Pedidos de recuperação judicial no agro crescem 22% no 1º trimestre
O agronegócio brasileiro registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, número 22% superior aos 389 pedidos feitos no mesmo período de 2025. O levantamento considera produtores rurais, pessoas físicas e jurídicas, e empresas da cadeia do setor.
O agronegócio brasileiro registrou 474 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, alta de 22% em relação às 389 solicitações contabilizadas no mesmo período de 2025. Os dados são do levantamento que a Serasa Experian divulgou nesta quarta-feira, 12. O estudo considera produtores rurais pessoas físicas e jurídicas, além de empresas relacionadas à cadeia do agronegócio.
O resultado mostra a continuidade das dificuldades financeiras enfrentadas por parte dos produtores e das empresas do setor. Entre os principais fatores estão a maior restrição de crédito, os custos elevados de produção e o aumento do nível de endividamento.
Apesar da alta na comparação anual, o número de pedidos ficou abaixo dos registros dos dois trimestres anteriores. No segundo trimestre de 2025, foram 565 solicitações. No terceiro trimestre, o número chegou a 628. Já no quarto trimestre, houve recuo para 408 pedidos.
Produtores pessoa jurídica concentram alta
Os produtores rurais que atuam como pessoa jurídica registraram o maior crescimento entre os grupos analisados pela Serasa Experian. Eles fizeram 196 pedidos de janeiro a março, alta de 73,5% em relação aos 113 registrados no primeiro trimestre de 2025.
Entre as atividades, o cultivo de soja concentrou 137 solicitações. A criação de bovinos apareceu na sequência, com 42 pedidos. Mato Grosso, Goiás e Mato Grosso do Sul lideraram a lista de Estados nesse grupo.
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Entre os produtores classificados como pessoa física, foram registrados 182 pedidos no primeiro trimestre. O resultado representa queda de 6,7% em relação às 195 solicitações contabilizadas um ano antes.
Do total, 60 pedidos partiram de produtores classificados como “sem propriedades”, categoria que pode incluir arrendatários e integrantes de grupos familiares ou econômicos ligados à atividade rural.
Mato Grosso lidera pedidos
Considerando produtores rurais pessoas físicas e jurídicas e empresas relacionadas à cadeia do agronegócio, Mato Grosso apresentou o maior número de solicitações no primeiro trimestre, com 135 pedidos.
Goiás ficou em segundo lugar, com 73 solicitações, seguido pelo Paraná, com 50. Completam a lista Mato Grosso do Sul, com 38, e Minas Gerais, com 34. Rio Grande do Sul e Tocantins registraram 30 pedidos cada um. São Paulo teve 28 solicitações
As empresas ligadas à cadeia do agronegócio também registraram aumento. Foram 96 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre, crescimento de 18,5% em relação às 81 solicitações do mesmo período de 2025.
As agroindústrias de transformação primária concentraram 23 pedidos. Na sequência aparecem as indústrias de processamento de agroderivados, com 19, e os serviços de apoio à agropecuária, com 15 solicitações.
Segundo Marcelo Pimenta, gestor de agronegócio da Serasa Experian, a evolução dos pedidos nos próximos meses dependerá da capacidade de geração de receita, do comportamento das margens e das condições para renegociação das dívidas.
O especialista afirmou que o planejamento financeiro e a renegociação devem ser priorizados, enquanto a recuperação judicial deve permanecer como último recurso.
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