, e sem sucesso, desmobilizar essa política, a qual literalmente põe a cabeça de israelenses a prêmio. O esforço mais recente ocorreu quando a AP manifestou sua intenção de participar do governo de Gaza. Israel afirmou que nem ao menos aventaria o assunto caso o programa não fosse extinto. E, de fato, o nonagenário presidente palestino Mahmoud Abbas, no poder desde 2005 — quando assumiu, logo após a morte de Yasser Arafat —, assinou, em fevereiro de 2025, um decreto anunciando o fim do fundo. Em outubro, no entanto, autoridades israelenses localizaram o fundo ainda ativo sob outro nome. O fato foi confirmado pelo Departamento de Estado americano.

Há escalas de valores para cada beneficiário e o maior volume é direcionado para os prisioneiros em prisões israelenses; uma parte menor é direcionada às famílias de terroristas mortos durante o atentado. O subsídio prevê adicional por filho e também bolsas de estudo universitárias. Ou seja, o terrorismo é provavelmente o emprego mais seguro e bem pago dos territórios palestinos.

Em 2025, o montante pago chegou a 156 milhões de dólares.

Os objetivos dos europeus

A AP hoje sobrevive em parte da coleta de impostos e, principalmente, da ajuda internacional. Assim, cabe a pergunta: conhecendo os compromissos da AP, o que explica o apoio europeu a este corpo político, reconhecidamente antidemocrático e corrupto?

A resposta está em uma fórmula que mistura 10% de empatia, 10% de apoio à solução de dois Estados e 80% de medo de que a crise humanitária já vigente ali espirre para seu território. A lógica pragmática da Europa entende que crises humanitárias graves geram radicalização, o que favorece grupos extremistas — muitos deles hoje bem enraizados em diferentes nações europeias. Além disso, conflitos prolongados aumentam os fluxos migratórios em direção ao velho continente.

É assim, pagando para não ver, que a Europa mantém o corpo agonizante e sem pulso político da Autoridade Palestina, que sobrevive à base da boa ação global. Quem mais perde com esse processo são os próprios palestinos, cada vez mais longe de se tornarem uma sociedade normativa.

O post Autoridade Palestina: o zumbi financiado pela Europa apareceu primeiro em Revista Oeste.

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